No livro "Vamo batê lata" (Editora 34, 2003), sobre os Paralamas do Sucesso, Jamari França conta uma história impagável de bebedeira e molecagem. Nos anos 1980, o baixista Bi Ribeiro tinha um sítio em Mendes, interior do Rio de Janeiro (foto), onde a banda ensaiava e eles, literalmente, "tocavam o puteiro". O ator global Alexandre Régis, que morava lá na época, descreve: "A molecada da cidade ia toda pra lá e bebia até cair, fazia sua fogueira, churrasco, ia embora e eles tocando. Era um sítio gigantesco, tinha uma selva entre a casa e a piscina, eu me perdi várias vezes, os cachorros é que iam me buscar". O problema, no local, era a estrada de terra que ligava o sítio à cidade, intransponível em época de chuva (principalmente para os manguaças, que iam e vinham a pé). "Eu escancarava muito, já dormi atolado bêbado na estrada, pensava: 'Caramba, se vier um carro vai passar por cima de mim', mas não conseguia me mexer", lembra Régis.
A salvação parecia ter chegado quando o prefeito local decidiu botar paralelepípedos na estradinha. Porém, depois dos primeiros 100 metros concluídos, o músico e compositor Herbert Vianna aprontou na cidade. Ele confessa: "Num Carnaval em Mendes, estávamos concentrados, bebendo - a gente bebia demais um negócio que se chamava Pique no Lugar, guaraná misturado com conhaque barato". Alexandre Régis conta que eram quatro dedos de conhaque, dois de guaraná, envolvia o copo num guardanapo e sacudia; quando espumava, bebia-se de uma vez.
Segue Herbert: "Cada um tomava uns cinco de uma vez e ficávamos endiabrados, infernizávamos a cidade. Aí, o Carnaval comendo solto, de repente, choveu. Entrou todo mundo nas lojas e uma delas se chamava Importadora. Estávamos lá no fundo da Importadora, muita gente, eu falei: 'Tem muita pressão aqui dentro, é igual a uma espinha, pra aliviar vai ter que expelir alguma coisa e o expelido serei eu'. Tirei a roupa lá no fundo, passei de cueca pelo pessoal, cheguei na rua, tirei a cueca e saí correndo nu, curtindo a chuva, a galera gritando e todo mundo na marquise olhando. Aí eu cheguei no posto de gasolina, botei a cueca e voltei, me vesti".
O prefeito e a família estavam na praça, como todo mundo, vendo os blocos passarem. "Depois dessa o cara não botou mais nenhum paralelepípedo naquela estrada", lembra Alexandre Régis. Sobraram apenas os 100 metros concluídos anteriormente no meio do lodaçal. "Então ficou um calombo que a gente passou a chamar de Bunda do Herbert", arremata o ator.
Quinta-feira, Julho 31, 2008
A Bunda do Herbert
Sexta-feira, Junho 27, 2008
Som na caixa, manguaça! - Volume 22

NOTURNO PAULISTANO
(J. Petrolino/ Carlinhos Vergueiro)
Carlinhos Vergueiro
oh! cidade dos cabelos finos de neblina
minha noite paulistana louca e bailarina
faz o striptease, solta o riso e a cidade nua
sai pra rua e se mostra humana
e vai em cana dura e bebe
e perde a compostura
segue a noite um cantor de tango de cantina
mesa em mesa passeia a tristeza e a concertina
morte e vida começa a corrida pela contramão
lei do cão, ou mata ou morre ou corre
ou toma um porre e a noite escorre
igual ao dia a dia em vão
(Do Lp "Contra corrente", Som Livre, 1978)
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Quatro contra um

Como hoje sir James Paul McCartney completa 66 anos, recupero uma historinha que envolve os Beatles - e cachaça, lógico. No início de 1974, Elis Regina e seu marido na ocasião, o pianista César Camargo Mariano, embarcaram para Los Angeles para gravar com o maestro Antonio Carlos Jobim o célebre álbum "Elis & Tom", relançado há alguns anos. Tom Jobim foi recebê-los no aeroporto e depois foram tomar uns uísques para "quebrar o gelo" entre os três, que não tinham qualquer intimidade até então. Mas César não gostou do papo inicial de Jobim, que gabava-se de ter duas músicas entre as 30 mais executadas no mundo, enquanto os Beatles tinham quatro (a maioria da dupla John Lennon/ Paul McCartney). Um dos trunfos de Tom Jobim era "Garota de Ipanema", composta em parceria com Vinicius de Moraes. César, irritado com a pavonice, tentou provocar: "-De qualquer forma, eles têm o dobro". Ao que, impávido, Jobim respondeu: "Mas aí é covardia! Eles são quatro, pô!", deixando claro que seu papo de bar era apenas bravata para descontrair. O que, de fato, aconteceu - basta ouvir seu primoroso disco com Elis para comprovar o resultado.
