Destaques

sexta-feira, março 12, 2010

PQFMTMNETA 10 - Furacão 2008 (2008)

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Breve introdução aos que não conhecem a série: PQFMTMNETA é abreviação para "Parece que faz muito tempo, mas nem é tanto assim". Nesse espaço, mostraremos eventos do futebol acontecidos há, no máximo, cinco anos, que causaram polêmica na sua época, e que depois caíram no esquecimento.

Parece que faz muito tempo, mas nem é tanto assim - Furacão 2008 (2008)
rolablog.zip.net
No romântico e cada vez mais distante futebol do passado, obter feitos memoráveis não era algo tão difícil assim. Justamente pelo conceito de "memorável". Hoje, os times só querem saber de Libertadores e, se der tempo, um Campeonato Brasileiro; por isso algo anteriormente épico como títulos estaduais, por exemplo, nos dias de hoje acabam caindo em desprezo.

Por conta disso, não é raro vermos clubes de hoje igualando ou até mesmo superando feitos do passado. É só verem esse Santos de 2010, que atingiu a marca de 10 vitórias seguidas: se esse time não for campeão de tudo o que disputar esse ano, de que valerá a marca? Nada, rigorosamente nada!

E foi exatamente isso o que aconteceu com o Atlético-PR em 2008. O Campeonato Paranaense daquele ano começou e o Atlético derrotou, de maneira initerrupta, a Rio Branco, Real Brasil, Engenheiro Beltrão, Coritiba, Cascavel, Paraná, Portuguesa Londrinense, Adap e Londrina e, finalmente, em 16 de fevereiro, enfiou inapeláveis 8x1 no Iguaçu.

A goleada igualava uma marca histórica que o Atlético havia obtido em 1949 - e que foi o que rendeu o apelido de "Furacão" ao clube. Foi justamente essa sequência que fez com que o rubro-negro paranaense obtivesse o apelido que carrega até os dias atuais.

Veio então a rodada seguinte e a diretoria atleticana, conhecida pela sua tradição marketeira, criou uma baita festa. Convidou os jogadores de 1949 para o evento, e eles entraram em campo acompanhados dos de 2008. A bola rolou e o Atlético venceu mais uma vez: tá certo que foi um magro 1x0 sobre o Cianorte, mas foi o suficiente para que aquele time alcançasse a marca e entrasse pra história do rubro-negro.

Entrar pra história mesmo? Tem certeza? Não necessariamente! Justamente pelos fatores que elenquei no começo do post: depois do "feito", o Atlético-PR de 2008 acabou não fazendo nada de muito relevante ao longo de toda a temporada. Acabou a primeira fase do estadual na liderança, mas no fim das contas perdeu o título para o arqui-rival Coritiba; foi bizarramente eliminado da Copa do Brasil pelo Corinthians do Alagoas, em plena Arena da Baixada; ficou apenas em 13º lugar no Brasileiro, quatro posições abaixo do rival coxa-branca; e na Sul-Americana, não foi além da segunda-fase.

O técnico daquele time era Ney Franco, que hoje treina curiosamente o Coritiba. E os "craques" eram nomes como Pedro Oldoni, Irênio e Danilo, hoje zagueiro do Palmeiras. No elenco atual, apenas Claiton e Netinho fizeram parte daquele grupo que "fez história" - ainda que para derrubar mitos do passado, mas fez.

O patético desespero tucano

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Sem discurso econômico ou social, nem sobre ética (após o panetone do DEM) e nem sobre gestão e eficiência (após a explosão da criminalidade, dos pedágios e das enchentes em São Paulo), os tucanos estão partindo para aquilo que eles mais conhecem: a baixaria. Depois da escrotidão em adesivos e camisetas, o desespero atinge o ápice do risível, agora, com a busca do Google: digite mentiroso e o primeiro endereço a aparecer será o perfil do presidente Lula no Wikipedia. Como diria Hebe Camargo, "que gracinha!".

quinta-feira, março 11, 2010

O cerco aos manguaças continua

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Ser um manguaça, no Brasil, está ficando cada vez mais complicado. Ter uma infinidade de estabelecimentos que oferecem bebida e um bom papo não significa, necessariamente, que você pode frequentar todos. Antigamente, o bebum podia selecionar seu reduto por questões ideológicas: sempre evitava bares com "aquela velharada tucana dos infernos" ou "aqueles estudantes petistas insuportáveis". A escolha podia ser futebolística: "como tem corintiano chato naquele buteco", "mas que barzinho bambi, não vou lá de jeito nenhum!" etc etc. Tinha aqueles que não bebiam em lugares que só vendiam Kaiser ou Nova Schin. Que não tinham nenhuma comida "segura". E outros que não suportavam bar com karaokê, ou muito iluminados, ou onde não vai mulher, ou muito lotado, enfim, havia critérios plausíveis e para todos os gostos. Hoje não há opção, há cerco. Exclusão.

