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sábado, março 27, 2010

Minas pode criar bancada de cachaceiros no Senado

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A depender dos resultados das eleições de 2010, o estado de Minas Gerais pode iniciar uma nova frente parlamentar no Congresso, a bancada dos cachaceiros. Ninguém está chamando os ilustríssimos postulantes ao parlamento nacional de beberrões nem de irmãos-da-opa.

Ocorre que o governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) e o vice-presidente José Alencar (PRB), ambos cotados para concorrer ao Senado, não têm como negar a alcunha, como explica qualquer alambiqueiro. Ocorre que o termo "cachaceiro" aplica-se, neste caso, aos produtores da marvada. Outro nome cotado, o do ex-presidente e ex-governador Itamar Franco tem outros elos com a malafa

Foto: Divulgação

Aécio e Alencar, criaram marcas próprias da molha-goela. A Mingote é apenas o rótulo mais recente da Fazenda da Mata, na cidade de Cláudio. Trata-se de uma homenagem a Domingos da Silva Guimarães, tetravô do governador de Minas Gerais, cujo retrato está no rótulo. Seu apelido era Mingote e foi ele quem reativou a atividade alambiqueira na propriedade. Consta que Aécio tem sociedade no empreendimento, fruto da união entre a família Guimarães Tolentino e a dinastia dos Neves em virtude do casamento entre dona Risoleta, pela primeira, e Tancredo, pela segunda.

Até 1985, o carro-chefe era a chambirra que respondia pelo nome de Mathusalem. Se o personagem bíblico chegou a 969 primaveras, a branquinha homônima foi descontinuada depois do falecimento de Tancredo Neves. Outras marcas de menor qualidade também são produzidas, mas sobre essas o governador nega qualquer ingerência.

Foto: Divulgação
Rótulos da Fazenda Cantagalo, que produz os isbeliques de José Alencar

Alencar se encarrega da Maria da Cruz, produzida na Fazenda Cantagalo, em Pedras de Maria da Cruz (MG). A proximidade da região de Salinas, no norte do estado, favorece. A propaganda boca-a-boca é feita pelo próprio empresário, até junto a garçons, segundo fontes. A propriedade ainda engarrafa com outras três marcas – Sagarana, Caninha 38 e Porto Estrela.

Assim como há diferenças políticas entre esses mineiros, as divergências também aparecem na forma de se envelhecer aquela-que-matou-o-guarda. A de Aécio descansa de cinco a dez anos em amendoim. A do vice-presidente, em amburana, madeira típica do semiárido brasileiro.

Não é à toa que Aécio ampliou a certificação de alambiques artesanais e incluiu a rapadura na merenda escolar da criançada.

Mas é bem verdade que quem tornou a caninha bebida oficial do estado foi seu antecessor, Itamar Franco, que também estuda concorrer ao Senado. Se tirar uma das vagas dos cachaceiros citados, também será bem-vindo à bancada da cachaça, além de instituir o 21 de maio como data comemorativa para a mata-velho.

A formação da bancada da cachaça – ou dos cachaceiros – depende  da formação das chapas, dos resultados das urnas e, claro, da disposição das figuras de abraçar a causa. Consta uma experiência sem grande repercussão a assembleia legislativa do Rio Grande do Norte. Muito diferente da bancada da cana-de-açúcar e do setor sucroalcooleiro.

Ministro
Foto: Divulgação

Os mineiros envolvidos na política valorizam as golos há algum tempo. O porta-voz de João Figueiredo e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Carlos Átila, abriu, depois da aposentadoria, seu alambique próprio. A Cachaça do Ministro dorme por cinco anos em carvalho ou jequitibá (foto), a depender do rótulo – ouro e prata.

Entre empresários, segundo reportagem da revista Época de 2008, o baiano Emílio Odebrecht, da empreiteira que leva seu nome, e o paulista Ivan Zurita, presidente da Nestlé, também se debruçam sobre uma boa pinga. São donos da Itagibá e da do Barão, respectivamente.

sexta-feira, março 26, 2010

Porque o Santos toma gols

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Ontem, o Santos venceu o Botafogo por 4x2, na casa do adversário, em Ribeirão Preto. A vitória garantiu matematicamente o Peixe na próxima fase do Campeonato Paulista - ao lado do surpreendente Santo André, que fez 3x0 no Monte Azul e, assim, impediu que o Paulista tenha os quatro grandes nas semifinais, como ocorreu no ano passado.

