Destaques

sexta-feira, março 26, 2010

Tudo desculpa pra beber

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No livro "1808", de Laurentino Gomes (Editora Planeta, 2007), que narra a vinda e a permanência de Dom João VI por 13 anos no Brasil, uma descrição interessante das condições de viagem de navio da Europa até aqui, pelo Oceano Atlântico, há 200 anos:

A dieta de bordo era composta de biscoitos, lentilha, azeite, repolho azedo e carne salgada de porco ou bacalhau. No calor sufocante das zonas tropicais, ratos, baratas e camundongos infestavam os depósitos de mantimentos. A água apodrecia logo, contaminada por bactérias e fungos. Por isso, a bebida regular nos navios britânicos era a cerveja. Nos portugueses, espanhóis e franceses, bebia-se vinho.

Taí, já dá pra entender o que impulsionou as navegações...

quinta-feira, março 25, 2010

As desculpas pelo bloqueio da poupança ou como Covas salvou Serra de ser ministro de Collor

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Cristina Gallo/Agência Senado
O senador por Alagoas e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello parece hoje aquele veterano que joga mais leve e solto quando não tem a responsabilidade de atuar em uma equipe grande. Depois do período de "quarentena forçada", já que teve seus direitos políticos suspensos por oito anos, o parlamentar, em várias entrevistas, conta detalhes do passado (claro, sua versão dos fatos) e ataca antigos aliados e outros supostos colegas que negam tal condição. Em entrevista concedida aos jornalistas Cezar Motta e Adriano Faria, da Agência Senado, ele descreve episódios interessantes para quem se interessa pela história política do Brasil. Alguns episódios conhecidos, outros, reveladoras. Abaixo, alguns trechos:

Bloqueio da poupança

Eu nunca afirmei isso [que não iria mexer na caderneta de poupança]. Ao contrário, em um dos debates eu disse que o meu adversário é que iria confiscar as poupanças, justamente para evitar que a pergunta me fosse feita. O fato é que, quando todos da minha equipe viram que as contas correntes e a poupança receberam enormes aportes, concluímos que não bastava bloquear os títulos, não seria suficiente. E posso garantir que todos os candidatos tinham a mesma intenção. O PT, o PMDB. Tanto é verdade que, dois dias depois, economistas e políticos do PT paulista, alguns ex-colegas da ministra Zélia na Universidade de São Paulo (USP), a procuraram e disseram: "Era este exatamente o programa que queríamos aplicar. Só que, no nosso caso, o governo cairia no dia seguinte".

(Acima, Collor mostra seu senso de raposa política. Confessa ter posto Lula na parede para não ter que assumir que poderia mexer na poupança. Ou seja, acuse antes de ser acusado)

Fracasso do plano

Não, a população não sabotou. Ao contrário, uma pesquisa logo depois do plano mostrou que tínhamos 67% de aprovação. Erramos em uma série de pequenas coisas, que se tornaram grandes. Por exemplo, na administração da liberação do dinheiro no que chamávamos de "torneiras". Todo dia nos deparávamos com uma surpresa. Nossas reservas cambiais eram atacadas no mercado, e nós precisávamos delas. Muitas frentes estavam abertas, mas a grande resistência veio da Avenida Paulista, como disse, dos grandes industriais e empresários brasileiros, que não gostaram de perder suas reservas de mercado. Em nenhum momento tivemos problemas com sindicatos de trabalhadores ou partidos de oposição, embora o PT já fosse uma oposição forte e ativa. 

Quem sabotou foram os que queriam manter privilégios, aumentar preços e tarifas, a burocracia, os que se envolviam com a Cacex (Câmara de Comércio Exterior do Banco do Brasil, que estabelecia tarifas de importação e exportação). Enfim, era a mesma gente que me apoiou no segundo turno, que defendia a medidas que adotei. Mas logo percebi que defendiam as medidas em relação ao vizinho, mas não aceitavam que fossem adotadas em relação a eles próprios. Tanto que, quando o então presidente da CUT, Jair Meneguelli, foi ao Palácio falar sobre greves e movimentos contra o plano, eu lhe disse: "Não se preocupe, porque vocês, os trabalhadores, não desestabilizam o governo, mesmo com greves. Quem está realmente causando problemas são os seus patrões, os industriais".

(No trecho, Collor tenta se fazer de vítima da elite, discurso comprado por parte de seus ex-eleitores. A outra parte jura de pés juntos que votou nulo ou no Lula no segundo turno de 89... E sobre o apoio ao Plano, é fato. Muita gente não se indignou e, embora possa até ter ficado chateada por ter seu dinheiro bloqueado, só se mexeu de fato quando o Plano começava a fazer água.)

Delfim Netto

Recentemente, por exemplo, o Delfim Netto disse que não foi consultado na época do plano por ninguém da equipe. Realmente, ninguém da equipe o procurou, mas ele esteve comigo. Ele desmente e diz que, convenientemente, escolho só testemunhas já mortas. Mas há as esposas que estavam presentes. Este encontro foi na casa do ex-deputado Amaral Neto, e a d. Ângela, mulher dele, estava lá, um final de tarde, com o então deputado Ricardo Fiúza e o senador Roberto Campos. Eu os consultei sobre a situação da economia, e todos foram unânimes: com essa liquidez, nenhum plano anti-inflação dará certo. Disseram que seria decisiva a escolha do presidente do Banco Central. Era preciso um nome capaz, que o mercado respeitasse. Eu mencionei alguns nomes, e quando citei Ibrahim Eris, Delfim vibrou: "extraordinário nome, extraordinário nome, perfeito!". Já Roberto Campos não gostou: "Esse não pode, Delfim, é um fiscalista, seria um erro".

