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segunda-feira, setembro 28, 2009

Som na caixa, manguaça - Volume 44

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O PATRÃO MANDOU
(Composição: Paulinho Soares)

Paulinho Soares

O patrão mandou cantar com a língua enrolada
Everybody, macacada! Everybody, macacada!
E também mandou servir uísque na feijoada
Do you like this, macacada? Do you like this, macacada?
E ainda mandou tirar nosso samba da parada
Very good, macacada! Very good, macacada!

Não sei o que é que o patrão tem debaixo da cartola
Que a gente não se solta, ta grudado feito cola
No fim das contas, o patrão manda e desmanda
E ainda faz do Rei Pelé mais um garoto-propaganda

O patrão mandou cantar com a língua enrolada
Everybody, macacada! Everybody, macacada!
E também mandou servir uísque na feijoada
Do you like this, macacada? Do you like this, macacada?
E ainda mandou tirar nosso samba da parada
Very good, macacada! Very good, macacada!

O patrão é fogo! Ele é quem dá as cartas, banca o jogo
Tá metendo sempre o bico no fubá, qual tico-tico
No troca-troca, o patrão que é mais rico
Já levou o Rivellino e vem depois buscar o Zico

O patrão mandou cantar com a língua enrolada
Everybody, macacada! Everybody, macacada!
E também mandou servir uísque na feijoada
Do you like this, macacada? Do you like this, macacada?
E ainda mandou tirar nosso samba da parada
Very good, macacada! Very good, macacada!

(Do LP "Paulinho Soares", Continental, 1978)

Ps.: Vejam o artista - que faleceu em 2004, aos 60 anos - e os anárquicos Trapalhões zombando da nossa macaquice estadunidense:

terça-feira, janeiro 19, 2010

Som na caixa, manguaça! - Volume 48

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SAI DESSA
(Natan Marques / Ana Terra)

Elis Regina
(* 17/03/1945 . + 19/01/1982)

Sonhei que existia uma avenida
Sem entrada e sem saída pra gente comemorar
Toda hora, todo dia, toda vida

Na tristeza e na alegria, sem platéia e sem patrão
Hoje eu sonhei que cerveja sai da bica
No banheiro não tem fila nem existe contramão
Que o trabalho é ali na nossa esquina
E depois do meio dia, nem polícia e nem ladrão

Sonhei, como faço todo dia
Como você não sabia, meu senhor não levo a mal
A beleza, o amor, a fantasia
O que tece e o que desfia não se aprende no jornal

Hoje eu sonhei, mas não vou pedir desculpas
E nem vou levar a culpa de ser povo e ser artista
Sem essa, moço, por favor não crie clima
Seu buraco é mais embaixo nosso astral é mais em cima

(Do LP "Vento de Maio", EMI, 1980)

terça-feira, março 10, 2009

Som na caixa, manguaça! - Volume 35

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BEBEDEIRA (1)
(Composição: Lucas/ Luan)

Zezé di Camargo e Luciano

Não entendo por que é
Que o coração da gente
Quando menos esperamos
Por alguém ele se prende
Por exemplo, esse é meu caso
Vacilei, marquei bobeira
E agora meus amigos
É aquela bebedeira!
Apaixonado, alucinado
E dominado por esse amor

(Do CD "Zezé di Camargo e Luciano", Sony, 2003)

BEBEDEIRA (2)
(Composição: Rick e Renner)

Rick e Renner

Tô chegando no rodeio
Procurando diversão
Tô traiado, tou no meio
Da galera de peão

Abre o brete, solta o bicho
Deixa levantar poeira
Bate palma e dá um grito
A galera da bebedeira

É bebedeira, é bebedeira
É só zoeira, é só zoeira
Toda festa de peão
É curtição, azaração
É mulherada de primeira

É bebedeira, é bebedeira
É só zoeira, é só zoeira
A noite é feita pra zoar
Vamos pular, vamos cantar
O resto é pra segunda-feira

Bebo com moderação
A de garrafa ou de latinha
Dou uma pro coração
Quando a menina tá na minha

Jogo o meu chapéu pro céu
Quando acerto na cantada
Dou um trato na cautela
E deixo ela apaixonada

