Submarino

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Sexta-feira, Julho 11, 2008

Minha estréia no estádio

Brunna Rosa





A noite fria e de atuação apagada marcou a minha estréia nos estádios de futebol. Após uma enrolação formidável e alguns contratempos na aquisição do ingresso (havia um bar no meio caminho, no meio do caminho havia uma fila...) lá estava eu devidamente à paisana, pronta para entrar no glorioso Palestra Itália.

A noite prometia uma partida não tão difícil, sem maiores problemas para o Parmera, que recebia o catarinense Figueirense. Era estréia do novo uniforme e o retorno do Valdívia. Sim, eu veria o Mago atuando e estava confiante que ele faria um belo gol!

Na entrada, mais contratempo. Depois de revistar minha bolsa, a policial militar feminina avisou: "não pode entrar no estádio com livro". Por sorte, ela não pediu para ver o título nem para retirá-lo da bolsa. "Na próxima, você não traz". Passo por ela sem entender a medida, que me parece descabida. Hoje de manhã, o Frédi alertou que o temor da polícia é que o papel vire combustível na mão de algum torcedor que queira jogar uma "bola em chamas" dentro do estádio.

Adentro ao Palestra, onde toca Bezerra da Silva no sistema de som. Isso mesmo, o Bezerrão, mas a música eu não consegui identificar. Não sei se é regra, mas o sistema de som do estádio é horroroso.

Subo na primeira escadaria, arquibancada vermelha. Reparo que estou no meio da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) e me lembro da tentativa anterior de adquirir ingressos para assistir Palmeiras e Náutico, e a briga entre esta e outra organizada do mesmo time, a Mancha Alviverde, que terminou em gás de pimenta e bomba de efeito moral. Assim resolvo descer, ir para o outro lado do estádio (só depois reparei que dava para atravessar a arquibancada sem sair dela).

Quando subo, estou no meio da Mancha. A impressão é que esta torcida é muito, mas muito mesmo, mais animada que a outra. Animada até demais, então resolvo ficar entre os blocos, distante das duas, no meio, com uma terceira torcida organizada que tinha alguns bumbos, chamada Savóia.

O espaço estava um pouco mais vazio e tinha mais cara de "família". Logo o ambiente também mudou, mas eu fiquei.

Tudo novo e fascinante, de um lado ficava olhando a Mancha descendo e subindo a bandeirona e suas coreografias. De outro, a TUP fazia sua parte. Num misto de análise sociológica e idiotice pura, estava tão encantada com tudo, que o jogo havia começado e eu nem tinha visto!

O jogo corre, eu ainda aprendendo os cantos da torcida, procurava entender quem era dono de qual camisa em campo. Mais tarde, seguindo as orientações padrão, aproveitava qualquer deixa para xingar o juiz. Deflagrada a cota de "elogios" ao dono do apito, me considerei credenciada como torcedora.

Fim do primeiro tempo. Enquanto aguardava, o vendedor gritava "cerveja, cerveja". Por uma questão ética, não pago quatro reais em cerveja servida em copo de plástico. Por isso, me livrei de ser ludibriada pela falsa oferta. Hoje, pela manhã, me certifiquei com o Anselmo: era sem álcool.

O resultado: intervalo sem cerveja.

Com o retorno dos jogadores, chegou às proximidades um grupo de torcedores daqueles que gritam durante 45 minutos. Sugerem destinos aos jogadores ("volta pro Grêmio, Diego!"), fazendo ironias sem cessar ("tão achando que é pinbolim (sic)?"), além de incentivar o time ("é isso time, é isso time, cruza alto, porra!").

E claro, na hora do gol do Palmeiras (o que empatou a partida) pude experimentar a sensação de ver as 19 mil pessoas pulando e gritando, além da euforia que empurrou o time, que por sua vez esbarrou nas deficiências técnicas de alguns e na falta de alvo certeiro de outros. Sinceramente, não havia torcida do Figueirense.

Fazendo uma cera enorme, fazia coro com os pedidos de cartão para os jogadores do Figueirense. Que de nada adiantou, com o apito final, a torcida decepcionada se dividia entre os que não paravam com os "elogios" ao juiz, aos jogadores e as cobranças de uma vitória no clássico de domingo.

