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segunda-feira, março 15, 2010

Da elite nacional à A3 paulista

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Ontem, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, o Guarani foi derrotado pelo Votoraty por 1x0, pela 17ª rodada do Campeonato Paulista da Série A2. O resultado elimina, matematicamente, o Bugre da competição. E pior: deixa o time perto, mas bem perto mesmo, da zona de rebaixamento para a A3.

O Guarani hoje é o 16º colocado. Supera o Rio Preto, o melhor entre os times da zona do rebaixamento, apenas no saldo de gols. Não pode ficar mais entre os oito times que irão para as semifinais do campeonato, que determinarão os quatro que jogarão a elite do ano que vem.

A situação seria apenas "triste", por marcar o mau momento de um time tradicional; mas passa a ser bizarra se pensarmos que a partir de maio o Guarani será um dos 20 times do Campeonato Brasileiro da primeira divisão.

Poderemos ter situações bizarras a partir daí. Botando a imaginação pra voar: imaginem se o Bugre é efetivamente rebaixado para a terceira divisão paulista mas, antes do início do Nacional, consegue montar um time mágico que o coloca entre os melhores do Brasileirão - teríamos um time em 2011 jogando a Libertadores da América e o Campeonato Paulista da Série A3!


Mas é mais provável que vejamos o Bugre se safar na A2 (o que, de qualquer maneira, já seria um vexame) e apanhar feio no Brasileiro. Talvez o recorde do América-RN de 2007 seja batido.

Os próximos duelos do Guarani serão contra Pão de Açúcar, União Barbarense e Catanduvense.

Na outra ponta da tabela, União São João, Pão de Açúcar e Linense já estão garantidos nas semifinais. As vagas restantes serão disputadas por Noroeste, Guaratinguetá, São Bernardo, Votoraty, América, São Bento, São José e União Barbarense.

4 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Caro Olavo: moro em Campinas e sou bugrino de quatro costado. Posso dizer com conhecimento de causa: o Guarani NÃO conseguirá montar um "time mágico" para disputar o Brasileiro. A dívida do clube ultrapassa os 90 milhões de reais. O estádio Brinco de Ouro foi colocado à venda há mais de dois anos e, desde então, aguardamos a sua demolição como quem aguarda a morte de um parente canceroso que agoniza no leito do hospital. Não há salvação possível. O Guarani SERÁ rebaixado no Brasileiro e corre o risco de ser fazer história na competição: será, muito possivelmente, o maior saco de pancadas do campeonato. Em todos os tempos. Triste...

Marcão disse...

E o "glorioso" Clube Atlético Taquaritinga? Perdeu em casa no domingo para a Catanduvense, por 2 a 1, e está 18ª colocação, quatro pontos atrás do Guarani. Dessa vez ninguém segura: caiu!

Anselmo disse...

favorito ao rebaixamento é engraçado.

Guilherme Scalzilli disse...

Sim, mas quem matou?

Prezado Paulo Vinicius Coelho,

Seu artigo “Morreu!” (Folha, 7 de março) lamenta a degradação institucional que corrói o futebol brasileiro e defende que a revitalização comece pelas competições regionais. Como sempre, a análise é exata e pertinente. Mas seria interessante enriquecer o debate com uma avaliação das responsabilidades da imprensa esportiva na formação desse contexto.
A decadência dos times interioranos é fenômeno recente. Nas décadas de 70 e 80, alguns deles participavam da elite do futebol nacional. Podemos discutir os variados motivos que levaram à sua ruína, mas parece incontroverso que a tendência foi acompanhada por uma proporcional valorização dos clubes das capitais. Festejados por sua suposta “grandeza”, atraíram mais recursos públicos e privados, centralizaram os talentos individuais, monopolizaram títulos, conquistaram torcedores dos rincões. Faça viciosas as virtudes de tal enredo, invertendo suas conseqüências, e surgirá um roteiro da trajetória dos chamados “pequenos”. Ora, nada mais natural que o privilégio de uma elite conduza à penúria generalizada da grande maioria.
Acontece que a mídia participou desse processo. Não apenas fazendo apologias bairristas e fabricando favoritismos, mas também, e principalmente, fingindo ignorar os prejuízos sofridos pelos clubes menos poderosos (erros de arbitragem, derrotas em tribunais, descaso da CBF e do Clube dos 13, etc). E não estou falando de comportamentos antigos. Um exemplo atual: como é possível que a crônica esportiva tolere a distribuição desigual de cotas financeiras entre os participantes da mesma competição (e ainda comemore a “justiça” do resultado!)?
O fim dos estaduais e outras medidas apressadas serviriam apenas como paliativos, na melhor das hipóteses, se a raiz das desigualdades continuar intocada. O enfraquecimento dos times “pequenos” parece um mero sintoma, enquanto na verdade é a causa do problema.
Receba um grande abraço deste admirador...