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quarta-feira, julho 24, 2013

Um post que torce em dobro pelo São Paulo

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Por Moriti Neto

Antes do jogo desta quarta-feira contra o Internacional de Porto Alegre, no Morumbi, com grande chance de novo insucesso no Campeonato Brasileiro, cravo neste Futepoca: o São Paulo não cai. Cambaleia no primeiro turno, frequenta a zona de descenso, mas se recupera no returno e termina o certame distante do rebaixamento.  
O elenco tricolor, às vezes supervalorizado, não é ruim. Aliás, é muito melhor que os de Bahia, Goiás e Vitória, e igual (ao menos nas individualidades técnicas) aos de Cruzeiro e Santos.  
Sim, todos esses times derrotaram o São Paulo recentemente. No entanto, perguntemos ao torcedor dos três primeiros se não trocariam as duplas de atacantes titulares por Osvaldo e Luis Fabiano (o Vitória, por exemplo, quinto colocado na competição, joga com Maxi Biancucchi e Dinei). Ou a santistas e cruzeirenses se não gostariam de ver Jadson – muito melhor que o cruzeirense Everton Ribeiro, por exemplo – nos elencos.  
Além do mais, imagine que você estivesse por fora do noticiário futebolístico há um ano e descobrisse, hoje, que o quarteto ofensivo do São Paulo é formado por Paulo Henrique Ganso, Jadson, Osvaldo e Luis Fabiano. Sem ver a tabela do campeonato, suporia o time na situação em que está?
Mesmo a fase tão ruim da defesa, parece ter mais a ver com fatores "extra bola" do que estar ligada à capacidade de atuação dos jogadores. Rafael Tolói e Rodolpho estavam bem na temporada passada. Wellington e Denílson idem. Cortez foi o melhor lateral-esquerdo, pelo Botafogo, do Brasileiro de 2011. Além disso, fez um ótimo 2012, inclusive na marcação (no segundo semestre) que nem é o forte dele. Está emprestado ao Benfica de Portugal.
O discurso de que todo o grupo é uma porcaria soa precipitado. O elenco é praticamente idêntico ao que ganhou a Sul-Americana e foi o melhor do segundo turno no Brasileiro anterior. Prefiro considerar que há desequilíbrios técnicos, casos da lateral-direita, da ausência de um bom goleiro para substituir Rogério Ceni e da falta de uma opção à altura que rivalize com Osvaldo– ou até jogue junto – pelos lados do campo. Além disso, cabe refletir sobre três personagens.
Ganso
O problema parece ser mais na cabeça do que nos pés. Ganso arruma confusão demais. Foi assim no Santos, ora com comissão técnica ora com direção. No São Paulo, confrontou Ney Franco que, aliás, tardou, sim, a aproveitar o meia de verdade. Sem falar nas controvérsias envolvendo quem o agencia.  
De qualquer forma, aguarda-se de Paulo Henrique uma reação. Algo que ele não mostra atualmente nem na expressão facial. O rapaz dá a impressão de estar frio, quase gélido, numa posição arrogante até, como se a qualquer momento pudesse, num passe de mágica, voltar a ser o fora de série dos bons tempos de Santos. Precisa trabalhar. Corpo e mente.  
Quem acompanha a história do futebol, sabe serem possíveis aos grandes jogadores grandes recuperações. No próprio São Paulo, Pedro Rocha, Dario Pereyra, Careca e Raí passaram por maus bocados. Ainda bem que alguém teve a paciência de mantê-los. O resto é história.  
Lúcio  
É um zagueiro que, ao longo da carreira, demonstrou muita determinação e liderança. A mim, sinceramente, jamais despertou admiração pela técnica. No momento, joga desembestado. Quer ser volante, armador e atacante, o que desestabiliza o time. Resumindo, perdeu o que tinha de positivo.  
Ney Franco  
Gosto do trabalho do ex-técnico. Entende do riscado. Contudo, neste ano, errou feio no Tricolor em oportunidades fulcrais. Isso tem muito a ver com os dois personagens anteriores.
Obcecado pelo esquema 4-2-3-1, bem sucedido em 2012, primeiro ficou à espera de um substituto para Lucas. Depois, sabedor de que o atleta com tais características não viria, insistiu na proposta de jogo, usando os fracos Douglas e Aloísio na linha de três.
Deveria ter colocado Ganso ao lado de Jadson antes. E, óbvio, definido rapidamente a mudança de sistema. Tinha toda a chatíssima primeira fase do Paulista para dar ritmo e entrosamento à dupla, e padrão à equipe.
Sobre a zaga, o treinador engoliu Lúcio como titular, ainda que o jogador, no início da temporada, estivesse evidentemente fora de forma, inclusive sem tempo de bola. Para isso, desmontou a dupla Tolói e Rodolpho, pilares da defesa que levou somente dois gols na Sul-Americana e foi a terceira menos vazada no Brasileiro, pouco atrás apenas de Fluminense e Grêmio.  
PS: nem vou comentar sobre Juvenal Juvêncio e os enormes erros políticos e administrativos dele, pois o Marcão já fez isso muito bem aqui
PS 2: espero que o Tricolor não caia mesmo. Senão, vão ser duas as gozações. O rebaixamento e este post.  

5 comentários:

fredi disse...

Camarada, quando a gente começa a arrumar argumentos por que não seremos rebaixados e falar que nosso elenco não é pior que outros é porque a coisa está brava.

Já passei por rebaixamento e é exatamente assim. O time não é tão ruim, tem gente pior, a reação vem daqui a pouco, e daí vêm uma derrota depois da outra e a reação nunca aparece.

Não digo que vai cair, mas já vi esse filme.

Marcos Futepoca disse...

"Não digo que vai cair, mas já vi esse filme."

Eu também. E o elenco não é ruim. É péssimo! - rsrs

Força, Moriti! Temos que ter fé! MUITA FÉ!

Abraço.

Moriti disse...

Camaradas,a situação é brava mesmo, mas sou um otimista incorrigível, oposto do Marcão. rs

Bora, Tricolor!

Thalita disse...

claro que o elenco não é tão ruim assim, nem poderia com a fortuna que entra de direitos de tv.
Já o clima é o pior entre os 20. O que será que vai pesar mais, a instabilidade política (à qual os cartolas não estão acostumados há algum tempo e não têm cancha pra segurar?) ou os talentos que o elenco ainda tem?

Moriti disse...

Boa pergunta, Thalita. E creio que a situação é bem por aí. Clima azedo, muito pela condição política.

O interessante da fase ruim (claro que estou tentando extrair algo de bom do momento) é que ela expõe ainda mais os problemas da cartolagem são-paulina.