Para mim, enquanto aguardava o tumulto da saída do estádio, de certo a vitória seria mais agradável. Mas estava muito mais empolgada por ter finalmente assistido a um jogo e ter começado a entender definitivamente a tal da paixão pelo futebol, do que a sensação do resultado positivo.

Mesmo assim, fui comemorar. De lá, direto pro bar.

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Sexta-feira, Maio 30, 2008

E a insurreição continua!

Materinha do Lance! de hoje, intitulada "Resistência em todo o Brasil", comenta que a proibição da venda de bebida alcoólica nos estádios pela CBF é combatida por bares e ambulantes. Uma foto mostra engradados de lata de cerveja empilhados na arquibancada do estádio Frasqueirão, em Natal (RN), durante a partida entre ABC e Corinthians pela série B do Brasileirão (o pior é que a probição está levando à precarização da manguaça, pois a imagem mostra quatro caixas de Nova Schin e três de Primus!). A polícia não fez nada - nem em relação à proibição do consumo de álcool e nem sobre a possível utilização das latas para a violência.
O texto cita ainda que ocorreu venda clandestina de bebidas no jogo entre Flamengo e Internacional-RS, pela série A, no Maracanã. Diz a materinha: "Os únicos problemas judiciais em relação à medida da CBF aconteceram no Paraná e no Rio Grande do Norte. No Couto Pereira, uma liminar foi conseguida pelo proprietário de um bar, mas foi cassada antes da estréia do Coritiba contra o Palmeiras. Na Arena da Baixada, os bares também buscaram medidas judiciais e conseguiram garantir a venda. O Atlético-PR repassou a questão para a CBF, pois é obrigado a cumprir a decisão. E a tendência ao descumprimento da medida vai se tornando nacional". É isso aí, manguaceiros: resistir, beber, cair e levantar!

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Terça-feira, Maio 20, 2008

Dez jogos do São Paulo em um quarto de século

Sempre ouvi dizer que são-paulino não vai a estádio - e acho que deve ser verdade. Folheando o "Almanaque do São Paulo", de Alexandre Costa (Editora Abril, 2005), consegui recapitular, um a um, todos os jogos do meu time que paguei ingresso para assistir. E a freqüência não é nada admirável: em 25 anos, compareci na arquibancada em apenas dez partidas do São Paulo. Se existe algo de positivo é que, nestas ocasiões, vi o tricolor paulista ser derrotado apenas uma vez, na final do Brasileiro de 1989, no Morumbi, pelo Vasco da Gama - sim, senhores, eu vi in loco o fatídico gol de cabeça de Sorato (foto acima).

A primeira vez que vi o São Paulo de perto foi aos 9 anos, em 27 de julho de 1983, em Taquaritinga (SP). A partida era válida pelo Paulistão e eu entrei em campo com os jogadores. Lembro de ter pedido autógrafo até para o técnico Mário Travaglini, que achou graça (devia ser muito raro, para ele, esse pedido). Agnaldo abriu o placar para o tricolor no primeiro tempo e Sena empatou para o time da casa no segundo. Final: 1 a 1. No Paulistão seguinte, em 15 de novembro de 1984, o São Paulo voltou a Taquaritinga com sua grande atração naquele semestre, Casagrande. Eu estava lá e também garanti seu autógrafo. Casão não decepcionou: abriu o placar logo aos 26 minutos de jogo (Pita e Renato "Pé Murcho" completaram o 3 a 0).

Já em 4 de fevereiro de 1987, meu pai me levou para conhecer o Morumbi. De quebra, pude testemunhar a imortal linha de ataque Muller-Silas-Careca-Pita-Sidney (foto acima). Era a segunda partida das oitavas do Brasileirão de 86 e o São Paulo eliminou a Inter de Limeira por 3 a 0, com dois do Silas e um do Careca. No final daquele mês, o tricolor venceria o Guarani nos pênaltis, em Campinas, e conquistaria seu segundo título nacional.

