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segunda-feira, abril 13, 2009

Sobre "planejamento e profissionalismo"

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Andei um pouco sumido nas últimas semanas por conta de merecidas férias. Acompanhei à distância o que aconteceu no mundo do futebol, e por isso deixo a reta final do Paulistão por conta dos outros futepoquenses - o que posso falar, por ora, é que festejo a vitória do meu time sobre o Palmeiras e também o fato das semis do Estadual reunirem os quatro grandes. Claro que é legal ver uma ou outra zebra pintando, mas já era hora do Paulistão ter uma final entre dois de seus maiores clubes, o que não ocorre desde 2003.

Gostaria de chamar a atenção para outro assunto, falado en passant aqui no Futepoca e em outros lugares da mídia esportiva. Refiro-me à queda do Guaratinguetá. Juntamente com Marília, Guarani e Noroeste, o clube do Vale do Paraíba ficou entre os piores do Campeonato Paulista e jogará a A2 no ano que vem.



A queda de um time pequeno seria algo a ser considerado banal não fosse o 2008 do Guaratinguetá. No Paulistão do ano passado, o jovem clube terminou a primeira fase na liderança (à frente de todos os grandes) e sucumbiu perante à Ponte Preta nas semifinais. Talvez, se superasse a Macaca, engrossaria a rapadura alviverde de maneira mais concreta do que fez o time do coração de Luciano do Valle.

E a excelente campanha do ano passado levou os olhos da imprensa esportiva ao Guaratinguetá. Todos queriam saber o segredo do pequeno e novo clube. Como aquele humilde time conseguia superar os interioranos mais tradicionais e até mesmo os gigantes do futebol estadual e terminar o Paulistão nas cabeças?

Tal indagação fez dos dirigentes do Guaratinguetá figurinhas carimbadas nos programas esportivos. Respondendo a perguntas que mais soavam como um repertório de puxa-saquismos, os cartolas valeparaibanos falavam obviedades como "fazemos um trabalho bem feito", "pagamos salários em dia", "aqui o compromisso é respeitado" e por aí vai. Os jornalistas adulavam os dirigentes e repetiam de maneira incontrolada que o Guará era um exemplo a ser seguido, que a receita estava disponível a todos, bastava seguir, e etc...

Pois bem, quando chegar 2010 o Guaratinguetá estará jogando a segundona estadual. Deve ter havido algum motivo plausível para a queda - nenhum time vai de líder a rebaixado de um ano para o outro sem uma explicação coerente. Agradeço se alguém souber.

Mas, para mim, a principal lição que fica da queda do Guará vai para a imprensa esportiva: na hora de elogiar "planejamento e profissionalismo" de um time, aguardem uns dois ou três anos pra saber se a coisa realmente é boa ou foi fogo de palha. Só assim pra se ter certeza da "continuidade de um trabalho", pra reforçar outro chavão da área que tanto se gosta de dizer.

11 comentários:

Maurício disse...

Ou pelo menos fazer jornalismo e ir mesmo a Guaratinguetá saber o que estava acontecendo ali, não é mesmo? Agora é assim, se um time ganha é resultado de planejamento e profissionalismo, mas nem pararam pra analisar os fatos.

Num campeonato que tem muito de amador, dos cartolas aos jornalistas que fazem a cobertura, é de se esperar que outras possam ser as razões de uma boa campanha.

Muito bom retorno, Olavo. Um abraço.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

O que me impressiona é a quantidade de clubes sem qualquer tradição, de uma hora pra outra, "chegando lá" - ou quase lá - num ano para no outro simplesmente sumirem, de volta ao limbo de anos e anos...

Alguns clubes - como o São Caetano ou o Malutron - surgem, chegam até finais de campeonatos relevantes e depois voltam ao seu obscuro cantinho - o São Caetano ao menos se mantém no intermediário - enquanto clubes tradicionais, com torcida de verdade, definham.

Dá dó ver um América do Rio na segunda, ou a Lusa do Rio ou mesmo o Guaraní numa segunda divisão enquanto times inexpressivos - seja por bom patrocínio momentâneo, viradas de mesa, falcatruas, euricadas ou um planejamento bom só pra vender jogadores - conseguem aparecer, como o descartável Duque de Caxias no Rio ou há um tempo atrás o Paulista de Jundiaí que foi Etti e mais uma meia dúzia de nomes...

Em nome da venda de jogadores, de conseguir uma graninha extra, aparecer na globo ou coisa do tipo investidores correm um ou dois anos atrás de algum time qualquer ou fundam o seu e pronto .Enriquecem, vendem jogadores e depois deixam o clube à mingua, sumindo aos poucos...

E o Santa Cruz vai à quarta divisão, os XV de Jaú, Piracicaba e etc somem, o Guaraní cai e por aí vai...

Lamentável esse país.

tsavkko.blogspot.com

Victor disse...

Guará: os bastidores da queda de um clube empresa

Glauco disse...

Três treinadores em um campeonato de dois meses e meio explica muita coisa....

Mas a entrevista do presidente do Guaratinguetá indicada pelo Victor chega até a ser tocante. "Condições de trabalho. Faltou fome. Tiveram tudo do bom e do melhor. Não há planejamento capaz de prever a falta de empenho, a falta de luta, de dar um pouco mais.Amor à camisa não se compra."

Marcão disse...

Eu li uma matéria interessante comparando Guarani e Guaratinguetá, dois dos rebaixados. Ambos apostaram em "medalhões" que já deveriam ter pendurando as chuteiras há algum tempo: Amoroso voltou ao Bugre como uma espécie de "messias" e Guaratinguetá parou para receber o ex-jogador em atividade Luizão. Os clubes gastaram dinheiro com essas contratações, colocaram os treinadores na situação desconfortável de relacioná-los para os jogos, para não frustrar a torcida, criaram "panelinhas" e contrariaram todo e qualquer planejamento. Claro que não foi só isso, mas é sintomático que a ex-dupla de Guarani e São Paulo tenha afundado com dois dos quatro rebaixados.

Glauco disse...

Mas o Amoroso mal jogou pelo Guarani, já chegou lesionado. O time é ruim mesmo.

olavo disse...

Sei lá, acho meio comodismo do presidente falar que "faltou fome". É uma explicação muito simplista, até populista.

Glauco disse...

Acho que ele quis dizer "fome de bola"...

olavo disse...

Sim, sim. Eu entendi isso. Mas reafirmo o que disse, não deixa de ser uma explicação fraca.

Bruno disse...

Um clube que trocou de técnico três vezes durante o campeonato e teve o seu elenco semifinalista da A-1 alterado consideravelmente para a Série C do Brasileiro indicam que não foi seguido o planejamento que surtisse resultado. Um elenco tecnicamente inferior ao ano passado e um trabalho feito pelo Argel no início do Paulistão que não foi o ideal são pontos que podem ajudar a entender o "planejamento" do Guaratinguetá.

Agora, a respeito do comentário de um colega, somente discordo em relação ao Paulista de Jundiaí. Por mais que tenha passado por algumas mudanças de administração e até de nome, é um time tradicional do futebol paulista e que está na A-1 há certo tempo e jogou a Primeira Divisão em outras duas ocasiões. Os outros times, podemos questionar sim a tradição.

Claudio Yida Jr disse...

Esse ano foi o Barueri e a história de dois técnicos, que não duraram quase nada...