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sexta-feira, novembro 24, 2006

Profissional é outra coisa

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Uma e meia da tarde (meio-dia e meia, se desconsiderarmos o horário de verão), sol forte, trinta e poucos graus e um puta calor abafado. Entro no botequinho com os únicos - e últimos - 7 reais para encarar o almoço na promoção. Lá dentro, o forno: mais de 20 pessoas se espremem em meia dúzia de mesinhas, num espaço de 2m x 5m. Sem janelas. A chapa funcionando a todo vapor, a sensação térmica subindo mais uns 5 graus.
Cheiros diversos: alho, gordura, óleo vencido, suor, fumaça e feijão queimado. Pego o único lugar existente, numa mesinha ao lado da entrada do banheiro (banheiro?), com umas caixas de cerveja empilhadas. Faço o pedido e, em seguida, chega para sentar na mesma mesa um tiozão engravatado, crachá no pescoço, uniforme de porteiro e bigodinho anos 50. Chega e já grita: "-Dá uma costela. E uma branquinha pra abrir o apetite".
Depois de derrubar um pouco pro santo, o figura entorna o conteúdo de uma só golada e estala os beiços. "-Tá calor, hoje", comenta, como se só agora, naquela fornalha, ele tivesse se tocado disso. Chega o pedido do cidadão, uma das costelas mais gordurosas que já tive a oportunidade de presenciar, e ele forra o prato com metade do vidro de pimenta. Despeja a travessa de feijão inteira por cima e começa a pescar os pedações de gordura da outra tigela. Sem pestanejar, ordena: "-Traz um Cynar. Dose dupla!". Vem um copão americano quase transbordando.
Por trás do meu comportado bife com fritas, com um inocente guaraná, observo o homem devorar a pantagruélica refeição, sorvendo aos poucos aquela densa beberagem, num calor dos infernos. Lembrando das sábias palavras do companheiro Glauco, penso comigo: "-É nessas horas que se diferenciam os homens dos meninos!!!".

2 comentários:

Olavo disse...

Um dia quero chegar nesse nível.

Glauco disse...

Eu não quero chegar nesse nível não...