Destaques

sexta-feira, abril 02, 2010

'Coluna do meio é opção'

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Mesmo para quem entende de futebol, opinar sobre o possível resultado de Uberaba x Vila Nova é uma coisa complexa...

Som na caixa, manguaça! - Volume 52

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

COISAS DA VIDA
(Benito Di Paula)

Benito Di Paula

Olha, que a vida é essa, eu sentado sozinho
E pensando, o que pensa essa gente
Que olha e desolha
É palavra cruzada
Eu decifro, e repasso
E no passo eu já vou

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É a feira acabada, é a festa no fim
É o copo, cheirando a bebida
Quem foi que bebeu
Que caiu por aqui
E chorou, e dormiu
E no sono partiu

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É o menino que chega na escola chorando
E confessa por quê que apanhou
Na noite passada, ele ouviu dizer "Eu já vou!"
Respondeu, sem saber, respondeu

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É o carro do ano, é a nave que acopla
É a crise, o petróleo, a geada, o café
É a viola cansada
É meu samba já todo enfeitado, dizendo "Eu já vou!"

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É o livro já lido, futebol consumido
É Pelé, que se foi, ninguém disse "Ele vem"
Essa grana refresca qualquer cuca quente
Eu também vou cantar, é com esse que eu vou!

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É o meu paraíso, é Adão enfeitado
É a Eva sorrindo, o desejo, o pecado
Mas nem sempre é azul
A amor que se faz
Quem não fez, não faz mais
Eu não fico pra trás

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

É o jornal atrasado, é o charuto fumado
É o classificado, é o crucificado
É a prece, é a chama, é a minha oração
Na igreja de portas abertas!

Eu também quero ir, eu também quero ir
Eu também quero ir, ah, eu também

Eu também quero ir, eu também quero ir,
Ah, eu também ...

(Do LP "Benito Di Paula e seus amigos", Copacabana, 1975)

quinta-feira, abril 01, 2010

Esse eu vou contratar para o meu velório!

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Sensacional: um padre bêbado deu um vexame antológico durante um velório em Toulouse, na França. "O padre cambaleava e disseram a ele que não podia trabalhar em tais condições. Então, voltou ao seu automóvel. Como foi impedido de dirigir, saiu correndo e caiu. Um amigo de meu sobrinho quis ajudá-lo a se levantar, e o padre deu um soco na cara dele", afirmou Gerar Tillier, irmão da morta. "Um padre que bate em seus paroquianos é algo nunca visto, e que apareça bêbado, melhor nem falar", emendou Tillier, escandalizado. A família chamou as autoridades, que prenderam o manguaça, de 46 anos, nascido em Burkina Fasso, na África. Pra piorar a emenda e o soneto, o arcebispo de Toulouse, Robert Le Gall, soltou o seguinte "comunicado oficial" nesta quinta-feira: "O padre Bonaventure, apesar de ser respeitado e apreciado nas paróquias de Muret, se apresentou para um funeral em um estado incompatível com esse trabalho. Mais uma vez apresento minhas desculpas à família". Épico, simplesmente épico. Me lembrou um amigo de meu ex-sogro, que também tomou todas antes de ir a um velório lá em Fortaleza e, logo ao chegar, acendeu o cigarro em uma das velas ao lado do morto.

Neocompanheiros de primeira hora

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Duas notícias de fontes bem diferentes desta quinta-feira, 1º de abril, são muito curiosas. Se alguém me contasse sem os links, eu acusaria o dia da mentira na hora. Primeiro:

Foto: Masao Goto Filho/CNI

Do Visão Oeste: “Possibilidade de ser vice de Mercadante nunca existiu”, diz Skaf
A entrevista com Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) ia conforme manda o protocolo. Lá pelas tantas, Leandro Conceição pergunta o que o Brasil – ou pelo menos eu – queria:

Por que o PSB? O senhor se define como um empresário socialista?
Skaf - O PSB é um excelente partido, de pessoas honestas, limpo e um empresário moderno, uma empresa moderna, são um bom exemplo de socialismo. Veja que a preocupação com a educação, a formação profissional, em dar condições de igualdade para as crianças desde muito cedo [no Sesi e no Senai]. Tudo isso tem a ver com a modernidade e uma visão socialista, sem dúvida. Temos que pensar no momento que estamos, não estamos em 1930. (grifos ébrios nossos)
Então a "empresa moderna" é socialista? E ser socialista é bom para o Skaf? é o primeiro neocompanheiro identificado neste 1º de abril.