Onde tem festa de peão
Meu coração vira cowboy
Leva fumo da paixão
Só se machuca e dói-dói

Dou um boi para entrar
Uma boiada pra não sair
Bate palma e dá um grito
Quem não quer sair daqui

(Do CD "Só nós dois", Warner, 2004)

quarta-feira, abril 08, 2009

Som na caixa, manguaça! - Volume 37

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PEQUENO PERFIL DE UM CIDADÃO COMUM
(Belchior/ Toquinho)

Toquinho

Era um cidadão comum
Como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria
Via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol
A noite e não a lua

Acordava sempre cedo
Era um passarinho urbano
Embarcava no metrô
O nosso metropolitano
Era um homem de bons modos
"Com licença", "Foi engano"

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte
Pensando em vencer na vida

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde
A sensação da missão cumprida

Acreditava em Deus
E em outras coisas invisíveis
Dizia sempre "sim"
Aos seus senhores infalíveis
Pois é, tendo dinheiro
Não há coisas impossíveis

Mas o anjo do Senhor
Do qual nos fala o livro santo
Desceu do céu pra uma cerveja
Junto dele no seu canto
E a morte o carregou
Feito um pacote no seu manto

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte
Pensando em vencer na vida

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde
A sensação da missão cumprida

(Do LP "Pequeno perfil de um cidadão comum", Philips, 1978)

sexta-feira, novembro 07, 2008

Som na caixa, manguaça! - Volume 27

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TEMA DO AMOR POR GABRIELA
(Tom Jobim)

Todos os dias esta saudade, felicidade cadê você
Já não consigo viver sem ela
Eu vim à cidade pra ver Gabriela
Tenho pensado muito na vida
Volta bandida, mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdôo com raiva e amor

Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol

Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce, é meu sal
Mas quem sou eu nessa vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval

Casa de sombra, vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor

Do LP "Tom Jobim e Convidados", Philips/PolyGram, 1985.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Som na caixa, manguaça! (Volume 2)

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Moda da pinga
Inezita Barroso
(Composição: Ochelsis Laureano e Raul Torres)

Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dô meus taio
Pego no copo e dali num saio
Ali memo eu bebo, ali memo eu caio
Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!

Venho da cidade, já venho cantando
Trago um garrafão que venho chupando
Venho pros caminho, venho trupicando
Chifrando os barranco, venho cambeteando
E no lugar que eu caio já fico roncando, oi lá!

A muié me disse, ela me falô
Largue de bebê, peço pro favô
Prosa de muié nunca dei valor
Bebo com o sor quente pra esfriá o calô
E bebo de noite que é pra fazer suadô, oi lá!

Cada vez que eu caio, caio deferente
Me arço pra trás e caio pra frente
Caio devagar, caio derrepente
Vou de currupio, vou deretamente
Mas sendo de pinga eu caio contente, oi lá!

Pego o garrafão e já balanceio
Que é pra mor de vê se tá mesmo cheio
Num bebo de vez porque acho feio
No primeiro gorpe chego inté no meio
No segundo trago é que eu desvazeio, oi lá!

Eu bebo da pinga porque gosto dela
Eu bebo da branca, bebo da amarela
Bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja quarqué tempo vai pinga na goela, oi lá!

Eu fui numa festa no rio Tietê
Eu lá fui chegando no amanhecê
Já me deram pinga pra mim bebê
Já me deram pinga pra mim bebê, tava sem fervê

Eu bebi demais e fiquei mamado
Eu caí no chão e fiquei deitado
Aí eu fui pra casa de braços dado
Ai de braços dado, ai, com dois sordado
(Ai, muito brigado!)

(do CD "Sou mais Brasil", CPC-UMES, 1999)


terça-feira, setembro 15, 2009

"Eu aqui nessa meta..."

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Tenho empreendido uma busca infrutífera nos últimos tempos, e conto com os leitores do Futepoca e com a comunidade manguaça nacional para obter sucesso no projeto. À história:

Faz tempo, bastante tempo mesmo, chutaria algo em torno de 15, 16 anos. Eu estava assistindo a um programa esportivo da TV Cultura que falava sobre a preparação da seleção brasileira de handebol que ia disputar uma grande competição (Olimpíadas? Mundial?). A matéria era boa e explicava como estava sendo realizado o treinamento dos atletas.

