Destaques

terça-feira, maio 04, 2010

E começa a quartona

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No mesmo fim de semana em que o Santos conquistava o título da primeira divisão, o Linense festejava o da segunda e Red Bull e XV de Piracicaba davam importantes passos rumo ao acesso na terceira, a bola começou a rolar na quarta divisão do futebol paulista - que, oficialmente, tem o nome de Segunda Divisão, não custa lembrar.

São 46 times atrás de quatro vagas na Série A3 de 2011. É um torneio extenso. Tem uma fase de grupos inicial que dura até agosto e subsequentes níveis de eliminação até os quadrangulares semifinais que decidirão o acesso, e serão jogados em outubro, e a final que indicará quem vai levantar a taça, cuja definição acontece só em 7 de novembro. Ou seja, tem muita bola pra rolar.


Entre os participantes, há equipes célebres, folclóricas e novatas-de-empresário. A participação mais ilustre é a da Internacional de Limeira, campeã paulista de 1986 e que tenta mostrar que ainda merece respeito. O Nacional da capital - treinado por ninguém menos que Vampeta! - também integra a primeira categoria, assim como o Jabaquara de Santos. A parte folclórica fica preenchida com a Matonense (que até poucos anos estava na primeira divisão) e o Radium de Mococa, o time com o nome mais divertido de pronunciar no Brasil (tente, em voz alta). Já quem gosta dos novatos-de-empresário podem se regozijar com a presença de Olé Brasil FC, Primeira Camisa, Desportivo Brasil e outros.

Este colunista declara, desde já, sua torcida para o Palestra de São Bernardo e seu rival mais tradicional, o Esporte Clube São Bernardo - que volta, neste 2010, ao profissionalismo, de onde esteve ausente por muitos anos. O São Bernardo Futebol Clube colocou a cidade na primeira divisão e seus co-irmãos (muito) mais tradicionais bem que poderiam seguir os bons passos.

O site da Federação Paulista tem a tabela e o regulamento da competição, vale dar uma lida. Inclusive, já nesse sábado (8) temos um clássico histórico, Nacional x Jabaquara. Bom programa para o fim de semana.

Coitada da pátria amada...

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Já escrevi aqui sobre a incrível capacidade que o brasileiro tem de esculhambar com propagandas governamentais, e outro dia fiquei sabendo de mais uma. O colega Neto lembra que, em seus tempos de serviço militar, na Baixada Santista, o pessoal gostava de avacalhar justamente a Canção do Exército - e isso em plena ditadura! Certo trecho do hino diz "Porém, se a pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos sem temor". Pois o pessoal cantava: "Porém, se a pátria amada precisar da macacada, puta merda, que cagada!". Não à toa, Neto pegou cadeia algumas vezes naquele período...

segunda-feira, maio 03, 2010

Mosquito não é bobo

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E a ciência continua comprovando obviedades: segundo um estudo australiano recente publicado pela PloS One, o banco de dados online da Public Library of Science, pernilongos e outros mosquitos preferem sangue de quem bebe cerveja (o que desmonta a teoria do repelente no meio do mato). Para chegar a essa brilhante conclusão, os pesquisadores reuniram um bando de manguaças de 20 a 43 anos em Burkina Faso, na África, e analisaram a reação dos insetos diante de um grupo que bebeu cerveja e outro que bebeu água - e eu ressalvo que acho um absurdo esse tipo de tortura científica.

Os bêbados foram divididos em tendas com um complexo sistema de tubulação para circulação do ar entre as barracas. Ao final da experiência, os cientistas verificaram que o grupo dos bebedores de cerveja atraiu 47% dos mosquitos que foram colocados na tenda, contra 38% dos que beberam apenas água. "Desconsiderando características individuais de cada voluntário, o consumo de cerveja aumentou consistentemente a atratividade aos mosquitos", escreveram os autores do estudo.

Porém, a campanha anti-manguaça pode ganhar mais um motivo para proibir nosso sagrado direito de biritar: o estudo mostra relação entre álcool e aumento de doenças transmitidas por mosquitos e pernilongos. No caso da África Ocidental, região afetada massivamente pela malária, os cientistas sugerem que o consumo de cerveja seja mais controlado. Para quem insistir em beber, lembre-se que há malárias quem vem para o bem...

Santos campeão ou O dia em que a camisa era a alma de Ganso

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Aprendi a torcer para o Santos, em parte, ouvindo e cultuando histórias de times e partidas contadas pelo meu pai. Afinal, o torcedor de um clube que tem a trajetória do Peixe, das mais ricas do futebol mundial, tem quase como obrigação saber de pelo menos uma parte delas, vivenciar outras tantas e passar adiante esse legado.

E ontem, quando o Alvinegro já jogava com oito em campo, meu pai olhou para aquele camisa 17 santista e exclamou: "O Almir Pernambuquinho encarnou nele!". O controverso e tresloucado jogador que substituiu Pelé na segunda e terceira partidas da decisão do Mundial contra o Milan em 1963. Que não teve medo dos duros italianos e, mais que igualar na "pegada", os igualou no olhar. O atleta que, sem Zito e o Rei em campo, chamou a responsabilidade para si.