Numa cidade do tamanho de São Paulo, buteco longe é problema. É caro chegar lá, o trânsito emperra e, se depender de transporte público, meia-noite é o limite. Por isso, os manguaças começaram a se afeiçoar por bares no caminho do trabalho ou de casa (e vice-versa). E nem sempre são bons ou agradáveis - apenas é menos complicado ir até eles. Essa é uma das exclusões. As outras começaram há alguns anos, com uma ofensiva conservadora que lembra regimes fascistas. Em 2008, o desgovernador de São Paulo, José Erra, digo, Serra (PSDB), proibiu o cigarro no bar. Não vamos discutir o mérito da questão, apenas concluir que, se tinha quatro bares no caminho do trabalho ou da casa para o pinguço, agora ele se obriga a ir só naquele em que é possível fumar sentado, na calçada (no meu caso, só conheço dois: o Gaspar e o da esquina da Benedito Calixto, ambos no bairro Pinheiros).

Não importa se o cachaça fuma ou não; com certeza, conhece muitos amigos (e principalmente amigas...) que fumam. E ficar levantando toda hora pra acender cigarro e interromper a conversa é, para citar o filósofo Emerson Leão, desagradável. Somando com as tradicionais idas ao banheiro, não há tempo para falar nada. E agora a seleção de bares vai ficar ainda mais trabalhosa. Além de ficar perto e de liberar a fumaça na calçada, vai ter que ser do tipo que não cobra porcentagem para o garçom ou que funcione no esquema self service (você vai até a geladeira e pega sua cerveja, como no saudoso Bar do Vavá). Porque a Comissão de Assuntos Sociais do Senado acaba de dar parecer favorável ao projeto de Marcelo Crivella (PRB) instituindo gorjeta de 20% para o garçom, após as 23h, em bares, restaurantes e similares. Ou seja: se você gastar R$ 50, por exemplo, vai ter que desembolsar mais R$ 10. O preço de duas saideiras.

Já saquei, o sistema quer nos obrigar a beber e fumar só em casa. De preferência, assistindo novela ou Big Brother. E, no país da piada pronta, a comissão que deu o tal parecer é de "Assuntos Sociais". Mas tá ficando cada vez mais difícil para nós, manguaças, se socializar...

Milan imita o Naviraiense

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Rooney, o destaque da partida. Esse vai dar trabalho na Copa . Ao fundo, o desolado goleiro Abiatti






Ops, é um pouco forçada a comparação, até porque há mais que um continente de diferença entre a Copa do Brasil e a Liga dos Campeões.
Mas se for analisado o resultado, os ingleses do Manchester fizeram 7 a 2 no placar agregado das duas partidas. No jogo de ontem, os comandados de Leonardo nem viram a bola, tiveram pouquíssimas chances de gol e vão demorar muito para engolir a lavada.

Pode-se alegar a falta do zagueiro Nesta e de Alexandre Pato, desfalques importantes, mas a situação de Leonardo à frente do time piora muito quando se nota que o time italiano, precisando da vitória, ficou atrás no placar o tempo todo, quase sem chances.

Com a desclassificação do Real Madri para o Lyon, ficou claro também que os times ingleses são favoritíssimos a esta edição da Liga (o que pode ser confirmado por nossa correspondente Thalita).

Fica claro ainda que Kaká, em má fase, dificilmente vai carregar o piano da seleção na Copa. O que, contraditoriamente, aumenta um pouco (quase nada, pelo teimosismo de Dunga) as chances de Ronaldinho Gaúcho.

Outro que ontem também não foi bem. Está certo que o Milan só cria em jogadas dele, mas ainda está longe, bem longe, do craque que já foi. O problema é que acho que não temos ninguém melhor para a Copa.

