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sexta-feira, março 13, 2009

Só Neymar valeu a pena ontem

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Esqueça aquelas frases feitas e pensamentos banais que se repetem no futebol: “Precisa ter cuidado pra lançar o garoto...”, “Melhor esperar um jogo fácil pra entrar” etc. etc. etc. Se alguns talentos precoces podem ser desperdiçados quando jogados na fogueira, a história parece ser diferente com o garoto Neymar.

Estava no Pacaembu quando a torcida pediu sua entrada, no início do segundo tempo. Não tardou para Mancini fazer um gesto em direção aos reservas e o burburinho da torcida começou. Quando o moleque tirou a camisa, todos comemoraram como se fosse um gol. Neymar entrou em uma situação adversa, um zero a zero encardido, e saiu vitorioso. Várias vezes quando tocou a bola, todos levantavam pra ver o que aquele menino franzino ia fazer com a redonda, que parecia tão íntima dele.

Ontem, contra o Paulista, o adolescente entrou no intervalo. O time perdia por um a zero e tinha pouca presença ofensiva. O time de Jundiaí tinha vindo com uma proposta de jogo semelhante à do Oeste no último sábado. Como fez a equipe de Itápolis, marcou a saída de bola santista, forçando o erro dos três zagueiros peixeiros. Assim, em menos de dez minutos Domingos e Fabão já haviam falhado perigosamente, enquanto as laterais alvinegras, graças ao posicionamento dos alas, eram avenidas onde o Paulista chegava com relativa tranquilidade. Na frente, Molina repetiu a atuação pífia da partida anterior, errando passes que poderiam ser decisivos. Madson, sem ter com quem jogar, tentava resolver sozinho, enquanto Roni não conseguia assustar a defesa do Paulista.

Mas Neymar entrou. E o jogo mudou. Se não fez uma exibição que garantisse a vitória, o Santos sufocou o Paulista durante todo o segundo tempo e, na sua 24ª finalização, fez o gol de empate. Era justo, ou o mínimo. A atuação do moleque fazia o Alvinegro não merecer a derrota. Fazia também com que o santista, algo desanimado, algo irritado com o desempenho da equipe, torcesse tanto ou mais pelo menino do que pelo Santos.

Sempre objetivo, seu repertório ontem foi variado. Chapelou e cruzou com precisão; deu passe por baixo das pernas do rival; pedalou, driblou e deu assistência. Não se intimidou e não parecia fazer somente sua segunda partida como profissional. Antes da metade do primeiro tempo, o técnico adversário, Giba, pedia marcação especial nele. Logo, virou referência em campo para os companheiros. Até peitar um zagueiro com o dobro do tamanho dele ele peitou.

Neymar é técnico, habilidoso e tem uma postura de quem não se intimida diante de ninguém. Em um time praticamente sem ídolos e em um futebol cada vez mais carente de talento, é uma joia raríssima. Só espero que não seja a única razão para o torcedor se animar com o time nas próximas rodadas. O Santos merece mais porque ontem, só Neymar valeu a pena.

7 comentários:

Nicolau disse...

O cara é bom de bola mesmo e tem postura de jogador.

olavo disse...

De acordo com tudo o que está nesse post. No futebol brasileiro - e até mesmo mundial - de hoje, lançar gente com 17, 18 anos não é mais exceção, e sim regra. Então Neymar jogará com tantos outros de sua idade. Precisa mostrar que vale o investimento nele feito. E, até agora, tem mostrado.

Nicolau disse...

Esse negócio de lançar os caras cedo ou não é uma questão mais complicada, acho. Vai depender de cada um. Acho que vai ter cara que rende bem com 16, outros que só vão ter condições psicológicas com 19, 20. Se é bom não ter medo de botar alguns moleques pra jogar, também seria legal ter a paciência de deixar outros amadurecerem mais, exatamente para não perder o investimento.

Glauco disse...

Acho que há casos e casos, pra ser acaciano. No Corinthians, por exemplo, o Lulinha foi jogado na fogueira, havia muita expectativa e ele rendeu pouco. Já o Dentinho, em condições semelhantes, se deu bem.

No Santos, diego e Robinho foram lançados (de verdade, Celso Roth... de verdade...) quase ao mesmo tempo. No ano seguinte, mesmo tendo tido participações brilhantes no Brasileirão de 2002, robinho passou por uma fase ruim e Diego manteve o ritmo. Bastou isso pra chamarem em plena Vila Robinho de "enganador" e dizerem que Diego era craque e Robinho não. A diferença é que um frequentava seleções de base desde cedo, foi preparado, e o outro surgiu quase que do nada. Pode haver uma diferença, por conta de preparo e cuidado anteriores, pro jogador "pegar" como mostra esse caso onde o tempo mostrou quem de verdade era mais bola...

Neymar vem sendo cuidado há tempos. Sem uma participação no time profissional já ganhava 80 mil reais por mês. Se, mesmo sendo moleque, não sabe lidar com a pressão e a expectativa que recaem sobre ele, melhor mudar de profissão. Mas, ao que parece, ele sabe.

Maurício disse...

Tem uma diferença do Dentinho pro Lulinha. O Dentinho chegou quando a pressão era toda no Lulinha, ou quando já se percebia o erro cometido com o garoto.

Pampers disse...

O Neymar tem que jogar mesmo. É um puta investimento. Como disse o Glauco, até agora ele está correspondendo.

Maurício disse...

Agora sim, vi o VT, o menino é bom mesmo, bem acima da média. É o que de mais promissor eu vi nos últimos anos.

No outro extremo, está o primeiro lance do VT, a trapalhada do Fabão. É difícil entender o que se passou pela cabeça do moço.

Sobre a questão principal, na verdade, acho que hoje em dia uma das funções da diretoria e técnicos é cuidar do bom desenvolvimento dos jovens jogadores, tendo em vista o extremo grau de exposição a que estão submetidos. Não sei como têm cuidado do Neymar no Santos, ou talvez ele saiba se cuidar sozinho, tenha uma boa estrutura familiar. Mas se a exposição sempre houve, a mudança no modo de vida, etc., hoje a coisa chegou a um grau inimaginável. É muito interesse, sobretudo financeiro, nos ombros de um garoto.