O Santos atuou com um time praticamente igual ao que fez 9x1 no Ituano. Ou seja, estava sem as estrelas Neymar (suspenso) e Robinho (contundido). Mais uma vez, assim como contra o Ituano e em outros tantos jogos, a estrela foi Paulo Henrique Ganso. Um golaço, passes precisos e atuação em todos os setores do campo. Marquinhos fez dois gols - se mostrando cada vez mais útil e carbonizando a língua desse que vos escreve, que considerou ridícula sua contratação - e Zé Eduardo, mais uma vez, deixou o seu. É ótima opção para o banco do Santos. Muito bom ver o Santos com um elenco forte.



Mas aí o Santos levou dois gols. Assim como levara quatro do Palmeiras, três do Bragantino, e assim por diante.

O futebol que o Santos tem demonstrado nesse 2010 tem despertado muitos sentimentos fortes - seja de paixão, seja de raiva. A ponto de fazer, por um lado, corintianos vibrarem com a derrota santista para o Palmeiras e torcedores de uma série de times rivais derramarem elogios como "esse é o único time que dá gosto de ver jogar".

As análises sempre vão na mesma linha: é um time alegre, que vai pra cima, e que por isso toma seus gols - mas faz um monte, para compensar.

Partidas como ontem e como a contra o Palmeiras deixam claro que o Santos não toma gols por "alegria", por "opção", por ser "praticante do futebol alegre". Toma gols, sim, porque não é perfeito.


Vejamos os dois gols de ontem: o primeiro ocorreu por conta de um pênalti dos mais indiscutíveis da história, cometido pelo Edu Dracena. E o segundo, porque a zaga marcou bobeira e deixou o adversário cabecear sozinho. Contra o Palmeiras, os gols vieram principalmente por falhas do goleiro Felipe.

"Opção pela alegria" ou falhas daquelas que todo time tem?

O Corinthians quer passaporte. Da Alegria.

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Desavidado, tomo um susto ao receber o seguinte release:

Comunicado oficial: Em relação a noticia do suposto interesse do Corinthians em construir seu estádio na área do Playcenter, esclarecemos desconhecer sua origem. Nunca mantivemos nenhum contato com ninguém do clube ou empresas ligadas a ele sobre esse assunto. (...) O Playcenter continuará o seu desenvolvimento, consolidando-se como a melhor opção de diversão da família paulistana.

Os corintianos do blogue sabiam disso? Manifestem-se!

Fala, FHC, que eu te escuto

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Prosseguindo com nossa campanha para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fale o máximo que puder à imprensa nesse ano de eleições, ao contrário da vontade tucana, vamos à nova pérola do sociólogo que fala francês (o grifo é nosso):

- Nós temos que pensar: qual Brasil vamos inventar? Está faltando neurônio. O Brasil será grande no mundo quando fornecer conhecimento. No conjunto desses desafios, que são grandes, o importante na universidade, além de produzir modelos culturais, é começar a discutir o futuro, disse o "iluminado" político do PSDB, na quarta-feira (24/03), durante a palestra "Ensino Superior como área crítica e estratégica para o Futuro do Brasil", na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Essa conversa de neurônio me lembra a análise de um reitor baiano sobre o berimbau. Mas FHC não foi convocado a dar pitaco sobre o ensino brasileiro de graça. Para quem não sabe, há uma greve de professores em São Paulo, território do (des)governador e pré-candidato à presidente da República José Erra, digo, Serra. E FHC aproveitou o assunto para defender a famigerada meritocracia tucana, pois em São Paulo, em vez de Serra dar aumento de salário, escolhe os professores mais "bonzinhos" e "comportadinhos" para "merecer" um troquinho a mais.

