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segunda-feira, julho 03, 2006

Memória da Copa (10ª e última edição)

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Sensação de déjá vu

Soberba não é novidade na comissão técnica da seleção brasileira. Ao afirmar displiscentemente que Zidane não precisava de marcação individual no jogo do último sábado, Carlos Alberto Parreira mostrou o caminho das pedras para os franceses destruírem o sonho do hexa. Mas subestimar o adversário não é primazia dele. Seu fiel escudeiro Zagallo fez o mesmo, há 32 anos. Curiosamente, no mesmo país. E o resultado foi igual.

O Brasil que chegou à Copa da Alemanha, em 1974, era um time bem diferente do que havia conquistado o tricampeonato no México. Basta dizer que Pelé havia se despedido da seleção. Depois de um início claudicante, com dois empates sem gols contra Iugoslávia e Escócia, o Brasil passou para a fase seguinte com uma vitória de 3 x 0 sobre a fraca equipe do Zaire.

Na época, as quartas-de-final tradicionais foram substituídas por dois grupos de quatro equipes cada, denominados A e B. Nos dois primeiros jogos do grupo A, o Brasil deu os primeiros sinais de vida ao vencer a Alemanha Oriental por 1 x 0, em 26 de junho, e a Argentina por 2 x 1, quatro dias depois. Mas o terceiro jogo seria contra a surpreendente seleção da Holanda.

Comandado por Rinus Michels, o chamado "carrossel holandês" primava por contar com jogadores que não guardavam posição fixa em campo. Todos atacavam, armavam e defendiam, num revezamento constante que confundia os adversários. O maestro era Johan Cruijff, todas as bolas passavam por seu pé (mais ou menos a postura adotada por Zidane no último sábado).

Às vésperas do confronto, Zagallo tripudiou: "Não estamos preocupados com a Holanda, já estamos pensando na final contra a Alemanha. Carrossel laranja? Nós vamos fazer uma laranjada!". Mas não foi o que aconteceu naquele 3 de julho, há exatamente 32 anos.

Assim como na derrota do último sábado, o Brasil começou o jogo em cima do adversário. Poderia ter chegado ao gol antes dos 15 minutos do primeiro tempo, após dois ou três lances de contra-ataque. Daí, veio o apagão. A Holanda, pelo contrário, sempre inspirada no futebol de Cruijff, chegou com méritos aos 2 x 0 que despacharam o Brasil da Copa. E nós, infelizmente, ainda tivemos que engolir o Zagallo em outros três mundiais e uma Olimpíada...

Brasil 0 x 2 Holanda
3 de julho de 1974

Brasil: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Perez, Marinho Chagas; Paulo César Carpeggiani, Rivelino, Paulo César (Mirandinha); Valdomiro, Jairzinho, Dirceu. Técnico: Zagallo.
Holanda: Jongbloed; Suurbier, Krol, Rijsbergen, Haan; Jansen, Van Hanegen, Neeskens (Israel); Rep, Cruyff, Rensenbrink (De Jong). Técnico: Rinus Michels.

Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha Ocidental)
Local: Westfalenstadion (Dortmund)
Expulsão: Luís Pereira
Gols: Neeskens (50) e Cruyff (65)

2 comentários:

Olavo disse...

Ó, uma coisa precisa ser dita: já vi duas declarações de ex-jogadores que estavam na Copa de 74 (não lembro dos nomes) dizendo que esse papo do desprezo do Zagallo à Holanda foi só pra imprensa, e que os jogadores sabiam sim como os holandeses jogavam, tendo até analisado tapes e coisas afins.

Glauco disse...

O Zagallo mesmo confessou que teria feito isso só pra motivar os jogadores.