Destaques

quinta-feira, março 18, 2010

Futebol com glamour

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Óculos escuros, meiões coloridos, maquiagem, uniforme de cores luminosas e muita música eletrônica. Esse é cenário do futebol das drags queens, que acontece na Barra Funda em São Paulo. O assunto é matéria no site da Carta Capital e rende boas risadas, como o episódio protagonizado pelo time das meninas coloridas, que pede para que a juíza não invalide um gol feito de forma pouco usual (mas que até craque de Copa do Mundo já fez parecido...):

O primeiro gol das meninas vem mais tarde, e é feito com a mão. A juíza tenta invalidar, mas quando as garotas percebem que podem usar a vantagem de seus 1,80 metro de altura para vencer os opositores, o jogo se torna mais um misto de vôlei e handebol do que futebol. Até os rapazes acabam aderindo a essa nova modalidade. Os gritos estridentes da juíza: “bola no chão, gente, bola não chão”, são completamente ignorados e as garotas marcam diversos gols com arremessos e cortadas.



Fátima Fast Food, o reforço que a seleção brasileira precisa! E Salete Campari, paraibana de Araruna,matemática, drag queen e hostess da noite paulistana. Salete também foi candidata a deputada estadual e vereadora em SP. Foto: Luana Lina

Também vale dar uma olhada no vídeo da inusitada e colorida partida das drag queens.


O assunto me lembrou uma matéria que o companheiro Glauco e eu fizemos para a revista Fórum, "Elas são mais Corajosas", publicada logo após o Ronaldo, o "Fenômeno", dar explicações confusas sobre o fato de ter ido a um motel com três travestis e a mídia discutir a questão do atleta ter supostamente tido relações homossexuais, o que seria um absurdo, uma vez que o país do futebol é também o país da homofobia.

Aliás, uma das travestis que estavam com Ronaldo no motel, Andréa Albertini, faleceu ano passado. Tive a oportunidade de conversar com ela durante um desfile da Daspu, que também virou matéria para a Fórum e, claro, ela vestia um shortinho (curtíssimo) no melhor estilo jogador de futebol da década de 70 e fazia embaixadinhas, enquanto cuidava para que seu cabelo não desarrumasse, um luxo na "passarela-protesto" na luta contra os preconceitos.

Elis, 65 anos e um dia

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Ontem, quando faria 65 (nasceu em 17 de março de 1945), não lembrei do aniversário da maior cantora que este país teve em música popular.


A data não importa muito, fica apenas como desculpa para falar um pouco dela, de música e de algumas curiosidades.

Além da cantora, há a personalidade polêmica. Segundo as biografias, era exigente, briguenta, depressiva, bebia, usava cocaína, mas cantava como ninguém.

Na excelente biografia de Tom Jobim, Sergio Cabral conta das dificuldades da gravação de Águas de Março, nos Estados Unidos, para o disco Elis e Tom. Os dois gênios viviam às turras. E revela uma mágoa de Tom, ele teria mostrado a Elis a música Na Batucada da Vida, de Ary Barroso, que pretendia lançar num disco só com músicas do compositor. Elis ouviu e assim que chegou ao Brasil gravou, deixando Jobim magoado. O disco de Jobimc dedicado a Ary nunca saiu.

Mas a personalidade de Elis era complexa. Por outro lado pegou um Adoniran Barbosa quase no ostracismo e relançou Saudosa Maloca, resgatando o compositor na década de 1980. E lançou Tiro ao Álvaro, um dos últimos sucessos dele, além de dar "canja" no último disco que o compositor do Bixiga lançaria.

Agora, é melhor ouvir Elis do que falar dela. Vou citar apenas algumas músicas e compositores que lançou, Canção do Sal, Milton Nascimento, Romaria, Renato Teixeira, Ensaio Geral, de Gilberto Gil, e muitas outras. Vale lembrar que Elis cantou Gil quando ele ainda era executivo da Gessy Lever, com o sucesso da música defendida por ela no Festival da Record, foi convidado a gravar se primeiro disco, Louvação, e o país perderia um promisso executivo (rs).

Não vou me alongar mais, cada um que ouça sua predileta da Elis. E, por curiosidade, o vídeo postado abaixo não é com ela cantando nenhuma música, mas sim concedendo uma entrevista a Marília Gabriela, em 1980, com a filhinha estrábica, uma tal de Maria Rita.

Mauá entra na guerra contra a manguaça

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Leio no Diário do Grande ABC de hoje que em Mauá (onde nasceu o companheiro Nicolau e também o Mauro Beting) um vereador do PSDC, Professor Betinho (foto), apresentou um projeto de lei para proibir a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas em eventos organizados pela Prefeitura. E o negócio já foi aprovado em primeira discussão. A justificativa do vereador é lapidar: "São dezenas de jovens embriagados e em coma alcoólico nas festas". Ou seja, se dá fungo no galho de uma árvore, corte a árvore toda. É a mesma lógica das privatizações tucanas: se a estatal está com algum problema (que, por pior que seja, tem alguma solução), venda a estatal de uma vez. Por que o "democrata cristão" mauaense não propõe um programa municipal de conscientização, com jovens e seus pais, para debater o abuso do álcool, suas causas, consequências e possíveis soluções? E os que bebem e não abusam, vão fazer o que nesses eventos municipais? Tomar iogurte? Prestem atenção, manguaças, que o cerco é silencioso, mas incessante. Tudo o que é coletivo é perigoso pra essa gente. E deve ser vigiado, controlado, normatizado e proibido. Vamos assistir esse absurdo calados? E de bico seco?