Então se iniciou uma apresentação do trabalho específico dos goleiros. Mostraram os dois (ou mais) arqueiros (dá pra usar esse termo também no handebol?) dando seus saltos, pulando nas bolas, fazendo exercícios físicos, aquela coisa. A reportagem - em tom bem humorado - contava que a vida de goleiro do handebol não era nada fácil, e para ilustrar isso mostrou várias boladas que os jogadores levam em diferentes partes do corpo (inclusive "lá", caro leitor do sexo masculino).

Nesse momento, a reportagem se baseou nas cenas dos goleiros treinando enquanto uma musiquinha tocava de fundo. É aí que eu quero chegar. A música em questão era um sambinha bem divertido, divertido mesmo. Falava sobre um tema tão cotidiano quanto espinhoso para os praticantes de pelada Brasil afora - o inevitável revezamento no gol. Sim, porque a não ser que você seja um mau caráter, não importa o quanto você tenha de habilidade com os pés: chegará um momento, durante a partida, em que você terá que atuar como goleiro.

A música contava o quanto é doloroso permanecer embaixo dos paus (no bom sentido) enquanto uma bela partida de futebol desenha-se centímetros adiante. No refrão, a frase mais importante: "dribla o zagueiro, toca de calcanhar... e eu aqui nessa meta, olhando a bola passar... e eu aqui nessa meta, olhando a bola passar...". Trocadilho sensacional!


Acontece que nunca mais ouvi a música nem vi qualquer referência a ela.

"Procura no Google, seu tonto!". Claro que já fiz isso. Mas nada de obter resultado. O site insiste em me dar a seguinte resposta: Você quis dizer: eu aqui "nessa mesa"

E então não chego a lugar nenhum.

Se alguém conhecer a música (ou mesmo se lembrar da reportagem), eu ficarei muito feliz. E será dada uma grande conbtribuição ao repertório futebol-MPBístico - que, se não chega a ser um "Som na caixa, manguaça!", tem também muitas preciosidades.

Pra ilustrar (?) o post, um vídeo que não tem rigorosamente nada a ver com o assunto e eu nem sei direito do que se trata. Mas é que ele apareceu na busca por "futebol" e "samba" no Google. Aparentemente, fala sobre jogadores brasileiros na Turquia. Se alguém sacar direito o que acontece, agradecemos também.

quarta-feira, novembro 11, 2015

Manguaça medicinal

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(Da parede de um buteco na região da Praça da Sé, no Centro de São Paulo)


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Som na caixa, manguaça! (Volume 14) - "Boteco do Arlindo"



segunda-feira, setembro 22, 2008

Som na caixa, manguaça! - Volume 25

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Os melhores músicos sobem ao palco, os melhores músicos tocam num bar
(Oswaldo Montenegro)

Que canção se cantar num bar?
Pra quê?
Calendário sem data o bar
Me olhando assim tonto
Esperando a primeira emoção nascer
Gritar pra ir pro tombadilho
Em busca de ar puro
Me ama que eu juro que 'inda sei amar
Como amam nas catedrais
Os reis que não sabem cantar
E vós sabeis o que é ter a voz
E não ter mais a sensatez
De estar no momento propício
O ofício na voz é trazer benefício ao hospício de Deus
Que cantava entre as canções de adeus
Misturava talvez os sons
Dos seus com os nossos perdões
Me perdoa e não diz a Zeus
Que nós já não temos o Olimpo
E o nosso tesouro é garimpo sem ouro
E o coro de um bar
É a reza com fé sem Deus

(Do CD "Mulungo", Som Livre, 1992)

quinta-feira, novembro 14, 2013

Som na caixa, manguaça! - Volume 73

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SOY LATINO AMERICANO

(Composição: Zé Rodrix)



ZÉ RODRIX

Não acordo muito cedo
Mas não fico preocupado
Muita gente me censura
E acha que eu estou errado
Deus ajuda a quem madruga
Mas dormir não é pecado
O apressado come cru
E eu como mais descansado...

Soy latino americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano...

