Destaques

segunda-feira, abril 19, 2010

Mineiro tem só dois times: Galo e Ipatinga

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Como sempre se diz, o campeonato mineiro tem apenas dois times. Neste ano, Atlético e Ipatinga foram os que restaram para fazer a final. Isso depois de o Galo ganhar a primeira partida e empatar a segunda com o Democrata de Governador Valadares e o Cruzeiro ser eliminado com um empate (em Ipatinga) e uma derrota por 3 a 1 (Mineirão).


Em relação às duas partidas decisivas, o Jogo do Galo foi muito chato. Com a vantagem do empate, Luxemburgo entrou com três zagueiros e dois volantes. Como o Democrata não saiu para o jogo, a partida ficou amarrada. As melhores chances foram do Galo, que abusou de perder gols, mas conseguiu se classificar.

Roubou e não levou
Ontem, o Cruzeiro perdeu de 3 a 1 e poderia ter levado de 6, não fosse a arbitragem. No primeiro tempo anulou um gol e deixou de marcar dois pênalties para o time do Vale do Aço. Num deles, o goleiro Fábio saiu no meio do corpo do jogador, sem bola. Um dos penais mais penais que já vi.

O juiz, aquele que já foi denunciado por trabalhar para o presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, nada marcou.

No segundo tempo, mais um impedimento errado com Alessandro sozinho na frente do goleiro. Depois vieram os gols do Ipatinga e a expulsão de um zegueiro do Cruzeiro. Mas, para compensar, o juiz expulsou dois do Ipatinga e marcou um pênalti para o Cruzeiro. Nada adiantou. Quem quiser ver os lances, clique aqui.

Santos 3 X 0 São Paulo - E os meninos engoliram os lobos

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O clássico das semifinais entre Santos e São Paulo começou quente antes mesmo do início da partida. O Tricolor mudou o time, provavelmente por conta da segunda etapa do primeiro jogo no Morumbi, quando a equipe pressionou o Peixe mas não evitou a derrota. Além de Cicinho e Richarlyson nas laterais, Ricardo Gomes sacou Washington e pôs Fernandinho ao lado de Dagoberto no ataque, enquanto Cléber Santana começou como titular.

Dorival Júnior também mexeu para evitar que o São Paulo ganhasse o meio de campo. Colocou Pará na lateral-direita, deslocou Wesley para a meia e tirou André do time. A mudança não só fez com que Wesley jogasse em uma zona do campo onde se sente mais confortável como também sanou a marcação problemática no lado direito da defesa onde Pará, limitado tecnicamente mas eficientíssimo no posicionamento, barrou as investidas tricolores.

Mas nem por isso o Santos abdicou de atacar. As principais chances do primeiro tempo foram alvinegras, sendo uma delas fruto de um primoroso passe de Neymar para Robinho, aos 5 minutos, que desperdiçou por chutar ao invés de passar. Hernanes, principal destaque do adversário no jogo anterior, não conseguia sair da marcação de Arouca e a equipe do Morumbi não chegou a ameaçar o gol peixeiro.



Já no segundo tempo, como a toada seguia a mesma, Ricardo Gomes resolveu mudar e colocou Washington no lugar de Cléber Santana aos 10 minutos. Mas foi o Alvinegro que marcou aos 15, em uma incrível sequência de passes em que a equipe fez a bola rodar pelo campo todo e, pacientemente, achou a oportunidade de gol. Marquinhos viu Neymar livre e cruzou para o atacante que, empurrado por Alex Silva, concluiu quase no chão, com o ombro ou o braço, conforme a interpretação da imagem que nem em slow motion fica clara.

O São Paulo até tentou responder aos 19, quando Washington exigiu pela primeira vez Felipe, que se saiu bem. Contudo, com a partida quase na mão, o Santos mostrou o que já tinha evidenciado na primeira etapa: a equipe tem meninos que parecem moleques peladeiros quando pegam na bola, mas que também são adultos, maduros, apesar dos céticos e dos secadores torcerem para que não fossem. Conseguiram controlar o jogo e quem parecia imaturo era o time do Morumbi, errando jogadas de forma grotesca e fazendo faltas algo desnecessárias, algo violentas.

Foi assim que aos 26 Alex Silva de novo resolveu fazer falta em Neymar dentro da área, pênalti não marcado que renderia a expulsão do defensor. E onze minutos depois, em jogada bem mais duvidosa e cavada, pênalti de Miranda em Neymar. O garoto, que não treme, chamou a responsabilidade e, com nova parada na batida, deslocou Rogério Ceni. O arqueiro desta vez não teve moral para reclamar da cobrança.

Mesmo sem Neymar e Robinho, já no banco, o Peixe conseguiu ampliar com outro jogador que tem sido muito útil quando entra. Madson fintou pela esquerda e cruzou para Paulo Henrique Ganso fazer o dele. Um 3 a 0, a terceira vitória em três clássicos contra o São Paulo, 8 a 3 no total. Será que vão dizer de novo que o adversário era fraco?

