Destaques

sexta-feira, março 20, 2009

A criatividade da cartolagem não morreu

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Mais de seis anos se passaram depois da radical – e parece que definitiva – mudança no regulamento do Campeonato Brasileiro, que deixou de ser disputado de forma diferente a cada ano para o simples e claro pontos corridos. Mas nem por isso o torcedor deixou de ter que se acostumar com novas formas de disputa a cada ano. Afinal, os estaduais estão aí, para exercitar a criatividade dos cartolas locais.
Neste ano nenhum dos campeonatos estaduais é disputado como o Brasleiro. Isso não é um problema, claro. O problema é o excesso de inovações, que seguem.

Baiano e Capixaba
Ambos são disputados no sistema de ida e volta, quatro se classificam para as semifinais e os piores são rebaixados – na Bahia apenas um cai, no Espírito Santo são dois. Bastante razoável.

Carioca e Cearense
A lógica dos dois torneios é semelhante: dois turnos, cada um com semifinais e final. Os campeões de cada turno disputam a grande final. No Ceará não há divisão por grupos, enquanto no Rio os times são divididos em duas chaves. Não é de todo ruim, mas há quem não goste do número excessivo de jogos “decisivos”, que no fim não valem nada. Como cada turno tem um nome e um troféu específico, fica a impressão de que é assim para que vários times possam dizer que ganharam alguma coisa no ano. Ou será muita maldade?

Pernambucano
Bastante semelhante aos torneios do Rio e do Ceará. O detalhe é que, em cada um dos turnos, se duas equipes ficarem empatadas em primeiro lugar em número de pontos, haverá um jogo desempate. Aqui, os critérios de desempate servem apenas para decidir na casa de quem esse jogo acontece. Um detalhezinho para o cartola não dizer que não inovou.

Gaúcho
Segue a lógica dos três anteriores. A diferença? A taça para o campeão do primeiro turno leva o nome de Fernando Carvalho, enquanto a do segundo chama-se Fábio Koff. Homenagear cartolas dos dois principais times do estado, que ainda por cima estão vivos e atuantes em seus clubes, é muita egotrip. Qualquer outro time vai querer esconder o troféu, se conquistá-lo.

Paulista
Não é porque estamos acostumados ao regulamento que ele deixa de ser estranho. Vinte equipes (o mais inflado do país), que jogam em jogos só de ida. Quatro passam para as semifinais. Qual a dificuldade em diminuir o número de participantes para que possa haver ida e volta?

Mineiro
Em Minas, o sistema de disputa é até normal. Doze equipes, jogos só de ida, os melhores classificam e os piores caem. O que pega é que, dos doze, oito passam para a fase seguinte. Que moleza!

Catarinense
São 10 times, todos contra todos, em duas fases, ida e volta. Os campeçoes de cada fase se classificam para o quagrangular final. As outras duas equipes a avançar para a próxima fase serão aquelas com o melhor desempenho na soma das duas fases. As equipes campeãs dos turnos entram no quadrangular já com um ponto. Se a mesma equipe ganhar os dois turnos, ela chega com dois pontos de vantagem. Nessa fase são todos contra todos em jogos de ida e volta. Depois de tudo isso ainda tem as finais entre os dois melhores classificados do quadrangular. Regulamento três-em-um é isso aí.

Paranaense
Começa errado. São 15 times. Número ímpar. O que significa que a cada rodada um time ganha uma folga! Isso eu nunca tinha visto. Talvez nosso colaborador Rodrigo Ponce Santos possa explicar o motivo.
A primeira fase é disputada em pontos corridos, só ida. Oito times se classificam e três caem (o que provavelmente significa que no próximo ano teremos um número par de equipes). Na segunda fase, a fórmula se repete. Todos contra todos, só ida. Só que, como no catarinense, os melhores times chegam com vantagem. O primeiro colocado entra na fase final com dois pontos e o segundo, com um. Quem tiver mais pontos nessa fase é campeão.

