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domingo, março 14, 2010

Que jogo! Palmeiras para o Peixe com 4 a 3 na Vila

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O Palmeiras venceu o Santos na Vila Belmiro por 4 a 3. O gol da vitória saiu aos 42 minutos do segundo tempo, dos pés de Robert, autor de três na partida.

O time da casa abriu 2 a 0 no placar com Pará e Neymar, antes dos 30 do primeiro tempo. Parecia que seria fácil para o Peixe manter a série invicta de 12 partidas. Até então, os visitantes mal atacavam e ameaçavam lembrar outra feita. Aí, aos 41 e 42 da etapa inicial, veio o empate relâmpago, duas vezes com Robert. Bastaram duas bobeadas da defesa santista para o atacante palmeirense mostrar que estava inspirado.

Os visitantes voltaram melhor e surpreenderam aos 11, com a virada. Mergulhando de cabeça – de peixinho – Diego Souza fez o terceiro gol verde.

Foi a hora de o Santos pressionar e mostrar que tinha time para garantir, em casa, um resultado melhor. Mas foi aos 35, em uma jogada digna do que o alvinegro da Baixada vem exibindo na temporada: uma troca de passes entre Robinho e Paulo Henrique Ganso encontrou Madson, há sete minutos em campo, livre para empatar. Na hora de comemorar, manteve o padrão bem humorado que vem marcando o time e lembrou o corintiano Viola ao imitar um porco. Só o imprevisível o calaria.

Uma pista de que alguma coisa aconteceria veio na expulsão de Neymar em carrinho sobre Pierre. Mas só depois é que tudo se resolveria.

Robert, em dia de Obina, acertou um chute à lá Cleiton Xavier três minutos antes de acabar o tempo regulamentar. De fora da área e com a bola no ângulo. No ângulo!

Que coisa!
O 4 a 3 na Vila foi um jogão. O Santos foi menos do que em partidas anteriores. O Palmeiras aproveitou bobedas da defesa e uma tarde inspirada de Robert. Entrou meio perdido, protagonizou um jogo bom, um clássico. Não como o time que eu gostaria, mas como um time grande que eu pedia. Com sofrimento, como o que foi preciso para passar pelo lanterna Sertãozinho – só que com muito mais motivo –, venceu.

Antes do jogo, lembrei que, na década de 1960, o Palmeiras foi o time que impediu, por duas vezes, em 1963 e 1966, o tricampeonato paulista do Peixe.

Era uma forma diferente de "parar" o Santos, uma coisa de temporadas. E, se o time 2010 do Santos desperta comparações com aquele de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, o Palmeiras de Antônio Carlos Zago fica a anos-luz da Academia. Bilhões de anos-luz.

Mas o Palmeiras deste domingo parou o Santos. E mantém esperanças de se classificar para a semifinal.

sábado, março 13, 2010

O debate das cotas raciais no STF

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O Supremo Tribunal Federal vive dias agitados – e dessa vez com notícias positivas. Para começar, manteve o (ex?) governador do Distrito Federal José Roberto Arruda na prisão, para espanto meu e de outros colegas deste fórum que esperavam uma rápida passagem do cara dos panetones pelo cárcere.

Além disso, o STF elegeu, no último dia 10, o ministro César Peluso para a presidência da Casa – Carlos Ayres Britto foi escolhido para vice. Peluso toma posse no dia 23 de abril, em substituição a Gilmar Dantas -  quer dizer, Mendes -, cuja atuação à frente da Suprema Corte foi marcada por opiniões emitidas antes de pareceres e julgamentos de processos, além da prestreza com que sempre atendeu pedidos de soltura de certos banqueiros. Daniel Dantas, aliás, recebeu outra má notícia da Justiça essa semana, com a decisão do Superior Tribunal de Justiça de negar o pedido de afastamento do juiz Fausto De Sanctis do processo que envolve o banqueiro.

Mas o que mais me agradou foi uma atitude do ministro Ricardo Lewandowski, encarregado de julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 186, movida pelo partido Democratas contra a reserva de cotas raciais em universidades. O ministro decidiu convocar uma audiência pública para debater o assunto, permitindo às partes interessadas expressarem seus pontos de vista. Foram recebidos 252 requerimentos de inscrição, segundo o site do STF, mas o ministro selecionou 38 representantes para diminuir o tempo da coisa.

As audiências aconteceram entre os dias 3 e 5 de março e certamente ajudaram a explicitar posições e dar clareza aos argumentos de todos os lados, produzindo algumas pérolas. Se a ação movida pelo DEM não servir para mais nada – como de fato acho que não serve: ou é derrotada e irrelevante ou vitoriosa e danosa para o país –, vale por ter jogado o tema de forma tão pesada na discussão pública.

Uma das citadas preciosidades certamente foi o depoimento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO, na foto ao lado), relatado em reportagem de Laura Capriglione e Lucas Ferraz, da Folha de S. Paulo. O excelentíssimo parlamentar soltou duas frases que já rodaram bastante, mas valem a lembrança (extraídas da matéria da Folha):

Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (…) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.”
Sobre a miscigenação: “Nós temos uma história tão bonita de miscigenação… [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.”


Ou seja, se os negros foram escravizados, a culpa é deles. Bravo! A reportagem nos deu ainda o prazer de ver um duplo absurdo no mesmo jornal: o sociólogo, ex-comunista, conviva do Instituto Milenium e recente especialista em relações raciais (sic) Demétrio Magnoli publicou na página 3 do jornal dos Frias artigo defendendo o nobre senador e atacando os repórteres, por ele chamados de “delinquentes”. Ou seja, além de defender o indefensável, o artigo aparentemente terceirizou da Folha a função de passar um pito nos repórteres "abusados" e no editor que deixou passar o texto, como avalia o Leandro Fortes.