Meu caminho pro trabalho
É um pouco mais comprido
Eu vou sempre pela praia
Que é muito mais divertido
Chego sempre atrasado
Mas eu não corro perigo
Quem devia dar o exemplo
Chega atrasado comigo
E diz:...

Soy latino americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano...

É legal voltar pra casa
Mas eu não volto correndo
Quem tem pressa de ir embora
No transporte vai morrendo
E eu que não me apresso nunca
PRO MEU BAR EU VOU CORRENDO
E encontro a minha turma toda
Sentada na mesa dizendo assim...

Soy latino americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano...

Quando eu abro a minha porta
Muita gente está jantando
Quando eu ponho a minha mesa
Muita gente está deitando
Eu me arrumo e vou pra rua
E na rua vou achando
Muita gente que trabalha
Se divertindo e cantando
Assim:...

Soy latino americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano...

(Do LP "Soy latino americano", EMI-Odeon, 1976)


quinta-feira, dezembro 02, 2010

Som na caixa, manguaça! - Volume 62

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CHUVA, SUOR E CERVEJA
(Caetano Veloso)

Caetano Veloso

Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...

A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...

Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...

A gente se embala
Se embora, se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...

(Do LP "Muitos Carnavais", Philips, 1977)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

'Raul bebia pra não saber que tava nessa merda toda'

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Raul internado: morte precoce aos 44 anos
Depois que instalaram uma TV que acessa o Youtube (sem merchan, por favor) lá em casa, desisti de vez de assistir os canais abertos ou pagos e mergulhei nos milhões de vídeos postados por internautas. Numa dessas, trombei com uma entrevista do Plínio, irmão único - e mais novo - do finado Raul Seixas. Ao ser questionado sobre o que teria levado o "Maluco Beleza" a tal ponto de alcoolismo, que o matou aos 44 anos, Plínio resume (o grifo é meu): "Raul tinha uma mágoa enorme com o ridículo, com a mesmice, com a idiotice que tá por aí - e que ainda tá, e que tá até pior. É bom que ele nem esteja mais [aqui]. Porque piorou bastante de lá pra cá, né. (...) Eu não quero falar muito, não, porque eu sou um pouco do lado dele nessas coisas. Mas Raul bebeu também porque... ele era meio tedioso, já, com isso. Isso aqui já não tava mais legal pra ele. Como ele disse: 'Enquanto vocês tão com as cercas do quintal, assento a sombra sonora de um disco voador'. Ele tava além disso tudo, das fronteiras, dos países, das cercas que separam quintais. [A música] 'Ouro de tolo' diz bastante a ideia da cabeça dele. Ele tá muito além disso tudo. Ele não era pra tá aqui. Ele bebia pra esquecer, pra não saber que tava aqui nessa merda toda."


Raul com o vaidoso conterrâneo Caetano
Em outro trecho da mesma entrevista, Plínio afirma que a música "Meu amigo Pedro", um dos maiores "hinos" do raulseixismo, foi feita pra ele - embora haja a especulação de que o "mago" Paulo Coelho, co-autor da canção, tenha direcionado a letra para seu pai, Pedro Queima Coelho. De qualquer forma, registrei acima a opinião de Plínio Seixas sobre o motivo do alcoolismo de Raul porque coincide com um depoimento do Chico Buarque ao jornal espanhol La Vanguardia, de 2005, que recuperei aqui no blog outro dia (o grifo é meu): "Eu nunca vi um movimento geral de idiotice como o de hoje. Já vivemos quase duas décadas de idiotice globalizada. A idiotice nos rodeia, eu mesmo tenho medo de ficar idiota". Pois é. Difícil imaginar Raul Seixas num mundo de Big Brother, Luciano Huck, carnaxé, funk ostentação, sertanejo universitário, coxinhas, anonymous, redes (anti)sociais etc etc etc. Nesse mundo em que todo mundo se leva muito a sério, que "se acha". Como vovó já dizia, em "As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor", "Acredite que eu não tenho nada a ver/ Com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira" - tirando um sarro do conterrâneo baiano Caetano Veloso, que sempre se levou MUITO a sério - tanto que deu o título de "VERDADE tropical" para sua autobiografia, quando mais parece uma "VAIDADE tropical"...