Segunda-feira, Junho 02, 2008
Corinthians fez Jorge Mautner parar de beber
Zapeando pela TV no sábado, estacionei por uns instantes no programa "Procurando quem?", capitaneado por Rodrigo Bittencourt no Canal Brasil. O entrevistado era o folclórico Jorge Mautner (foto), que me saiu com essa:
- Minha mãe era extremamente católica, mas, quando eu tinha 14 anos, ela montou um bar no meu quarto. Isso mesmo: um bar, com vodca, gin, uísque, tudo. Daí, durante um ano, eu fui um bêbado. Acordava de manhã e, antes de ir pra escola, já tomava a primeira dose. Acontece que um dia o Corinthians perdeu para o São Paulo e eu, corintiano, tive que suportar as gozações de um amigo são-paulino. Só que eu estava bêbado e muito nervoso, ele não parava de rir da minha cara e eu dei uma facada nele, que foi parar no hospital. Faltaram uns três centímetros para perfurar o fígado, quase me tornei um assassino. Nesse dia, resolvi parar de beber!
Moral da história: cuidado ao tirar sarro de corintianos bêbados...
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Som na caixa, manguaça! Volume 21
EXPULSOS DO BAR
MATA-RATOS
Somos mais de 20, todos a abardinar
Queremos beber, não queremos pagar
Vamos para a festa cantar e gritar
Vamos fazer merda, peidar e arrotar!
Expulsos do bar!
Fomos postos a andar!
Expulsos do bar!
Mas haveremos de voltar!
Entupimos a privada, mijamos no balcão
O patrão com tanta agitação
Chama a polícia pra nos por a andar
Vamos dar a fuga, mas haveremos de voltar!
(Do EP "Expulsos do Bar", Drunk Records/ Fast'n'Loud, 1994)
Quinta-feira, Maio 15, 2008
Embriaguês e desordem
Fotos de arquivos policiais de alguns famosos, na maioria dos casos, detidos por embriaguês, desordem, agressão ou desacato. Vemos aqui o jovem mafioso Frank Sinatra, o beberrão Johnny Cash, o violento Elvis Presley, o porra-louca Jimi Hendrix e o único vivo da lista, Mick Jagger, que tomou todas e embolachou um fotógrafo em 1972. Mas a melhor imagem é a de Jim Morrison, aos 19 anos, em 1963 (dois anos antes de fundar os Doors). De tão bêbado, quase não consegue abrir os olhos.


Frank Sinatra, Johnny Cash e Elvis Presley


Jim Morrison, Jimi Hendrix e Mick Jagger
Sexta-feira, Maio 09, 2008
Som na caixa, manguaça! - Volume 20
FÃ DE ELIANE
(Chico Lopes)
Alô, Eliane, ô me atenda pelo telefone
Quem tá falando é Chico Lopes
O novo astro lá do Mossoró
Sou louco pra te conhecer
Sou apaixonado pela sua voz
Será no seu coração
A vontade que eu tenho pra poder te ver
Se eu chegar num bar pra beber
E não tiver seu LP
Ah, nesse bar eu não beberei
Pois eu sou seu fã
Eu sou seu admirador
(Do CD "Fã de Eliane", gravadora Som Zoom, 1996)
Quarta-feira, Abril 30, 2008
Som na caixa, manguaça! - Volume 19
SENTIMENTAL EU FICO
(Renato Teixeira)
Sentimental eu fico
Quando pouso na mesa de um bar
Eu sou um lobo cansado, carente
De cerveja e velhos amigos
Na costura da minha vida
Mais um ponto
No arremate do sorriso, mais um nó
Aqui pra nós, cantar não tá pra peixe
Tem coisa transformando a água em pó
E, apesar de estar no bar caçando amores
Eu nego tudo e invento explicações
Amigo velho, amar não me compete
Eu quero é destilar as emoções
Sentimental eu fico . . .