Palmeiras vence por 2 a 1 mas não elimina Paysandu

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Foi magra, com oscilações e cansaço. Mas foi uma vitória no Mangueirão. Por 2 a 1, o Palmeiras venceu o Paysandu em Belém (PA) pela Copa do Brasil. Garantiu vantagem, mas não eliminou o Papão da competição. Faltou disposição para ampliar e o time da casa fez frente ao alviverde, chegando a empatar e a tentar pressionar os visitantes.

Trata-se da terceira vitória seguida, depois dos resultados sobre o lanterna Sertãozinho e o líder Santos pelo Paulista. Isso é bom, mas não assegura que o time esteja embalado. Recuperado é o termo de bom tamanho.

Ewerthon e Lincoln foram os autores dos gols. Como principais contratações do time na temporada, eles foram a campo desde o início e decidiram. Além de nomes com mais consoantes do que o necessário, mostraram que estão no nível dos outros jogadores do elenco.

Talvez possam até jogar mais bola, mas não convenceram ainda de que são melhores. Em outras palavras, não salvam a pátria, mas são opções, em muitos casos, melhores do que as existentes. Lincoln dá mais consistência ao meio campo do que Ivo e Deyvid Sacconi, que são mais ofensivos. Ewerthon pode funcionar melhor do que os períodos magros de Robert. Lenny e Marquinhos tem menos presença na área. Mais opções nas mãos do técnico.

Mas o time ainda tem muitos momentos em que os passes falham e a bola parece quente, sem que apareça alguém com tranquilidade para dominar ou fazer um passe com qualidade. Bora treinar.

Os jogadores, no segundo gol, repetiram o Armeration, uma versão particularmente engraçada do lateral-esquerdo colombiano Armero de dançar um trecho do "Segura o Tchan", ou algo do gênero. Por um lado, cansa um pouco a polêmica das dancinhas. Por outro, como foi o renegado Armero a referência, a possibilidade de comemorar dançando ganha ares de exorcismo em vez de ser visto só como deboche. Quem sabe assim arrefece a polêmica? Engula-se os xingamentos aos jogadores rivais e deixa o pessoal dançar.

Pragmatismo

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Lembra aquele toquezinho infeliz em escanteio no último minuto que eu detestei na partida do Corinthians contra o Independiente Medellin semana passada? Pois é, aconteceu de novo nessa quarta, no 1 a 0 contra o Cerro Porteño, no Paraguai. E dessa vez deu pra ver o técnico alvinegro gesticulando para os jogadores como quem diz “acabou o jogo, segura aí”.

Dessa vez irritou menos, porque pelo menos o time levou uma vitória após enrolação. E, durante os 90 minutos, a proposta de jogo, ainda que meio modorrenta, foi melhor executada. Elias, Jucilei e Danilo estiveram em boa jornada, garantindo mais fluência nos passes no meio de campo. O que não quer dizer necessariamente mais chegadas ao ataque.

A opção continuou sendo manter a posse de bola e cozinhar o jogo. Mas como errava menos passes no meio, a equipe conseguiu criar uma ou outra chance de gol e praticamente anular o Cerro, que teve, se bem me lembro, duas chances reais.

O Corinthians não teve muito mais que isso, na verdade. Umas três ou quatro, digamos. Uma delas em escanteio batido por Dentinho para Danilo desviar de calcanhar e Ronaldo empurrar para as redes - encerrando um curto (mas bem comentado...) jejum de 5 jogos sem marcar. Legal do gol foi ver o marcador do Gordo olhando a bola e se assustando ao vê-lo já dois passos na sua frente, livre pra marcar.



O jogo foi bonito? Não, nem de longe. Foi empolgante? Tampouco. Mas em algum momento deu realmente preocupação de perder? Não também. Mano Menezes resumiu a atuação com um “não fomos brilhantes, mas fomos práticos”. De fato, talvez até demais.

O time vai precisar de mais ousadia mais pra frente. Poucos times terão a incapacidade ofensiva do Cerro, que não conseguiu se aproveitar o recuo do Timão no segundo tempo. Insisto: ficar jogando só no seu campo é um risco que não considero valer a pena.

Mas o treinador mosqueteiro tem outro argumento difícil de rebater. “Quatro pontos em seis fora de casa. Temos de valorizar”, disse após o jogo. Some mais três da obrigação caseira e temos a liderança isolada do grupo, com sete pontos. Precisa mais? Sim, precisa. E confio que vai ter. Mas enquanto não tem espetáculo, contento-me com o frio pragmatismo dos números.