*****

Duas personalidades receberam respostas diretas e indiretas de jogadores santistas após o clássico. Primeiro foi o presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio, que disse que na primeira partida os meninos estavam “tão apavorados que quase desceram a serra” e depois em entrevista a uma rádio ainda deu seu brilhante parecer de que o Santos era “time médio ou pequeno”, ao comentar a distribuição de cotas de televisão. O cartola demonstrou não apenas despeito e desrespeito como também o desconhecimento de como funciona a distribuição dos recursos obtidos pela venda de direitos televisivos em outros países.

"O São Paulo falou demais. O Santos é grande, muito grande, e merece respeito. Faltou respeito deles. (...) O Santos chegou com méritos, jogando futebol e respeitando o São Paulo", declarou Léo, que teve a companhia de Edu Dracena nas críticas. “Ele [Juvenal] falou muito, só que tirando 20 ou 30 minutos do clássico no Morumbi, o Santos foi superior o tempo todo. Hoje, fomos superiores ao São Paulo durante os 90 minutos. O Juvenal fala o que quer, e a gente não tem que dar resposta a ele.”

Mas outra figura, até pouco tempo recebida com louros e tapete vermelho na Vila Belmiro, também mereceu resposta. Vanderlei Luxemburgo, além de ter falado equivocadamente (pra ser gentil) que lançou Neymar (que ele deixava na reserva ora de Jean, ora de Róbson) e Ganso, durante a semana foi além e resolveu secar deliberadamente o clube que o acolheu quando não conseguiria emprego em lugar nenhum. “Eu não sei se essa molecada do Santos consegue segurar a pressão. (...) Não sei se o Robinho aguenta, se o Edu Dracena, que é o capitão (sic), aguenta", disse o “gênio”.

Impressionante não apenas a análise com ares de torcida, mas a total falta de ética de colocar em dúvida os brios de dois ex-atletas seus, do Cruzeiro de 2003 e do Santos de 2004. "Não vou citar nome de ninguém. Mostramos que nosso time não tremeu, se não jogou no ano passado, esse ano jogou com o Dorival", declarou Léo, fazendo a referência ao ex-técnico santista e acertando em cheio ao não citar sequer seu nome. Ele não merece.

Rede Globo entra de vez na campanha. De Serra

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Essa eu vi hoje no Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim. Aproveitando o mote de que "o Brasil pode mais", do candidato tucano José Serra, e o conveniente aniversário de 45 anos da emissora (número do PSDB), a Globo perdeu totalmente o pudor e lançou uma inacreditável peça de "propaganda eleitoral". Reparem que eles dizem que querem "mais educação e saúde", o que não tem nada a ver com o aniversário ou com a programação televisiva:



Alguém tem dúvida sobre o chumbo grosso que virá sobre Dilma Rousseff?

Atualização às 17h50
Deu no terra: Globo decide suspender comercial acusado de ser pró-Serra

O vídeo original foi retirado, e a versão foi republicada por outros usuários do Youtube.

Caso saia do ar de novo, a transcrição do texto:

Nova idade com muito mais vontade de querer ainda mais qualidade. Emoção? Mais. Alegria a gente traz. E a diversão, vamos atrás. Mais informação, a gente é capaz. Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil, muito mais. É a sua escolha que nos satisfaz. É por você que a gente faz sempre mais.
São sete vezes a palavra "mais" em 30 segundos, além de incluir "Brasil, muito mais". Isso dá um "mais" a cada quatro segundos.

domingo, abril 18, 2010

Rita Cadillac, futebol, política e cachaça

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Na sexta-feira, 16, chegou a salas de São Paulo e Rio de Janeiro o documentário Rita Cadillac, lady do povo. Em Belo Horizonte e outras praças, foi na semana anterior. O longa de Toni ventura foi produzido em 2007, teve uma versão preliminar exibida no SBT, e agora recebeu um novo corte para ir às telonas.

Foto: Divulgação


A ex-chacrete foi a única que se manteve no universo das celebridades, como cantora e dançarina, além de algumas pontas como atriz. Ela protagonizou situações incríveis, como shows sensuais para garimpeiros de Serra Pelada na década de 1980, e para detentos do Carandiru nos 1990. Uma mulher, ou uma bunda, em meio a mil ou 50 mil homens.

Todas as resenhas a respeito destacaram a tentativa de se desmistificar ou desconstruir a personagem, mostrar Rita de Cássia Coutinho como alguém diferente de Rita Cadillac.

Toni Ventura, o diretor, conseguiu depoimentos surpreendentes e uma empatia enorme com a protagonista. O resultado são muitas histórias divertidas, algumas assustadoras, e umas poucas sobre futebol, política e cachaça.

