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quinta-feira, março 05, 2009

O "refugiado" que não queria asilo político

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Alguém aí lembra de Erislandy Lara? Ele foi um dos dois lutadores cubanos que fugiram da delegação do país que veio aos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. à época, a Polícia Federal procurou os dois, que acabaram voltando pra Cuba. Não pararam de chover reclamações sobre o fato de, supostamente, o Brasil não ter dado asilo político aos rapazes. Com o caso Cesare Battisti, a cantilena voltou a ser repetida, dessa vez se perguntando os eruditos: por que o Brasil negou asilo aos cubanos, "devolvendo-os" para a ilha de Fidel, e concedeu ao italiano? Para os sábios, mostra inequívoca do caráter vermelho do governo Lula, que é conivente com o regime castrista e protege "terroristas" como Battisti.

Mas vi no blogue do Mello  um vídeo que mostra uma reportagem - excelente, por sinal - do repórter Bruno Laurence, para o Esporte Espetacular, da Rede Globo. Nela, o pugilista diz que não pediu asilo ao governo brasileiro e que se encontrou com o presidente Lula. o ex-metalúrgico perguntou se ele queria permanecer no Brasil e se dispôs a ajudá-lo como pudesse. O lutador quis voltar para Cuba. Ou seja, o hoje refugiado cubano em Miami, sem qualquer amarra ou pressão, desmentiu todos aqueles que quiseram atribuir ao governo uma suposta má-vontade com refugiados políticos (como este estafeta serrista aqui). Quem quiser ver o vídeo inteiro, está abaixo.



4 comentários:

Marcão disse...

Cronologia publicada pelo Estadão:


SÃO PAULO - Em 12 de julho de 2007, acontece a primeira baixa na delegação cubana. O jogador de handebol Rafael Capote abandona a Vila pan-americana. Vai de táxi até São Caetano do Sul.

Em 14 de julho, o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas também abandona a delegação de Cuba nos Jogos pan-americanos.

Em 21 de julho, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara somem da Vila do Pan e, no dia seguinte não aparecem para a pesagem. É anunciada a deserção.

Em 24 de julho, em texto publicado no Granma, jornal do Partido Comunista de Cuba, Lula admite tristeza e indignação. No Brasil, governo não comenta desaparecimento e aguarda pedidos de asilo.

Em 26 de julho, os boxeadores assinam contrato de cinco anos com a cadeia de TV a cabo alemã Arena TV e se juntam a três outros cubanos que tinham desertado em dezembro.

Em 29 de julho, antes do encerramento dos jogos, a maior parte dos cubanos, 242 ao todo, antecipa a volta para casa a mando de Cuba.

Em 31 de julho, Cuba confisca bens e outros objetos dados a familiares dos pugilistas como prêmio por seus bons resultados. Esperados na Alemanha, boxeadores estariam desaparecidos.

Em 2 de agosto, Rigondeaux e Lara são presos em Araruama, no Rio, e entregues à Polícia Federal por estarem com o visto vencido e sem passaporte, segundo a polícia.

Em 3 de agosto, os boxeadores prestam depoimento à PF e ficam sob liberdade vigiada em hotel. Segundo a polícia, eles queriam voltar para Cuba.

Em 4 de agosto, voltam à ilha. Ainda segundo a polícia, eles recusaram pedido de refúgio. Fidel promete não prendê-los. PF abre inquérito.

Em 5 de agosto, Fidel publica artigo no Granma dizendo que os dois desonraram a equipe nacional e não poderão mais representar Cuba em nenhum evento internacional, incluindo a Olimpíada de 2008.

Em 6 de agosto, Ahmert Ömer, da Arena Box, que contratara os dois cubanos diz que Fidel ficou muito bravo e, por conta das dificuldades, desiste de contrato com pugilistas.

Em 7 de agosto, o Ministério da Justiça divulga um comunicado oficial dizendo que os cubanos voltaram ao seu país porque quiseram e que toda a ação correu dentro da lei.

Em 9 de agosto, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou convite ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para explicar os motivos da "localização, captura e rápida deportação" dos dois atletas.

Maurício disse...

Muito boa mesmo a reportagem.

Mohammad Severino disse...

E será que o embargo imposto pelos EUA não tem nada, mas absolutamente nada a ver com os problemas vividos pelo povo cubano e relatados pelo boxeador?

Anselmo disse...

que bom que de vez em quando se faça jornalismo.