Era esse mesmo espírito que guiava o jovem Ganso ontem. Que guiou muitas vezes o esquadrão santista dos anos 60, que se apossou de Giovanni na memorável vitória contra o Fluminense em 95 e que em tantas ocasiões esteve presente na história do time que, como diz seu hino, defende a “bandeira que ensina, lutar com fé e com ardor”. Quando Dorival quis substituí-lo, não foi uma afronta ao técnico quando o garoto disse um rotundo "não". Ali, clamou por justiça e prometeu fazer valer sua presença no gramado.

E assim o fez. Mais do que a habilidade, confrontada sempre contra um mínimo de dois marcadores, o menino de 20 anos, o mais caro do Peixe, mostrou um "algo mais" que ainda não tinha aflorado totalmente. O mesmo "algo mais" que faz com que muitos brasileiros admirem o jeito de jogar dos argentinos ou que explica o fascínio de são-paulinos por uruguaios como os pouco habilidosos Forlán e Lugano. Às vezes, mesmo quando não primam pela técnica, os hermanos sabem que o jogo não se joga só com os pés, mas com a cabeça e com o coração.



E ontem Paulo Henrique reproduziu esses e tantos outros exemplos que fazem do futebol um esporte às vezes de dimensão épica. Aquela camisa alva do Santos era parte da sua alma. Soube dosar como um craque veterano a habilidade para dar um dos passes mais magistrais que já vi em um gol, o segundo do time, com a inteligência de cobrar um escanteio para ninguém (lance mais comum no futsal), ganhando um precioso tempo que sua equipe, em frangalhos, precisava para garantir o título. Segurou a bola, cavou lateral, escanteio e tomou até um safanão quando deu um chapéu que poderia ter provocado uma expulsão no rival. Nada o intimidou, nada o parou. Para Ganso, não foi apenas o jogo da consagração, foi o da convocação. O menino não é mais menino.

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Mesmo sem show, os dois gols do Santos foram obras de arte, evidenciando o talento de Neymar e dos ainda oscilantes Robinho e Marquinhos. Mas é preciso ressaltar dois grandes destaques defensivos que souberam segurar, nas finais e durante boa parte do Paulista, o rojão lá atrás: o incansável Arouca e o surpreendente Pará, que parece ter adquirido uma confiança nunca antes demonstrada em sua estada na Vila Belmiro. 

E Dorival Junior? Soube desde o início do seu trabalho reconhecer as características do grupo que tinha em mãos e jogou para frente. Ajudou jogadores a desenvolverem seu potencial, os mesmo que, nas mãos do antecessor, não tiveram como aprimorar o talento que já tinham. Mas lembrou um personagem vivido por Brandão Filho, no extinto humorístico Escolinha do Professor Raimundo, aquele mesmo que respondia bem todas as perguntas para errar barbaramente no final. Ao entrar na partida de ontem com Rodrigo Mancha no lugar do suspenso Wesley chamou o Santo André para o próprio campo e dificultou a saída de bola peixeira. Quando estava com menos jogadores, não tinha mais o que fazer a não ser se defender, mas erraria de novo ao tirar Paulo Henrique. Mesmo assim, o saldo é positivo, só que, a partir de agora, o treinador também deve atuar "mais concentrado"

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Claro que os "imparciais" secadores vão falar do gol anulado do Santo André. Mas esquecerão o pênalti não marcado em Arouca no mesmo jogo e em Neymar na partida anterior, que tomou pisão, foi agredido e não houve punição alguma a qualquer atleta do Ramalhão. Aliás, seria a única vez na História que um time que termina uma decisão com oito jogadores teria sido "beneficiado" por uma arbitragem venal... Haja chororô.

domingo, maio 02, 2010

Galo, 40 vezes campeão. Viva Marques

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Os campeonatos estaduais podem valer pouco, ou até valer nada.


Mas as histórias dos jogos são importantes, mais que os títulos.

Quem poderia imaginar um roteiro em que um ídolo no seu último ano de carreira entraria em campo para fazer um gol aos mais de 40 minutos do segundo tempo, de tão emocionado tiraria a camisa, arrancaria o pau da bandeirinha e improvisaria uma bandeira do time que diz amar, com mais de 60 mil pessoas gritando seu nome.

O roteiro de filme de sessão da tarde aconteceu de verdade. A emoção e o choro de Marques e sua comemoração depois do gol ficarão entre as imagens selecionadas por minha retina para o resto da vida. Mais que o 40 título mineiro do Galo.

Título que não foi fácil como se imagina ao ver o resultado de duas vitórias nas finais. O Ipatinga teve chances de complicar, mas mais que um futebol vistoso, o Galo parece ter amadurecido nas mãos de Luxemburgo. Faz o que é necessário para vencer e está bem armado taticamente. Embora, no último domingo, o Ipatinga também tenha colaborado. Precisando ganhar, ficou atrás quase o jogo todo tentando aproveitar algum contra-ataque milagroso. Quase não teve chance de gol e acabou com um merecido vice pela covardia.

Que na quarta venha o Santos. Promessa de jogão entre dois campeões. Não vi a partida deste domingo contra o Santo André porque assistia ao Galo na mesma hora, mas pelos lances parece ter vivido uma partida épica contra um valente Santo André. Daquelas que também valem até mais que o título.