E os projetos, todos tolos, combinados
Perecerão nas margens da manhã
Uma tontura solta na cabeça
Um olho em Deus e outro com satã
E quando o sol raiar desentendido
Eu vou ferir a vista no amanhã
E olharei para quem vai pro trabalho
Com os olhos feito os olhos de uma rã
(Do LP "Romaria", RCA Victor, 1978)
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Som na caixa, manguaça! - Volume 18
CERVEJA BARATA
(Rock Rocket)
Pelas ruas da cidade
Vou andando procurando um qualquer boteco pra poder tomar
Não sou muito exigente não sou intransigente
Quero apenas um lugar para encharcar
Pode ter ratos
pode ter barata
e a garçonete pode ser travesti
Que nunca limpem o banheiro nunca puxem a descarga
e os cachaceiros passem o dia inteiro ali
mas a cerveja barata
cerveja barata
Pelas ruas da cidade
Vou andando procurando um qualquer boteco pra poder tomar
Não sou muito exigente não sou intransigente
Quero apenas um lugar para poder encharcar
Pode ter ratos
pode ter barata
e a garçonete pode ser travesti
Que nunca limpem o banheiro nunca puxem a descarga
e os cachaceiros passem o dia inteiro ali
mas a cerveja barata
cerveja barata
cerveja barata
cerveja na veia
(Do CD "Por Um Rock and Roll mais Alcoolatra e Inconsequente", Trama Virtual, 2006)
Quinta-feira, Abril 03, 2008
As múmias tocam seus próprios discos
Sempre simpatizei com os manguaças pró-ativos, ou seja, aqueles que decidem tirar a bunda da mesa do bar (às vezes) para fazer ou criar alguma coisa - de preferência, uma coisa bizarra ou impagável. Admiro, principalmente, os que têm pendores artísticos, como o Mussum, o Paulo César Peréio, o Raul Seixas, a Maysa, Vinicius de Moraes, enfim, dezenas deles. Ano passado, fiz um post sobre a Amy Winehouse, cantora inglesa que gosta de entortar o caneco. Pois então, outros desses manguaças "criativos" criaram há 20 anos, em San Francisco (EUA), a banda The Mummies (As Múmias).
Era uma banda punk de garagem formanda por Trent Ruane (órgão e vocais), Maz Kattuah (baixo), Larry Winther (guitarra) e Russell Quan (bateria). Mas o inusitado é que, apropriadamente, eles sempre ensaiaram e se apresentaram vestidos de múmia, como comprovam as fotos desse post. Por gravadoras de fundo de quintal, como a Hangman, a Telstar e a Pinup, lançaram vários compactos no início dos anos 1990, até que decidiram compilar tudo em um LP.
O bizarro é que, para isso, ligaram um microfone em frente a uma vitrola velha e fizeram a gravação pondo para tocar todos os compactos que tinham lançado, batizando a tosca coletânea como "The Mummies play their own records" ("As Múmias tocam seus próprios discos"). Cumprindo o pacto - ou "maldição da múmia", como convencionaram chamar - de que a banda acabaria assim que recebesse o convite de uma grande gravadora, puseram fim à diversão no Ano Novo de 1992.
Segunda-feira, Março 31, 2008
Dois garotos e um certo fim de semana de 1957
Música lembra Beatles, que lembra John Lennon. Futebol lembra seleção brasileira, que lembra Pelé. O que poucos sabem, porém, é que esses dois ícones do século passado, principalmente nos anos 1960, têm muitos pontos em comum. Para começar, ambos são librianos e quase da mesma idade: John Winston Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940, em Liverpool, Inglaterra, e, exatamente duas semanas depois, no dia 23, veio ao mundo Edson Arantes do Nascimento, em Três Corações (MG), Brasil. Mas a maior coincidência aconteceria 16 anos e nove meses mais tarde.