- Hoje se tem uma greve em São Paulo em parte contra isso. Até hoje não se aceita que haja incentivo pecuniário para quem for melhor. Não acredito que a meritocracia possa substituir a democracia, mas acho que é preciso prestar atenção, pois ela pode significar um grande desafio: além de ter uma força econômica, baseia suas grandes decisões num sistema de mérito, defendeu FHC.

Palmas para o "iluminado" que ele merece! E o Futepoca aproveita para lançar aqui, a partir desse post, uma campanha que mobilizará a nação:

FALA MAIS, FHC!

Marcos pode

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Diz-se que fuma e que bebe. Quando termina o jogo, reclama nos microfones da imprensa que o companheiro não voltou para marcar e que o outro fez corpo mole. Nem diz com todas as letras e deixa no ar um monte de possibilidades que vão fomentar as especulações de mesa de bar. Se o time está perdendo por falta de empenho generalizado, põe o pé no freio. Vai à festa e posa para fotos com antebraços cruzados, punho cerrado e o dedo médio em riste, numa inconfundível paródia do gestual característico de uma organizada do São Paulo.

Escrevendo assim, é o perfil de um mau elemento, um bad boy dentro do futebol. Daqueles caras que desagregam elenco, têm pavio curto e gastam tempo demais com um comportamento inadequado a um profissional da bola.

  
"Saint Marcos and a bird in a peaceful time of the soccer game",
diz a legenda da foto original (algo como "São Marcos
e um pássado em um momento de paz de um jogo de futebol"


Mas Marcos é o Goleiro. Não falta em treino – embora fuja de atividades mais pesadas e do que não é coletivo –, joga com dor (e uma placa) no punho esquerdo há anos. É torcedor. No Palmeiras desde 1992, jogou 485 partidas. Foi pentacampeão mundial pela seleção, um dos maiores responsáveis pela Libertadores de 1999 – o último título de monta do clube – além de um dos momentos mais sensacionais a que um palmeirense poderia assistir.

Na libertadores do ano passado, quando salvou a pátria diante do Sport nos pênaltis, o fez pela sétima vez em sua carreira. Em nove disputas assim, defendeu dez cobranças; foi derrotado apenas em duas decisões de pênaltis.

Muito antes disso, no segundo semestre de 2002, não quis jogar no Arsenal, porque a família queria mesmo era morar em Oriente (SP). No mesmo ano, quando o Palmeiras rumava para a série B, Marcos foi o melhor em campo em boa parte dos jogos, sinal de que a retaguarda não prestava. Em goleadas, desistiu de ir para as bolas.

Um ano depois, na segundona, Marcos continuava lá. A campanha foi suficiente para terminar a fase de turnos em primeiro, mas era o camisa 12 quem garantia boa parte dos jogos.

Ele não é bonzinho nem certinho. Gente boa, vá lá.

Por esse conjunto, Marcos pode. Pode dar margem pra polêmica, discutir, falar mais do que a boca...

Mas não deve.

Turras
Mesmo sendo ídolo da torcida – pelo menos deveria ter essa condição permanente, apesar de uma parcela dos alviverdes o culparem pelos males de qualquer formação do escrete – tem cada vez mais gente querendo ver Marcos na função para-raio.

Na segunda-feira, ele abandonou o treino em que Diego Souza e outros atletas ignoravam os apelos do arqueiro para que todo mundo voltasse para marcar. Ficou p. da vida, disse até que não jogava mais. O time foi a campo contra o Rio Branco e, bom, faltou mais gente marcar a sério para evitar os dois gols.

Quando o Palmeiras estava na pior fase do campeonato – não que agora esteja em boa situação, mas enquanto se tentava ostensivamente derrubar o técnico – prometeu parar de jogar no fim do ano para livrar o torcedor do sofrimento com ele.

O problema do Palmeiras não está embaixo das traves. No entanto, Marcos 2010 representa menos soluções do a versão de dez anos atrás. É mais do que seus reservas podem proporcionar. Mais jogador palmeirense do que qualquer outro do atual elenco.

Como ele não vai durar para sempre, precisa só cuidar de não passar tão perto do centro do turbilhão de crises nas quais se enfiou o Palmeiras. Dizer que está com raiva de perder e só.

Talvez mais idas ao bar ajudem a acalmar.