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quinta-feira, julho 12, 2007

Vitória do proletariado

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Fim de mais um dia estafante na redação. O frio de São Paulo é aquele típico que pede um destilado, não para ser tomaado em bar, mas apenas uma ou duas doses para auxiliar o sono e preparar para o dia seguinte. Jornalista é a terceira carreira mais estressante do mundo, segundo pesquisa mais ou menos recente da Organização Mundial de Saúde, perdendo para médico e mineiro. E já diria o poeta que sem uma cachaça ninguém segura esse rojão.

Saindo do trabalho, os dois manguaças iam até o supermercado que vendia o destilado talhado para temperaturas baixas a preços módicos. Mas calcularam mal. O estabelecimento fechava às 21h. Já eram 21h03. As portas já baixavam. A moça tenta argumentar com o segurança:

- Posso entrar rapidinho? É só pra comprar uma coisinha.

- Não posso permitir. O supermercado está fechado - responde o impávido armário.

- Mas não tem jeito mesmo, amigo? - insiste o outro, talvez sugerindo um suborno.

- Não tem mesmo. Se eu deixo vocês entraram, o fiscal me ferra.

Desilusão. Nisso, chega um homem de terno e gravata empurrando um carrinho pra dentro do mercado. O segurança, talvez tocado pela pena ante o desalento na expressão dos pseudo-clientes, aponta para ele e recomenda:

- Se ele deixar, tudo bem.

Mas o gerente não dá tempo para argumentação.

- Não pode. O supermercado fechou.

Seguiram-se os mesmos pedidos, singelos, sentidos, até o homem se convencer e se solidarizar com a agonia daqueles que imploravam.

- Está bem, pego pra vocês, levo até o caixa e vocês entram pelo outro lado pra pagar. O que vocês querem?

E a moça, prontamente:

- Duas garrafas de Domecq.

O gerente olha torto.

- Mas vocês disseram que era uma coisa só.

- É, mas são dois da mesma coisa .

São 21h14 quando os manguaças conseguem passar pelo caixa. Cada uma vai para sua casa, com a certeza de que o frio daquela noite não lhes vai invadir a alma. Mais uma vitória do proletariado.

4 comentários:

Edu Maretti disse...

a revolução traça caminhos nunca dantes imaginados.

Sr. Vizzatti disse...

O que o frio e a sede pelo "nécta" não faz.
Quando eu era uma adolescente, andava em grupos e bebia de tudo passei por uma situação parecida.
Eu estava indo para um show de rock, a pé com mais uma dúzia de amigos e uma única garrafa de Menta, todos duros e lesos. Na metade do caminho restava apenas meia garrafa da bendita menta, paramos então em um posto de Gasolina, alguém teve a brilhante idéia de completar a meia garrafa de Menta com álcool automotivo. Foi muito dificíl convencer o frentista a fazer isso, mas depois de muitos argumentos conseguimos.
Por que esse impasse por parte dos comerciantes, cadê aquele velho pensamento que diz "o fregês tem sempre razão"?

Anônimo disse...

sr. ou sra. vizzatti, sorte sua ter sobrevivido a essa façanha!!! manguaça, tudo bem, mas menta com álcool automotivo é duro de engolir!!!

Anônimo disse...

olha só, não sabia, o mineiro é o segundo mais estressado... deve ser por isso que desenvolveu tanto a arte da cachaça. eles até que parecem calmos.