Goiano
A competição é brava, mas esse é o meu campeão! São 12 clubes, divididos em duas chaves. Na primeira fase, as equipes do Grupo A enfrentam as do Grupo B em turno e returno e, depois, se enfrentam dentro dos próprios grupos, em turno único. Ou seja, os time jogam duas vezes com os da outra chave e uma vez só com as equipes do seu próprio grupo. Como assim? Três turnos também é novidade pra mim. Depois disso, os dois melhores de cada chave passam para as semifinais, e são rebaixados os dois piores times em número de pontos, independente do grupo.

E para você, qual o pior regulamento? Ou eu deixei de fora algum Estado ainda mais incrível?

Update

Descobri mais uma pérola no Campeonato Paranaense
"Na segunda fase, as oito equipes classificadas se enfrentam em turno único, com mando de campo da equipe que teve melhor classificação geral na fase anterior".
O campeão do primeiro turno joga TODAS as partidas em casa, e o oitavo, nenhuma. E ainda tem a bonificação de dois pontos ao primeiro da fase anterior.
Desse jeito não precisa nem de fase final.

16 comentários:

Keitaro disse...

sera q ficaria zuado um campeonato paulista com o mesmo formato da libertadores?? eu sempre achei q seria legal... mas tambem nem precisa uma mudança tão radical... com 12 times turno e returno com os quatro primeiros indo para as semi-finais ja tava otimo

Rafael Zito disse...

Olá Thalita,

realmente os dirigentes brasileiros se superam a cada ano na elaboração dos regulamentos. O campeonato mineiro de 2009 nao tem explicação. Oito times se classificam de 12 q disputam... lamentavel

gostaria de aproveitar pra convida-los pra debater conosco do blog jornalismo esportivo um assunto q foi mto falado nessa semana. É o nosso quadro "Opinião".

Neste final de semana, o Blog Jornalismo Esportivo traz uma discussão sobre um tema que agitou a semana. O Governo Federal lançou um pacote de medidas que visa modernizar o futebol brasileiro e o item que tem causado mais discórdia é a criação da "Carteirinha do Torcedor", sendo que, nenhuma pessoa poderá entrar nos estádios sem ela.

www.esportejornalismo.blogspot.com

Marco¹³ Costenaro¹³ disse...

Recentemente um campeonato paulista tb teve número ímpar de clubes. Acho que eram 21 e foi em 2006.
Tb teve um paulista com 3 turnos e mais semi final e final. Acho que foi em 1979. Um campeonato que durou mais de 7 meses e foi decidido no ano seguinte.

Thalita disse...

Marcos
Esse Paulista com 21 times foi em 2004. Eu não lembrava não...
Já o Paulista com três turnos eu não consegui achar.

Anselmo disse...

legal era a copa união com seis ou oito grupos.

uma vez, no forum adequado, participei da criação do regulamento mais falido do mundo. Era incrível, envolvia os rebaixados, um rebolo e os classificados. Em cada grupo desses, havia uma nova disputa. O melhor dos rebaixados ganhava uma chance de repescagem, num quadrangular com dois do rebolo e o pior dos uqe se classificaram. Ai, os dois piores desses tbem eram rebaixados. Ou alguma coisa assim. Na ocasião, tava passando um cartola da federação paulista que, por pouco, não nos rouba a ideia, de tão boa que ele achou.

tudo bem, nao era da federação, era só mais um bebado.

fredi disse...

Thalita, no caso do mineiro a fórmula é quase a mesma há pelo menos 4 anos, só que dos 12 sempre se classificaram 4.

A mudança bizarra aconteceu neste ano com a desculpa de que menos times do interior ficariam parados, daí o absurdo de se classificarem 8 de 12.

Glauco disse...

Belo levantamento, Tahlita. De novo, lembrando que essa perenidade de fórmula do Brasileirão e dos outros campeonatos é só por conta da existência do Estatuto do Torcedor, que obrigou à manutenção da mesma fórmula de campeonato por dois anos seguidos e também prevê que alterações devam ser feitas com antecedência.

O Paulista com 21 times foi o de 2003, e ocorreu pra acomodar o Guarani, rebaixado em 2001 e que disputou o Rio-SP em 2002, ano em que os grandes não disputaram o Paulista. Esse foi um dos campeonatos mais esdrúxulos, com o São Paulo jogando domingo de manhã e podendo escolher adversário (empatou com o Santo André pra não pegar o Santos) e os 12 piores disputando um infame "torneio da morte" para definir os rebaixados. Houve oito classificados para o título e o Santos ficou no limbo. Bizarrísimo.