No sábado, 6 de julho de 1957, a igreja de Woolton, em Liverpool, foi palco de um encontro crucial para história da música. Naquela tarde, Lennon se apresentou no local com sua banda The Quarrymen, formada por ele com amigos de escola. Tocavam rock and roll no ritmo do skiflle, um jazz-caipira-acelerado. Na platéia, um outro adolescente observava com interesse: James Paul McCartney, 15 anos recém-completos. Ele achava que tocava melhor que qualquer um no palco, mas estava impressionado por John já ter uma banda - e liderá-la. Após o show, Pete Shotton, um amigo comum, os apresentou. Os Beatles nasceram ali.
No dia seguinte, domingo, 7 de julho, o Brasil enfrentou a Argentina no Rio de Janeiro, então capital federal, pela Copa Roca de Futebol (extinto torneio disputado entre os dois países). No segundo tempo, perdendo por 1 a 0, o técnico brasileiro Sylvio Pirillo decidiu substituir o atacante Del Vecchio por um menino de 16 anos, Pelé. Poucos minutos depois, ele empatou a partida. Apesar de a Argentina ter marcado novamente e vencido por 2 a 1, aquele jogo marcou a estréia do futuro Rei do Futebol pela seleção brasileira. Ali, naquele domingo de julho, Pelé começou a pavimentar seu caminho rumo ao título mundial na Copa da Suécia, menos de um ano depois, quando teve início seu reinado.
No alto, John Lennon com os Quarrymen no sábado, em Liverpool. Acima, Pelé marcando seu primeiro gol pelo Brasil no domingo, no Rio de Janeiro.
Sexta-feira, Março 28, 2008
Som na caixa, manguaça! - Volume 17
Pão com cerveja
(Velhas Virgens)
Eu nunca soube o que é ganhar dinheiro
Desde que entrei nessa de "roquenrou"
A grana não dá pra pagar a conta
Do que a gente bebe durante o show
Se eu não livrasse algum no jogo
Já tava embaixo de alguma ponte
Mas mesmo assim agente faz o som
A gente toca por prazer e é bom
Qualquer dia
Vamos passar a pão com cerveja
E que não falte a bebida, baby
Pra que pior não seja
O visual não é antigo à toa
As roupas estão mesmo em farrapos
Os instrumentos são emprestados
Nós tamos todos desempregados
Eu já estou quase passando o chapéu
Pra ter ao menos o da condução
A gente não pode nem fazer greve
Não tem salário. Não tem patrão
Eu nunca soube o que é ganhar dinheiro
Desde que inventei de ser "star"
A grana não dá pra pagar a conta
E as vezes os caras não querem pagar
Se eu não livrasse algum na rua
Já tava em paz de osso branco
Mas mesmo assim agente faz o som
A gente toca por prazer e é bom
Do CD "Vocês não sabem como é bom aqui dentro", MNF, 2001.
Terça-feira, Fevereiro 26, 2008
Som na caixa, manguaça! - O retorno (Volume 16)

OS BÊBADOS
Marcus Dias (Na foto, com Isaac Cândido)
Sábado
É o dia dos bêbados
E das moças católicas
Que vão para a missa rezar pra quem sabe encontrar algum
Bêbado
Aquele cara simpático
Quando não está estático
Sentado na mesa de um bar a tentar encontrar algum
Método
De burlar o estético
De furar o ilógico
E de tentar conquistar uma moça que não sabe nada dos
Bêbados
Aqueles caras exóticos
Que misturam os tópicos
E que promovem o riso que eu sempre tentei mas agora estou
Bêbado
Procurando meus métodos
Misturando meus tópicos
E tentando enganar os que não sabem nada de nada dos
Bêbados
(Do CD "Isaac Cândido", de 1999)
Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008
"Minha vida é que atrapalha a minha cerveja"
Impagável essa entrevista do Zeca Pagodinho à Folha de S.Paulo:
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
O novo talento da música de protesto brasileira
A música popular brasileira sempre contou com excelentes canções voltadas para a temática político-social. Desde engajados mais "puros" como Geraldo Vandré, passando pelo talento de Chico Buarque, Vinicius, Zé Ketti e inúmeros outros.