Enquanto Caetano olha para o próprio umbigo, Raul preferia fazer careta no espelho

E como "É fim do mês", termino esse post com os versos de outra obra-prima raulseixista que tem esse título, e que tem tudo a ver com a tal idiotice ressaltada pelo Plínio e pelo Chico (os grifos são meus): "Mas não achei!/ Eu procurei!/ Pra você ver que procurei/ Eu procurei fumar cigarro Hollywood/ Que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso/ Eu sou sucesso!/ Eu sou sucesso!/ (...)/ Eu consultei e acreditei no velho papo do tal psiquiatra/ Que te ensina como é que você vive alegremente/ Acomodado e conformado de pagar tudo calado/ Ser bancário ou empregado sem jamais se aborrecer". Um brinde ao grande Raul. Porque eu também já não quero mais nem saber que tô aqui, nessa merda toda...



LEIA TAMBÉM:









quarta-feira, maio 15, 2013

Som na caixa, manguaça! - Volume 70

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SE GANHO NA LOTECA
(J.Velloso/ Andó)


Se ganho na loteca tomo todo mé
Boto fogo no barraco depois dou no pé

Eu vou plantar bananeira no meio da praça
Vão me aplaudir
Vou contar piada velha e pra me agradar
Vocês vão ter que rir
Vou passar a ser bacana, pois com essa grana
Tudo é natural
Vou trocar champanhe por Brahma, caviar por cana
Vou ser genial


(Compacto, gravadora Continental)


quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Som na caixa, manguaça! (Volume 9)

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É bom parar


Altamiro Carrilho
(Composição: Rubens Soares/ Noel Rosa)

Por que bebes tanto assim rapaz?
Chega, já é demais
Se é por causa de mulher
É bom parar
Porque nenhuma delas
Sabe amar

Se tu hoje estás sofrendo
É porque Deus assim quer
E quanto mais vai bebendo
Mais lembras desta mulher
Não crês, conforme suponho
Nestes versos de canção:
"Mais cresce a mulher no sonho, oi
Na taça e no coração"

Sei que tens em tua vida
Um enorme sofrimento
Mas não penses que a bebida
Seja um medicamento
De ti não terei mais pena
É bom parar por aí
Quem não bebe te condena, oi
Quem bebe zomba de ti

(Do LP “Altamiro Carrilho e sua bandinha na TV”, Copacabana, 1970)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Som na caixa, manguaça! - O retorno (Volume 16)

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OS BÊBADOS
Marcus Dias (na foto, com Isaac Cândido)

Isaac Cândido

Sábado
É o dia dos bêbados
E das moças católicas
Que vão para a missa rezar pra quem sabe encontrar algum
Bêbado
Aquele cara simpático
Quando não está estático
Sentado na mesa de um bar a tentar encontrar algum
Método
De burlar o estético
De furar o ilógico
E de tentar conquistar uma moça que não sabe nada dos
Bêbados
Aqueles caras exóticos
Que misturam os tópicos
E que promovem o riso que eu sempre tentei mas agora estou
Bêbado
Procurando meus métodos
Misturando meus tópicos
E tentando enganar os que não sabem nada de nada dos
Bêbados

(Do CD "Isaac Cândido", de 1999)

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Som na caixa, manguaça! - Volume 66

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LÁGRIMAS ALCOÓLICAS
(Composição: Dee Diedrich)

Pelebrói Não Sei?

Tens mesmo certeza que essa angústia vai passar
Que serás feliz tendo dinheiro pra gastar
Um Corsa usado e sujo em frente ao portão
Missa aos domingos, ver televisão
(HA, HA...)

Conquistar o mundo sem sair do teu sofá
Ser bem conhecido, ter piadas pra contar
Visitar parentes, casamentos, batizados
Décimo terceiro pra curtir o feriado
(de Natal)

Tudo é tão legal, basta não olhar
E seguir fingindo sonhos encontrar
Futebol na quarta, férias no verão
Lágrimas alcoólicas pra pedir perdão
(HA, HA...)