Foto: Reprodução R7
Do R7, da Record: Mentir em economia se aproxima do crime. A matéria critica o "economês" – chavões e contas que os diplomados em ciências contábeis e economia usam – para formar uma matéria. Se fosse livro do Luis Fernando Veríssimo, o título seria "Mentiras que os economistas contam". Mas a coisa melhora.

Um infográfico refresca a memória das mentiras em questão.

Bernardo Maddof, acusado por fraudes de US$ 500 bilhões, o Caso Enron e o Plano Collor eram previsíveis em qualquer lista do gênero. Mas de repente:

Grandes mentiras da economia
  • Autorregulamentação do mercado
    Conceito que tem sua base na ideia de um "equilíbrio natural" dos mercados; para isso, seria preciso reduzir a interferência do governo a um mínimo e deixar que o mercado, e as próprias instituições financeiras, zelem por seu funcionamento.
  • Pontocom
    (...) Uma febre apareceu: multiplicaram-se as empresas de tecnologia. Ninguém sabia, no entanto, se dariam lucro. A farra durou até 2001, quando a "bolha" estourou.
  • "Desta vez é diferente"
    Lema de quem se deixa levar porprocessos de especulação, conhecido também como "movimento de manada", quando quem tem dinheiro para investir segue a maioria (...) A cada vez que uma bolha surge, esse lema ocupa a mente dos investidores, que acreditam nas avaliações positivas dos analistas e ficam cegos para o risco de perder tudo.
  • Consenso de Washington
    Conceito surgido nos anos 80, entre o FMI, o Banco Mundial e o governo dos EUA, abseado em três pilares: redução de gastos públicos (que costuma afetar duramente programas sociais); privatização (venda de empresas públicas, para reduzir o tamanho do governo); e liberalização (ou desregulamentação) de mercado (...). Essa receita caiu em descrédito depois, por exemplo, de seu fracasso na Argentina – que chegou a ser conhecida como "aluna modelo" do FMI.
  • Classificação de Risco
    Nota de risco – ou "rating" – é uam avaliação feita por agências de classificação de risco, que analisam a capacidade de uma empresa ou país honrarem seus compromissos (...). As agências que fazem essa análise, segundo os críticos, falharam em avaliar corretametne o risco de aplicações financeiras que jogaram a economia mundial na crise.

Recapitulando: Autorregulamentação do mercado, Consenso de Washington, Classificação de Risco e a possibilidade de o capitalismo não ter crises profundas de tempos em tempos são, todas, mentiras. O material não é editorializado, mas assinado por Vinicius Albuquerque. Uma análise assim não é comumente vista em outros veículos de um grupo de mídia grande. Caberia em publicações alternativas, de esquerda e tal.

Assim, ao ver o infográfico, identifiquei outro neocompanheiro neste 1º de abril: os empresários da Record e, por extensão, a Igreja Universal do Reino de Deus. Tudo bem que boa parte da bancada evangélica integra a base do governo no Congresso Nacional, mas jamais de modo tão programático.

Empresário companheiro e companheiro pastor. Aprendi mais essa.

O cerco é por etapas. Mas constante

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Depois da proibição do cigarro no bar e da possibilidade de sermos obrigados a desembolsar 20% do valor da conta para o garçom, mais uma medida anti-manguaça na cidade de São Paulo: a Câmara Municipal começou a debater um projeto que reduz de 1h para meia-noite o limite para o fechamento dos bares sem isolamento acústico. "Quero fechar os botecos que ficam com mesas nas calçadas e atrapalham os moradores vizinhos", brada o autor do projeto, vereador Jooji Hato (PMDB). "A noite foi feita para dormir", acrescenta o político. Pô, se é assim, proibam os caminhões de lixo e as britadeiras da Comgás de me atrapalharem o sono de madrugada!

Pelo menos, dessa vez, alguém levantou a voz contra mais esse ataque moralista. Percival Maricato, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), resumiu bem o cenário: "A sociedade está em um momento conservador (...) E alguns políticos aproveitam esse filão conservador, no embalo do anti-tabagismo e da lei seca, para tentar ganhar atenção com projetos contra os bares". Falou e disse. Quanto a nós, manguaças (ou "inconvenientes"), só nos resta a desobediência civil. Ou o anarquismo, como sugere o colega jornalista Paulo Gilani (na foto, à direita). "Temos que ter ações consistentes", comanda, sem revelar o que tem em mente. Alguém tem alguma outra estrategia para a resistência manguaça?