Mais recentemente, Gabriel, o Pensador, por pouco não foi preso por ter feito uma música em que se dizia feliz, pois havia matado o presidente (o mandatário à época era Fernando Collor, mas pode-se aplicar a tantos outros, de acordo com o gosto do freguês) e os Paralamas do Sucesso tiveram problemas por conta da música "Luiz Inácio (300 picaretas)". Mundo Livre S.A., Chico Science e, lá fora, Bersuit Vergabara, Mano Chao, cada um a seu estilo, mantiveram viva a chama da música com crítica a, enfim, tudo que está aí.
Mas agora surge um novo talento, diferente de todos estes. Trata-se de Ednaldo Pereira que, com sua letras contundentes e uma batida eletrônica empolgante, passa seu recado de forma direta para quem estiver à disposição de ouvir. Além disso, no clipe, ele trata da questão da desigualdade, das crianças (atendendo à mensagem de Pelé no milésimo gol) e também dos idosos. Exemplo de pronúncia de inglês e primor de sensibilidade social. Clique no vídeo e confira. É um novo fenômeno da MPB ou não?
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
Tevez já foi sanfoneiro
E usava o sugestivo nome artístico de Ney. Reproduzimos acima a capa do LP gravado em dupla com Kety. Parece que tocavam cumbias.Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Enxergando dobrado
Ps.: No "Farol da Barra" há uma música chamada "Samba do sociólogo louco", que nos remete à lembrança um certo presidente que falava francês...
Domingo, Janeiro 13, 2008
"Posso dizer duas coisas: sorria e beba"
No show "Nana Caymmi - Uma história de sucesso", um dos melhores espetáculos da década de 1990, registrado em DVD, a maravilhosa (e desbocada) cantora dá uma lição de vida à platéia:Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
"O sangue só corre bem quando tem bebida"
Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Sobre butiquins vagabundos
Hoje pela manhã, no programa Sportcenter, da ESPN, José Trajano bateu um papo com o músico e compositor carioca Moacyr Luz (foto) - que, ao que parece, está para publicar a continuação de "Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos" (livro de sua autoria lançado pela Editora Senac em 2005, coordenado pelo jornalista Marcelo Moutinho e ilustrado pelo cartunista Jaguar). A primeira edição trouxe 25 crônicas baseadas em fatos reais e ambientadas naquilo que nós, manguaças, costumamos chamar afetuosamente de "butecos pé sujo", onde a falta de higiene é apenas um charme a mais. Em seus livros, Moacyr Luz faz um apanhado desses simpáticos estabelecimentos na cidade do Rio de Janeiro, inclusive com entrevistas de personalidades que os freqüentam. Questionado por Trajano sobre as novidades da segunda edição, Luz citou um tal de "Bip Bip", butiquim de um metro por dois em Copacabana. Segundo consta, uns gringos pararam certa vez diante da tapera, embasbacados, e decidiram entrar. O dono, Alfredinho, cortava as unhas impavidamente sobre o balcão. E teriam travado o seguinte diálogo:
- Mister, please. Tienes chope?
- Não, aqui só tem cerveja - respondeu Alfredinho, cortando as unhas e sem levantar a cabeça.
- Ok. Uno para nosotros.
- Seguinte, a geladeira é pequena e só tem meiota. Se quiser, tem que pegar duas de uma vez - prosseguiu o dono do buteco.
- Ok, ok.
- Outra coisa: aqui não tem garçom. Vai lá no fundo, pega as meiotas na geladeira e anota pra mim no caderno que tá amarrado no balcão - orientou didaticamente Alfredinho.
- Ok, ok.
Não contente, o dono do bar arrematou:
- Ah, e aproveita que tu vai lá no fundo e mata aquela baratinha ali na parede, ó!




