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terça-feira, junho 01, 2010

Quando a cerveja é boa, o público responde

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Desde muito tempo aproveito o espaço deste blogue para lamentar a péssima qualidade das marcas brasileiras de cerveja mais consumidas, especificamente do tipo pilsen. Nosso primeiro teste cego comprovou isso, pondo Antarctica, Bohemia, Original, Brahma, Kaiser e Itaipava pra baixo da 5ª colocação entre 11 degustadas (e a Skol só se deu bem porque foi a última a ser provada, quando ninguém mais sentia gosto de nada). Para os bebuns veteranos, como eu, nenhuma delas tem o gosto, a aparência, a densidade e o cheiro de cerveja que sentíamos em algumas dessas mesmas marcas há mais de 20 anos. E, coincidentemente, a queda na qualidade abriu mercado para as cervejas artesanais e importadas - que são mais caras, óbvio. Seria intencional?

Pois então, já há alguns anos tenho visto a tal cerveja Devassa nos supermercados, marca classificada em 4º lugar em outro teste cego do Futepoca, com artesanais. Mas, sei lá por que razão, nunca me animei a comprar. E meu desinteresse aumentou depois que a marca foi vendida ao grupo Schincariol, que produz temeridades como a Nova Schin e a Cintra. Porém, fui almoçar outro dia com os colegas de trabalho num buteco que batizamos carinhosamente de "Porquinho" e, na hora de pedir cerveja, a atendente sugeriu Devassa (em lata). Como ninguém ali havia provado, concordamos. Surpresa: ela tem o tal amarguinho, a tal densidade, o tal cheiro de cerveja. Bem parecidos com o da minha pilsen preferida, a boliviana Paceña, já elogiada aqui num post e bem recebida por alguns futepoquenses quando socializei uma remessa "clandestina".

E surpresa ainda mais agradável tive no último domingo quando, perambulando por Ipanema, no Rio de Janeiro, fui convidado pela namorada Patricia a conhecer a choperia Devassa, que oferece quatro tipos de chope/cerveja, Loura, Ruiva, Sarará e Negra. Ela opinou que a Ruiva era melhor, mas já tinha acabado. Pedi uma Negra e ela, uma Sarará. Provei das duas e repeti o bordão criado pelo Carlos Imperial nos julgamentos das escolas de samba cariocas: "-Dez, nota dez!". Coincidentemente, no dia seguinte, vi na Folha a matéria "Devassa muda o perfil da Schincariol", informando que a marca conseguiu se colocar em 15 mil bares e restaurantes no eixo Rio-São Paulo, ou 20% do total do mercado. "Bares e restaurantes respondem por 65% das vendas totais no Sudeste. Nos supermercados, responsáveis por 35% das vendas, a marca obteve penetração de 95%", acrescentava o texto. Pois é: se tem qualidade, o povo responde. E a família agradece!

8 comentários:

Fabricio disse...

Se eu for com a minha "patroa" e pedir qualquer uma que não seja a Loura, vai ter briga.

As outras terei de experimentar na clandestinidade.

Marcio-SJP disse...

Pô! Acho que dei azar, semana passada...sexta a tarde, estava embarcando de Guarulhos para Curitiba e no saguão de embarque tem uma "loja" ou Choperia como queiram da Devassa...
Resultado:
1) Só tinha a versão loira em lata;
2) Veio quente;
3) Por estar quente, sabor horrivel;
4) Forcei a barra e tomei duas;
5) a Conta R$ 14,40 ou uma bagatela de R$ 7,20 por lata quente.

Quem sabe na próxima!

Smeg disse...

Confesso que expermentei a Devassa em lata e não me surpreendeu. Ainda acho que a Heinekien e a Serra Malte são as melhores cervejas dessas de preço mais baixo, com a Heinekien em primeiro lugar.

Marcão disse...

Então Smeg, é exatamente por isso que nem sequer cito a Heineken e a Serra Malte no post: ambas são do tipo lager, enquanto a Devassa Bem Loura é pilsen, assim como a Brahma, Skol, Antarctica, Itaipava, Nova Schin e Kaiser. Eu também prefiro as lager (principalmente a Heineken), mas, se a pedida for pilsen, prefiro a Paceña - e, a partir de agora, a Devassa.

Anselmo disse...

opa!
peraí, gente.

em lata só tem a "bem loura", que é uma versão pielsen da devassa. a "loura" da devassa antes da compra pela schincariol era uma "tropical ale". embora tivesse a mesma aparência de uma pielsen, era uma gelada de alta fermentação.

a Serra Malte é pielsen, segundo a própria ambev.

Tecnicamente, "lager" são cervejas de baixa fermentação e "ale" as de alta fermentação. Pielsen é um tipo de breja lager. Mas "Lager" é usado como forma mais curta de "pale lager".

Sobre a Devassa: foi uma aquisição da Schincariol pra tentar diversificar mercado. na mesma época, compraram a Baden Baden, de campos do jordão. mas eles nem divulgam mto isso, q é pra manter as identidades das cervejarias.

no caso da devassa, perceberam que tinha apelo (em todos os sentidos) pra disputar com original e bohemia. E a "Bem Loura" tá disputando, a custa de muito marketing, é claro...

Ocorre que a Schincariol não conseguiria inserir marca nenhuma num mercado "premium", pq a Nova Schin tem imagem bem ruim com o público que paga mais caro por uma breja "melorzinha".

não se pode cair na ideia de que a Schincariol "criou" a devassa. É que, querendo ou não, essa ideia equivocada funciona como contrapropaganda a serviço da ambev e da femsa...

Marcão disse...

Falou e disse, Anselmo. Perfeito complemento do post.

Marcão disse...

Ah, e não tem nada a ver com o post, mas vou aproveitar esse espaço de comentários pra registrar para a posteridade a versão de música do Fagner que o camarada Paulo está cantando na mesa ao lado:

- Ahhhh, coração mamado...

Victor disse...

Caros,
o choppe ruiva é show.