O campeonato de três turnos foi o de 1978, que foi decidio em 1979. mas o Paulistão já teve "inovações" como cartões amarelos como critério de desempate, dois árbitros, pontos corridos em um turno só, grupos fracos e fortes etc etc etc.

Marcão disse...

Anselmo Di Maussad para consultor de regulamentos da FPF, CBF e Fifa!

Realmente, o Paulistão de 1978 tem um dos regulamentos mais difíceis de compreender. Foi disputado em três turnos: os dois primeiros com quatro grupos, cada grupo com cinco times. E o terceiro reuniu dois times classificados no 1º, mais dois no 2º e outros quatro por melhor pontuação.

No 1º turno, decidido em novembro de 78, Corinthians e Santos foram os finalistas (o time da capital foi o campeão) e classificaram-se automaticamente para o 3º turno. Já o 2º turno, que durou de novembro de 78 a abril de 79, foi decidido entre Ponte Preta (campeã) e Guarani, que também garantiram vaga no turno final. São Paulo, Palmeiras, Botafogo e Juventus também se classificaram para o tal 3º turno.

Na reta final, entre abril e junho de 79, Guarani e São Paulo terminaram em primeiro no Grupo A, com 13 pontos, e Palmeiras (14 pontos) e Santos (10) se classificaram no Grupo B. Na semifinal, disputada em um jogo só (sei lá por que), o Santos venceu o Guarani e o São Paulo despachou o Palmeiras - com o famoso gol de Serginho Chulapa no fim da prorrogação.

Santos e São Paulo disputaram três partidas decisivas (também não sei por que): o Peixe venceu a primeira, houve empate na segunda e o São Paulo venceu a terceira. Novo empate, na prorrogação, deu o título ao Santos por melhor campanha.

Marcão disse...

OBSERVAÇÃO: O Paulistão de 78 durou quase 1 ano e teve o surreal 3º turno para não deixar times grandes parados. Explico: na época a antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), antecessora da CBF, estava inchando progressivamente o campeonato nacional, por questões políticas - corria o cínico ditado "Onde a Arena vai mal, um time no nacional. E onde a Arena vai bem, outro time também!".

Para a disputa de 1979, Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa pleiteavam participar apenas da terceira fase, assim como o campeão e o vice de 1978, Guarani e Palmeiras. Como não foram atendidos, decidiram boicotar o campeonato. Por isso, passaram todo o ano seguinte disputando apenas o Paulista - de 1978 no primeiro semestre e de 1979 no segundo. Só o Palmeiras, que tinha o benefício de entrar no final, disputou o Brasileirão (que teve o recorde vergonhoso de 94 participantes e outro regulamento digno do ranking dos piores de todos os tempos).

No Rio de Janeiro, para completar a lambança do futebol brasileiro de três décadas atrás, houve dois estaduis no mesmo ano. Isso mesmo: o campeonato de 1979 seria o primeiro unificado entre os clubes da capital (antigo Estado da Guanabara) e do interior (antigo Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói). Embora os estados tenham se unido em 1975, as entidades Federação Carioca de Futebol e Federação Fluminense de Futebol continuaram separadas por alguns anos graças à manobras políticas dos representantes cariocas, que não tinham interesse em enfrentar longas viagens ao interior para "cumprir tabela".

O "1º Campeonato Estadual de Futebol" do novo Estado do Rio de Janeiro reunía os seis melhores clubes do Campeonato Carioca (America, Botafogo, Flamengo, Fluminense, São Cristóvão e Vasco e os quatro melhores do Campeonato Fluminense (Americano, Fluminense de Nova Friburgo, Goytacaz e Volta Redonda) da temporada anterior.