Logo depois, o Delfim foi ao Planalto, lépido e fagueiro, com aquele cabelo sempre bem penteado, bem barbeado, sorridente, e disse: "genial presidente, genial!! Nem eu com o AI-5 teria condições de fazer isso. Parabéns!" Hoje ele nega o encontro. Mas houve, e dou mais um detalhe da conversa. Ele me perguntou: "Mas esse dinheiro não vai ser devolvido, não é?" E eu respondi: "Sim, vai ser devolvido e com juros". Ele riu e duvidou: "Ah, mas isso eu quero estar vivo pra assistir".Pois o dinheiro foi devolvido e Deus permitiu a ele estar vivo para testemunhar. Ele desmente o encontro, mas explicou que apenas propôs o pagamento em títulos. Ou seja, sem querer, confirmou.


(Delfim que se explique, "nem no AI-5"...)

Acordo com o PSDB


Fechamos o acordo com o presidente do PSDB, o então deputado Franco Montoro, o partido nos apoiaria no Congresso, o Fernando Henrique seria chanceler e o José Serra seria o ministro da Fazenda. Viajei com tudo acertado, e quando voltei soube que o senador Mário Covas havia vetado tudo, anulado o acordo.

(Se o PSDB chegou à presidência, deve ao falecido Covas. Se dependesse dos luminares tucanos...)

Galo, 102

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Sou daqueles que ainda são capazes de chorar com o hino.

que acaba casamento em dia de rebaixamento.

que fica irracional em frente à TV.

que xinga juízes e bandeirinhas.

que é totalmente parcial no futebol.

que não usa a cor do adversário em dia de jogo.

que reclama até hoje do Arnaldo, do Wright...

que lembra do braço erguido de Reinaldo.

que viu 1 milhão de vezes o gol de Dario.

que é torcedor do Clube Atlético Mineiro

uma vez até morrer....


Galo, 102 anos. hoje.
.
(Clique aqui e leia a excelente série sobre os 100 anos do Atlético-MG)

Cerva da pesada

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Em evento hoje no Retro Pub, em São Bernardo, no ABC paulista, será lançada a cerveja Sepultura Weissbier (à direita), produzida pela microcervejaria Fábrica do Chopp, de São Paulo. O lançamento da bebida de trigo do tipo Bavária, "com aroma frutado de cravo e maçã" (segundo a divulgação), serve como marco dos 25 anos da banda Sepultura, ícone do heavy metal, completados em 2009. Os integrantes prometem comparecer ao evento. O guitarrista e sãopaulino Andreas Kisser (à esquerda), 41 anos, é de São Bernardo.

quarta-feira, março 24, 2010

Empate com o Rio Branco é eliminação digna da campanha

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Em novo confronto com um lanterna do campeonato, o Palmeiras passou apuro e só empatou por 2 a 2. Com o Rio Branco, em Araraquara, o alviverde saiu na frente mas, em menos de cinco minutos tomou a virada. Com o empate, as chances matemáticas de o time paulistano se classificar no estadual devem se esvair com os outros jogos da rodada.

Como assim empatar com o lanterna?

Um resultado ruim não foi exatamente uma novidade, bem como a dificuldade. O Verdão jogou três partidas contra equipes que respondiam, nas respectivas rodadas, pela lanterna. Primeiro, uma derrota para outro time de nome ribeirinho – o Rio Claro. A chuva atrapalhou, no revés simples. Depois, contra o Sertãozinho, uma luta para vencer por 3 a 2. Desta vez, novamente dois gols sofridos, mas apenas dois marcados.

As chances de avançar eram mínimas, quase inexistentes. Agora, é olhar para o que vem a seguir e repensar a trajetória do Palmeiras no campeonato, que teve troca de técnico e pouca definição sobre o futuro do time na temporada.

Chamou atenção, no jogo, que seis jogadores do Rio Branco tomaram cartões amarelos e Maurim ainda foi expulso. É bastante. O Palmeiras levou menos advertências, mas Diego Souza, Eduardo e Pierre não precisariam de tanta sede ao pote nos lances em que os cartões foram distribuídos.



Diego Souza abriu o placar, em passe de Cleiton Xavier, aos 17. Depois, aos 20 e aos 23, Alex Terra e Romarinho, ambos em passes do atacante Francisco Alex, garantiram a virada. O quarto gol da partida e segundo do Palmeiras veio de Ewerthon.

Eu que iria criticar a escalação de dois volantes – Pierre e Márcio Araújo – diante do lanterna concordei que, com um sistema defensivo desarticulado complica a vida de qualquer treinador. A proposta de jogo foi ofensiva, foram criadas chances, mas ainda tem coisa fora do prumo.

Até o fim da primeira etapa, foram criadas chances de gol, mas nada de alterar o placar. Com Lincoln no lugar do lateral Eduardo, mais chances, mas o passe para construir jogadas ainda não funcionam tão bem.

A hora é de pensar na Copa do Brasil, fazer o quê?

Uma das minhas preocupações é que o governador de São Paulo José Serra (PSDB) é pré-candidato à Presidência da República. Isso quer dizer que em alguns dias ele anuncia a desincompatibilização. O temor nada tem a ver com eleição. É que, como é semana santa, ele deve fazer isso até terça, talvez quarta-feira. Justamente o dia do jogo de volta contra o Paysandu. Vai que ele resolve ir ao estádio, palco de uma crise sem explicação do alviverde? A última vez em que deram ideia de ele ir ao jogo não foi legal.