Depois disso, só voltei ao estádio para ver meu time em 16 de dezembro de 1989, na já citada decisão do Brasileiro (1 a 0 para o Vasco). Aos 18 anos, deixei a casa dos meus pais e fui morar em Ribeirão Preto (SP). No prazo de um ano, o time do Telê tinha conquistado o Brasileiro, o Paulistão e a Libertadores. Fui ao Santa Cruz em 30 de julho de 1992, para assistir São Paulo x Botafogo-SP, que abriu o placar com Bira. Foi uma dureza para meu time empatar, mas Muller garantiu o 1 a 1 naquele confronto do Paulista (que o tricolor também conquistaria). Após o empate, choveu pedrada em cima dos são-paulinos. Saímos do estádio escoltados.

Quando fui fazer faculdade em Campinas, vi dois jogos, ambos pelo Brasileirão e contra o Guarani, no Brinco de Ouro: em 19 de novembro de 1993 (vitória por 1 a 0, gol de Guilherme) e em 1º de setembro de 1999 (outra vitória, 3 a 2, gols de França, Souza e Marcelinho Paraíba, com desconto de Luiz Fernando e Marcinho). Daí me mudei para o Ceará e veio um longo "jejum" de São Paulo no estádio. De volta às terras paulistas, reencontrei meu clube no Morumbi, em 15 de julho de 2006, contra o Figueirense. Ricardo Oliveira abriu o placar, Tiago Prado empatou para os catarinenses e André Dias, aos 46 do segundo tempo, fechou em 2 a 1.

No ano passado, em 7 de julho, levei minha filha mais velha, Letícia, para conhecer o Morumbi (exatamente duas décadas após o meu pai ter feito o mesmo por mim). São Paulo e Flamengo fizeram um belo jogo, com várias finalizações perigosas. Ilsinho perdeu um gol feito no último minuto (foto ao lado), mas o resultado foi mesmo 0 a 0. Para completar, voltei ao estádio em 1º de setembro, sendo premiado com um 6 a 0 sobre o Paraná, com dois gols de Aloísio, dois de Dagoberto, um de Souza e outro de Leandro. Vamos ver, agora, se me animo a assistir mais dez jogos no estádio nos próximos 25 anos. Mas, sem cerveja, acho muito difícil...

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Quinta-feira, Maio 15, 2008

Sem latinha no estádio

O texto abaixo foi enviado pelo Ivan Moraes Filho, do blogue Bodega. O drama relatado já foi debatido aqui e também pelo Marcão no Papo de Homem, mas continua a polêmica. Proibir bebidas alcóolicas no estádio serve pra que mesmo?

Era uma noite de quarta-feira como muitas outras. Mais uma vez, vestia a camisa rubro-negra do Sport. Mais uma vez, chegava à Ilha do Retiro várias horas antes do início da partida. A gente fica sempre por ali, na sede do clube, tomando uns goles de cerveja e fazendo a resenha pré-jogo. Quem vai jogar, quem não vai. Como será o esquema tático, quanto será o jogo. Quem é o juiz?

Ontem, porém, o assunto era outro.

“Vai vender cerveja lá dentro?” era pergunta constante. Afinal de contas, poucos dias antes a Confederação Brasileira de Futebol determinou que em partidas de campeonatos nacionais seria proibida a venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. Mesmo sabendo dessa tragédia, a gente fazia que não acreditava. Que isso devia ser coisa lá de São Paulo, Rio de Janeiro. Enfim, a gente acha que só pode acontecer com os outros.

Dito e feito. Subindo as escadas que dão acesso às cadeiras, o bar vazio denunciava a norma em vigor.

Mas a gente não quer acreditar no que vê.

Para ler o restante do texto, clique aqui.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

Pedreiro enterra camisa no estádio do rival


Não é futebol, mas imagina se fosse: Um pedreiro, identificado pela Associated Press como sendo Gino Castignoli, enterrou uma camisa do Boston Red Sox, time de beisebal (esse desconhecido) dos EUA nas obras do estádio do New York Yankees para dar ao rival na liga nacional estadunidense. A mandinga foi descoberta e a camisa desenterrada será enviada para Boston junto com uma outra de um ídolo dos Yankees, onde serão vendidas num leilão beneficente.

(com informações do Estadão)

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