Conquistar o mundo sem sair do teu sofá
Ser bem sucedido, ter bobagens pra falar
Visitar parentes, funerais e batizados
Décimo terceiro pra curtir o feriado
(em Natal)

Tudo é tão legal, basta não sonhar
Sonhos são pra loucos que querem amar
Futebol na quarta, férias no verão
Lágrimas e cólicas pra pedir perdão
(HA, HA...)

(Do CD "Lágrimas alcoólicas", Barulho Records, 2003)

quinta-feira, setembro 17, 2009

Som na caixa, manguaça - Volume 43

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PAGODE DO GAGO
(Composição: Gracia do Salgueiro/ Gaguinho)

Gracia do Salgueiro

Fui a um pagode na casa do gago
E o rango demorou a sair
Acenava pra ele e ele mais que que que
Que que que que que que guenta aí

O pagode foi crescendo
Sob a luz de um lampião
Com cuíca e pandeiro
A moçada batia na mão
A atração da brincadeira
Era a nega do gago sambando
Mas a fome também era negra
Ninguém mais tava aguentando

E o cara da viola
Deu bobeira e caiu pelo chão
O gago pulava, sorria e gritava
Que que que que que toma mais um limão

Toma mais um limão
Que que que que que que você fica bão
Toma mais um limão
Que que que que que que você fica bão

(Do LP "Gracia do Salgueiro", 1987)

quarta-feira, julho 11, 2007

Som na caixa, manguaça! (Volume 15)

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Forró de Surubim

(José Batista e Antonio Barros Silva)
Jackson do Pandeiro
Se ajunta os “bebo”
Do forró de Surubim
Pra fazer fuim
Para dar alteração
Por qualquer besteira
Puxa a faca, fura o fole
Vão lá dentro tomar gole
De cachaça com limão
É, mas Surubim
Que é homem destemido
Não tem medo do perigo
Empunha a faca na mão
Faz uma rosca
Na ponta do bigode
Com ele ninguém pode
Só ele é valentão
Surubim diz que o forró
Só está mais animado
Quando o pau está comendo
Quando o fole está furado
Quando apaga o candeeiro
Quando é grande a confusão
Quando vê a concertina
Passando de mão em mão
Quando vê os “bebo” mole
De cachaça com limão


(Do CD "20 Super Sucessos", Sony Music, 1999)

quarta-feira, março 21, 2007

Som na caixa, manguaça! (Volume 12)

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Mesa de Bar


Marlene
(Composição: Gianfrancesco Guarnieri/ Toquinho)

Mais uma noite foi passada
Se despede a madrugada
Hoje o sol não tem calor
Essa gente tão cansada
Esperando quase nada
Implorando por favor
Um canto seu, sua morada
Ter talvez a namorada
Um pouquinho de amor

É na mesa de um bar
Que se bebe ilusão
Que se sofre demais
Que se pede perdão

É na mesa de um bar
Que se engana a razão
Que a saudade
Maltrata o coração

(Do LP “Botequim – Trilha sonora da peça teatral”, RGE, 1973)

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Som na caixa, manguaça! - Volume 81

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Totalmente em prantos

(Evandro Mesquita/Ricardo Barreto)

BLITZ

Baby, andei bebendo por aí
E sei que não devia ter voltado
Mas é que eu tenho
Outra vez o coração atropelado
Me desculpe se eu te amolo
Baby, please me dê colo

Todo vestido bonitinho
E não tenho onde cair
Todo vestido bonitinho
E sem nenhum lugar pra ir

Eu tenho um fusca meia nove que fala
Tem headfone, toca-fitas no porta-mala
Eu tenho um quarto de gasolina no tanque
Várias gatas do ranking
Baby, eu tenho quase tudo que quero
Só não tenho você

Quando dei por mim
Estava perto do fim
À beira do abismo
Chorava pelos cantos
Quando dei por mim
Eu estava totalmente em prantos

Eu vi sua foto numa revista para homens
Proibida pra menores de vinte e um
Na folhinha de janeiro
Na parede do borracheiro

Eu chorei quando vi

Baby andei bebendo por aí...

Eu trouxe um vinho tinto barato
Barato mas bom me disseram
Eu tenho um pouco fumo
Que uns amigos me deram
Baby, eu tenho quase tudo que quero...

Só não tenho você

(Do LP "As aventuras da Blitz", EMI, 1982)