Defender tudo bem, mas desistir de ganhar não dá

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Jogo fora de casa, Libertadores, 2.600 metros de altitude, empate em 1 a 1. Aos 46 minutos do segundo tempo, com 3 de acréscimo já anunciados pelo árbitro, o visitante tem um escanteio pra cobrar. Bola na área pra ver se arranca um golzinho mágico, certo? Errado, pelo menos na estratégia do Corinthians de Mano Menezes. Jorge Henrique cobrou curto para Souza, que enrolou com a bola e jogou nas pernas do zagueiro para ganhar outro escanteio. E tome mais enrolação.

Esse é o símbolo do empate desta quarta-feira entre Corinthians e Independiente de Medellín, em Bogotá. Pela primeira vez nesse ano, a postura do time de Mano Menezes conseguiu furar o bloqueio de meu otimismo e me irritar profundamente.

O time foi para a partida fora de casa com uma estratégia declarada: não deixar o adversário jogar. Até aí, não sou entusiasta, mas respeito a cautela. Mas não sabia que também estava no pacote desistir de tentar ganhar o jogo.

A escalação já deixava clara a intenção. Com Alessandro machucado, Mano colocou Marcelo Mattos na lateral, coisa que nunca antes havia ocorrido. Aproveitou e sacou Tcheco do time e montou o meio de campo com Ralph, Elias, Jucilei e Danilo. Praticamente só volante. E o único meia ajudava a marcação, bem como o incansável Jorge Henrique.



Assim, o Corinthians passou boa parte do jogo tocando bola de lado, sem arriscar nada, e sem ser muito ameaçado pelos donos da casa. Cozinhou o jogo em fogo lento até que, numa jogada fortuita, uma bola desviada enganou Chicão e caiu no pé de César Valoyes, que abriu o placar para o Independiente, aos 30 do segundo tempo.

E essa é minha crítica a todas as retrancas do mundo: você se mata para evitar que as jogadas sejam construídas e pode ter 100% de sucesso nisso, mas tem coisas que não dá pra controlar. O atacante estava impedido? Foi por acaso que a bola enganou Chicão? Felipe quase defendeu? Pois é, essas coisas acontecem, especialmente quando você recua e faz o adversário jogar no seu campo.

Enfim, atrás no placar, Mano desfez sua barreira humana, colocando Morais no lugar de Mattos (Jucilei foi para a lateral) e Dentinho no lugar de Danilo (cansado). Para completar, sacou o inoperante Ronaldo e colocou Souza, que pelo menos corre. Percebam que eu não faço questão que Ronaldo corra. Ele pode muito bem jogar parado e fazer a diferença, mas o problema é que ontem não acertou nem passe de três metros. Faz parte, mas é bom o Gordo acordar.

O time acelerou, passou a jogar no campo do Independiente e chegou ao empate com um golaço de Dentinho, de fora da área, aos 40 minutos. Aí, o Timão foi pra cima pra virar, certo? Errado. Fiel a sua proposta de (não) jogo, segurou o empate até o fim, culminando com a palhaçada de JH e Souza nos minutos finais.

O time é líder de seu grupo na Libertadores, com 4 pontos. Tem uma vitória em casa e um empate fora, bons resultados. Mas é bom achar logo um jeito de jogar antes que o caldo entorne.

A hístória se repete?

No ano passado, no dia 12 de março, eu escrevia sobre vitória do Timão contra o São Caetano no Paulista. O clima era diferente, com a recente estréia de Ronaldo, que vinha fazendo gols e empolgando. O time ainda vacilava, sem encontrar uma formação ideal, mas parecia que as coisas estavam mais perto de se acertarem.

Por outro lado, após o empate contra o Santo André, na semana seguinte, o Maurício escrevia sobre a tendência do time de se contentar com pouco. O trecho a seguir mostra o clima do nobre autor então e também um pouco do meu hoje: “Entendo que o Mano Menezes tenha que ter cuidado e avançar passo a passo, na medida das pernas. Mas se não começar a puxar a responsabilidade da moçada de ganhar e bem os jogos, de mostrar que futebol se faz partindo pra cima e querendo o gol, vamos continuar patinando em jogos terríveis como este.”

Paradoxalmente, a mesma sensação é a que alimenta meu otimismo. Pois esse mesmo time que patinava numa excessiva preocupação defensiva, foi campeão paulista algumas semanas depois com belíssimas atuações nas finais, consolidando um jeito de jogar que foi o melhor e mais eficiente do país no primeiro semestre do ano passado. Espero que a coisa vá por esse caminho.