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Hoje de manhã, ainda meio dormindo, vejo na mesa da sala a Folha de hoje com entrevista com o cientista político Charles Murray que defende que testes de QI apontam para uma diferença do nível de inteligência entre as raças, com vantagem para os brancos (que surpresa!).
Murray, hoje membro do American Enterprise Institute, chamado pela Folha de “conservador”, publicou em 1994 o livro “The Bell Curve” (A Curva do Sino, editora Free Press), escrito com o psicólogo e professor de Harvard Richard Herristein, falecido no memso ano. No livro, afirmam que testes de QI apontavam diferenças entre raças, com brancos se saindo em média melhor do que negros.
Segundo ele afirma, “existem dados vindos de muitos países africanos e de diversos testes”, com resultados “muito confiáveis: ao longo dos países da África Sub-Sahariana, são extremamente baixos”. Ele considera a demissão de Watson do Laboratório Cold Spring Harbor e o cancelamento de uma palestra sua no Museu de Ciências de Londres “uma desgraça”: “Afinal, o homem está discutindo uma questão intelectual polêmica. É isso que a ciência deve fazer”.
O cara tem a pachorra de dizer que o aumento da desigualdade no econômica é fruto da desigualdade de inteligência, o que equivale a dizer que os estúpidos negros nasceram para servir os inteligentes brancos: “são os cérebros! Não só a educação, mas cérebros estão se tornando cada vezes maia valiosos no mercado de trabalho”.
Na televisão, sou avisado que um trio de cretinos universitários foi preso no Rio por agredir uma prostituta. Os caras pararam o carro, chamaram a moça e jogaram espuma do extintor do carro nela. Foram soltos após algumas horas.
Minutos depois, vejo do ônibus publicidade de um produto para cabelos que diz (a citação é de memória): “Todos têm direito a cabelos lisos e naturais. Alcance a beleza da vida”.
E ainda é só segunda-feira...
PS.: A Folha, no abre da entrevista com o tal Murray, diz que a polêmica criada pelas declarações do geneticista James Watson continua. Pergunto: que polêmica? O cara falou uma bobagem racista e, segundo o resumo da história feito pelo próprio jornal, centenas de cientistas se manifestaram, a maioria contrários, e Watson foi demitido e se retratou em artigos posteriores. Fim. De que polêmica o jornal está falando? Polêmico é desenterrar um cara que lançou um livro em 1994 em que defende essa tese da superioridade intelectual dos brancos. Qual o interesse em dar destaque para esse cara? Será que as declarações dele contrárias ao sistema de cotas adotado nos EUA tem algo a ver com isso?





