Do ludopédio, uma envolve Edson Arantes do Nascimento. Incentivada pela travesti Rogéria, ela teve um caso com Pelé na década de 1970. "Duas noites e foi só", ela revela.

Foto: Reprodução Cartaz
Outra diz respeito ao papel de Rita em Asa Branca, um sonho brasileiro, de 1981, um longa-metragem nacional que tem Edson Celulari no papel do personagem que dá nome ao filme. O diretor Djalma Limongi Batista colocou a ex-chacrete como esposa do presidente do clube, que tem um caso com o herói do filme.

Aliás, é Limongi Batista quem define Rita Cadillac como "lady do povo", embora ela deixe claro que é mais povão do que chique.

De cachaça, valem duas menções. A primeira é a opção de Ventura por começar o documentário com cenas de Rita Cadillac preparando um almoço que parece ser uma feijoada ou alguma versão do clássico culinário nacional, em que despeja uma latinha de Bavária Classic (afe!) no cozido, pretensamente para amolecer a carne.

A segunda relaciona-se com a avó da protagonista, que a criou no Rio de Janeiro. A mãe deixou a recém-nascida com a avó paterna, depois que o pai de Rita havia morrido. A senhora Coutinho "bebia uma garrafa de uísque por dia", o que gera uma empatia imediata com qualquer leitor do Futepoca.

Outro dado sobre a avó agrada mais à ala esquerdinha do Futepoca. Rita revela que a avó era uma militante de esquerda que, durante a ditadura militar, escondia "amigos" em casa. A adolescente Rita recebia orientações expressas de não comentar sobre os visitantes barbudos com ninguém. Sem entender nada à época, só descobriu depois do que se tratava.

A outra referência à política não está no documentário. Em 2008, Rita de Cássia Coutinho candidatou-se pelo PPS em Praia Grante (SP). A candidatura não emplacou, foi uma campanha de R$ 6 mil e poucos votos. Em entrevista, ela se sentiu usada pelo PPS.

Curioso é que o ressentimento que ela demonstrou a respeito do universo político, em debate após uma pré-estreia, em São Paulo, assemelha-se à relação que ela mantém com outro evento. Ao descrever a incursão no cinema pornô, com A primeira vez de Rita Cadillac, ela narra uma experiência mais sofrida do que ela achava que seria para ganhar dinheiro suficiente para comprar um apartamento.

Nem na política, nem no cinema pornô ela pretende repetir a experiência.

sexta-feira, abril 16, 2010

Em termos de emprego, Lula e FHC é Santos e Guarani

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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) nesta quinta-feira, 15. Foi outro recorde de emprego gerado em março. Para abril, Carlos Lupi, titular da pasta, promete novo recorde.

Homem placa no centro de São Paulo anuncia vagas

O detalhe é que a partir da busca do jornalista Vitor Nuzzi pelos arquivos do acumulado de geração de empregos, temos os seguintes dados, a título de comparação entre governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso.

Recuperação econômica à parte, é bem verdade que Lula enfrentou apenas um ano – no máximo dois – de crescimento próximo de zero. Mas também é verdade que parte do cenário para que isso ocorresse tem méritos de políticas adotadas pela gestão – a maioria, políticas não macroeconômicas, registre-se.

Aos dados:

Período Saldo
de empregos
Média
anual
1995-2002 796.967 99.621
2003-2009 8.716.082 1.245.154

Sendo maldoso de um lado, arredonda-se para 8 milhões o resultado de 2003-2009. E, generosamente, facilita-se para o outro lado, inflando para 1 milhão as vagas do período 1995-2002. O resultado é: 8 para 1.

Opa! Oito a um é Santos e Guarani pela Copa do Brasil.

Com o acúmulo de 2010 de 700 mil empregos gerados, a diferença aumenta, porque somam-se 9,4 milhões de empregos. Em abril, a expectativa é de 340 mil contratações a mais do que demissões, de modo que o Brasil ultrapassaria em quatro meses todas as vagas criadas em 2009, o ano em que o país decresceu 0,2%.

E vejam que, nessa toada, mais um ou dois meses e o jogo vai ficar 10 a 1, quase a maior goleada dos Meninos da Vila até o momento, aplicada sobre o Naviraiense, também pela Copa do Brasil. Os santistas ganharam de 10 a 0, o que torna a comparação meio capenga, mas enfim.

Diferentemente de outros períodos, houve algum crescimento do salário médio de admissão. Quando há muita rotatividade, a tendência do ordenado médio é ser rebaixado, já que a pessoa sai de um lugar para ganhar menos em outro. No trimestre, aumentou 4,37% em relação a 2009. Talvez a crise tenha atrapalhado o parâmetro do ano passado.

Mas o ministro Lupi foi indiscreto na coletiva para dar seu parecer de torcedor pleno: "O maior segredo da aprovação do governo Lula é a valorização salarial. Quando a oposição descobrir isso, já terá perdido a eleição".