A fala dos dois é oportuna para deixar claras as posições. Nada contra quem não gosta das cotas. O problema é quando o argumento vai na linha do Ali Kamel, manda-chuva da Globo, que diz, resumidamente, que não existe racismo no Brasil. Que somos todos iguais e que os que advogam políticas afirmativas querem “implantar” a discriminação. Ora, isso não é argumento, é negar a realidade.

Mas o que eu realmente queria destacar é a fala do historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor da Sorbonne e autor do livro O Trato dos Viventes, obra de referências sobre a escravidão. O parecer de Alencastro traz pontos importantes dessa história para sublinhar um ponto central: a escravidão e a violência contra o negro não vitimaram apenas os negros, mas toda a sociedade brasileira, que se acostumou a um tratamento de chibata contra os desfavorecidos, distorcendo o nosso conceito de democracia. Disse ele:

(...) os ensinamentos do passado ajudam a situar o atual julgamento sobre cotas universitárias na perspectiva da construção da nação e do sistema político de nosso país. Nascidas no século XIX, a partir da impunidade garantida aos proprietários de indivíduos ilegalmente escravizados, da violência e das torturas infligidas aos escravos e da infracidadania reservada ao libertos, as arbitrariedades engendradas pelo escravismo submergiram o país inteiro. Por isso, agindo em sentido inverso, a redução das discriminações que ainda pesam sobre os afrobrasileiros -, hoje majoritários no seio da população -, consolidará nossa democracia.

A argumentação completa é excelente e leva a questão para um outro patamar. Vale muito a leitura completa.

Outro sucedâneo da discussão é muito mais surpreendente em sua origem. A economista Miriam Leitão, crítica contumaz do governo Lula e da esquerda em geral, escreveu um belo artigo em defesa das cotas. Disse ela:

A temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: “Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra. Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: “Todos são iguais perante a lei.” E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.

Logo após, porrada no Demóstenes. Roubo de Miriam o encerramento do texto, que traduz algumas de minhas preocupações nesse debate. Bora pensar nisso:

“O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo”.

sexta-feira, março 12, 2010

Para Incor, manguaçar não é vício, é 'estilo de vida'

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Ó, se até eles estão dizendo, não sou quem vai disconcordar: o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), que está recrutando homens para uma pesquisa sobre "efeitos benéficos do vinho", observa que "podem se inscrever homens que bebem vinho tinto regularmente, como parte de seu estilo de vida". Pronto, descobri que sempre fui um homem "de estilo"!

Em tempo: os interessados em participar da pesquisa devem ter idade entre 50 e 75 anos, bebe vinho regularmente ou serem abstêmios. É oferecido um check-up cardiológico aos participantes, como parte do estudo. Informações e inscrições: (11) 3069-5510.

O humor vai resistir

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"Glauco foi um grande cronista da sociedade brasileira, entendia os usos e costumes da nossa gente e expressava isso com inteligência e humor". A frase, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resume o choque de milhões de brasileiros que conheciam a arte e a criatividade do desenhista e cartunista Glauco (foto), criador dos personagens Geraldão, Dona Marta e tantos outros, que foi assassinado na madrugada de hoje, com o filho Raoni, em sua residência em Osasco (SP). Parece que o criminoso era frequentador da igreja que a vítima fundou, Céu de Maria. Nesse ano de eleição, o Futepoca empresta uma das artes de Glauco para homenageá-lo (abaixo). Porque imaginamos que, de alguma forma, o humor, sua paixão, vai resistir. Ou melhor: tem que resistir. E que o crime nos faça refletir, mais uma vez, que ninguém está seguro.

Tudo condizente

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Por Moriti Neto


Não vou defender Washington de novo. Embora ele mereça, já o fiz no post anterior. Enfim, foram dois gols dele que decidiram o jogo de ontem, contra o Nacional, no Paraguai, dando a vitória por 2 x 0 ao São Paulo, o que colocou o time paulista na vice-liderança do grupo 2 da Libertadores, com seis pontos em nove possíveis.

O Tricolor começou a partida esboçando pressão nos primeiros cinco minutos e, com a marcação adiantada, dava pinta de que faria uma apresentação ofensiva, ousada. Ledo engano. A empolgação durou somente até Richarlysson chutar uma bola na trave, no comecinho da etapa inicial. Depois disso, o São Paulo foi ameaçado pelo fraco Nacional e Rogério Ceni teve que fazer grande defesa para evitar o gol paraguaio após falhas de Miranda e Cicinho.

Hernanes foi omisso, parecia dormir em campo e a criação era zero. Aliás, vou parar de falar da falta de criatividade do meio de campo são-paulino, pois há tempos ela é rotina e, quando o camisa dez não joga nada, como ontem, a coisa piora drasticamente.

No início do segundo tempo, Washington, aos 13, abriu o placar da sonolenta peleja. O passe de Dagoberto.foi bom e o centroavante driblou o goleiro para marcar.

Saindo na frente, o São Paulo, mais calmo em campo, conseguiu alguma posse de bola, mas a objetividade era escassa. Então, eis que Washington, de novo, apareceu. Bem colocado, ele recebeu boa bola de Fernandinho, que entrou no lugar de Dagoberto, e só empurrou para as redes, dando números finais à partida, aos 44.

Foram três pontos conquistados, mas está chato demais ver o Tricolor atuar. Burocrático e muitas vezes disperso, o estilo do time combinou bem com o reduzidíssimo público presente ao estádio Defensores del Chaco. Somente 700 almas assistiram ao jogo e mesmo o tão decantado “clima de Libertadores” não deu as caras. Tudo condizente. Futebol ruim, pouca torcida e jeitão de partida que não vale nada.