Contudo, após a disputa (título conquistado pelo Flamengo), a CBD considerou ilegal o critério desigual (mais vagas para os cariocas) e forçou a organização de um novo campeonato "1º Campeonato Estadual de Futebol" - dessa vez reunindo todos os participantes dos estaduais carioca e fluminense de 1978, num total de 18 participantes. O Flamengo venceu novamente e, pasmem, foi bicampeão estadual no mesmo ano (!), 1979/ 1979.

A gente pode reclamar do que for, mas acho que houve algum tipo de evolução daquele tempo pra cá...

Sartorato disse...

Eu sei que, se estivéssemos no fórum adequado, eu teria que me defender de uma saraivada de copos lançados contra a minha pessoa. Mas posso votar que o regulamento mais esdrúxulo e injusto é o do brasileirão, com os infames pontos corridos?

Keitaro disse...

*taca um copo no Sartorato*

Sérgio Oliveira disse...

o pior regulamento é o do campeonato Roraimense. Onde o principal critério de desempate é o número de gols sofridos e não de gols feitos. ano passdo o baré goleou na última rodada por 14x1, mas foi eliminado justamente por causa desse gol sofrido

Marcão disse...

*taca um copo no Sartorato* (2)

(e o Dunga - e outros retranqueiros - adorariam disputar o bizarro Campeonato Roraimense)

Alessandro disse...

O Paranaense tem 15 times por causa da desistência do Adap Galo (É, uma fusão) por falta de dinheiro. Pra facilitar, resolveram manter as rodadas e quem jogaria com este time folgaria. Não colocaram o terceiro colocado da série B pois começou uma pequena briga pois o menos pior dos rebaixados do ano passado queria ter essa vaga. Mas como o anúncio da desistência foi em cima da hora, acharam por bem os 15 times.

Só que há uma briga quanto à segunda fase. O regulamento foi mal redigido e diz claramente que o primeiro colocado teria o mando de campo na segunda fase. Quer dizer que jogaria a segunda fase sempre em casa, o segundo sempre em casa menos contra o primeiro etc.

Mas a federação paranaense queria - mas não colocou no papel - que os quatro primeiros jogassem em casa quatro jogos e os outros quatro três em seus domínios.

O grande problema é que montou as rodadas com o primeiro colocado jogando contra o segundo na casa deste último. Pelo andar da carruagem, desta forma Atlético e Coritiba jogariam no Couto Pereira, estádio do Coxa. A grita é que Atlético e Coxa jogaram no Couto na primeira fase.

O Atlético sugeriu que se mesmo com o regulamento dando margem para o supermando, a tabela mais justa seria 1º x 2º, 3º, 4º e 5º em casa e o resto fora, o 2º x 3º, 4º, 5º e 6º em casa mas contra o primeiro fora de casa e assim por diante.

Como não concordaram, o caso está no STJD, já que agora o Atlético quer que o regulamento seja seguido à risca. Aí entra o complicante da TV. A retransmissora da Globo, que não pode transmitir pra Curitiba, quer que o primeiro colocado jogue fora de casa a primeira rodada.

Thalita disse...

Valeu pela explicação, Alessandro... acho que o paranaense tem tudo pra ficar pior que o goiano nessa lista...

Fernando disse...

Sobre o bizarro camp paranaense desse ano, saiu na 5a feira a decisão do STJD.

O Atlético joga as 7 em casa, o Coxa joga 6, o 3o colocado (não sei quem) joga 5 e daí por diante.

Atlético entra com 2 pontos, Coxa com 1, o resto com zero.

Pelo menos o que a gente aqui achou que não ia acontecer, vai acabar acontecendo, mesmo que de maneira camuflada: se o Coxa chegar em condições a "final" vai ser disputada na tal da Arena deles lá, na penultima rodada do Campeonato.

Como a tendência é ambos os times massacrarem os adversários, o atleTIBA vai ser como se fosse uma final.

O fiel da baçança poderia ser o bebê de rosemary Paraná Clube, que em tese seria o único em condições de tirar algum ponto dos 2 grandes. Mas não ganha do Coxa no Alto da Glória há um século e dos porquinhos na Baixada há 2 séculos.

@

Tivemos um brasileirão disputado com 29 clubes, quando deu aquele rolo de botafogo, com Gama, Bahia, e sei la mais quem. Toda rodada folgava um.