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Destaques
terça-feira, agosto 25, 2015
Contrato de professora exigia: 'Não beber cerveja, vinho ou uísque'
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sexta-feira, março 08, 2013
Mulher de malandro, de samba - machismo na música
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A canção popular reflete e respalda valores sociais de todas as naturezas. Assim acontece com questões de gênero. Em tempos de MC Katra, de sertanejos universitários que, se te pegam, ai, delícia, é curioso fazer um mergulho histórico na música brasileira e encontrar peças de um sexismo medieval estampado em cores vivas.
Diversas listas já foram feitas. A História Sexual da MPB virou até livro - e vai muito além desse aspecto, mas as questões de gênero são complicadas no universo musical desde antes do tempo do Estado Novo.
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, um ano depois da polêmica sobre a lei antibaixaria na Bahia que pretendia proibir exibições públicas custeadas com dinheiro público que incluam músicas machistas, separamos algumas das acusadas, com ou sem razão, de propalarem ideias machistas.
Machismos escondidos em cenas de ciúmes e arroubos de possessividade masculina ficaram para outro post. Nas selecionadas, seja por retratar, seja por difundir esse tipo de concepção (em geral, o ouvinte é quem "decide" em qual das hipóteses enquadrar), elas são clássicas. Mas talvez não possam ser executadas em qualquer show na terra de Jacques Wagner e ACM Neto...
Gol anulado
"Gol Anulado", de João Bosco e Aldir Blanc começa com uma cena que, hoje, poderia ser enquadrada na Lei Maria da Penha. "Quando você gritou 'Mengo', no segundo gol do Zico tirei sem pensar o cinto e bati até cansar". A confissão sem remorso da agressão é seguida de uma explicação que, longe de querer excusar a violência, só tenta explicar as razões para tanta decepção. "Dois anos vivendo juntos, e sempre disse contente: 'Minha preta é uma rainha, porque não tem o batente. Se garante na cozinha e ainda é Vasco doente'". Além de não poder trabalhar, a mulher teria de se anular até na preferência clubística... Cantada por Elis Regina a história soa toda outra. Mas a cena de violência é a mesma.
Na subida do morro
Agressão também é descrita, em condição ainda mais inusitada, em "Na subida do morro", de Moreira da Silva. Nesse percurso, "me contaram que você bateu na minha nega, e isto não é direito: bater em uma mulher que não é sua". Strito sensu, se agredir uma mulher é crime, bater em uma "mulher que não é sua" certo não é. Mas a composição faz graça ao deixar no ar que tapas e sopapos na própria senhora seriam outro departamento. O malandro admite uma biografia cheia de malícia, sai para tirar a satisfação com o "amigo" que "deixou a nega quase nua". Por tudo isso, fica na lista.
Ai Que Saudades da Amélia
No Dicionário Aurélio, Amélia se tornou sinônimo de "mulher que aceita toda sorte de privações e vexames sem reclamar, por amor a seu homem". No Houaiss, "mulher amorosa, passiva e serviçal".
Considerando-se que "Adeus Amélia" é nome de bloco de pré-carnaval em São Paulo, está claro que "Ai Que Saudades da Amélia", de Mário Lago e Ataulfo Alves, não poderia figurar fora desta lista. Aquela que não tinha a menor vaidade, que passava fome ao meu lado e achava bonito não ter o que comer; que, ao contrário da atual parceira e interlocutora, não tinha saltada a veia consumista nem cobrava mundos e fundos do pobre rapaz...
A questão poderia dar-se por consagrada por maioria de votos, mas segundo uma singela e curiosa nota de 2001, a homenageada era Amélia dos Santos Ferreira, lavadeira de Almeidinha, irmão de Araci de Almeida. Consta que tinha dotes de cozinheira, arrumadeira e outras que tais, tudo sem achar ruim, e ganhando pouco. "Na brincadeira na roda de amigos do Café Ópera, no centro do Rio, vaticinou-se: tão perfeita, não poderia ser de verdade", segundo outra nota. Da empregada ultraexplorada para a desfeita com a namorada (ou esposa) foi liberalidade dos compositores.
Anos depois, Mario Lago disse que "todos nós somos Amélia ou Amélio", especialmente "quando se está apaixonado, sendo homem ou mulher, se aceita tudo, não se faz exigência". Mas a fama foi toda para a conta do machismo.
Emília
De Wilson Batista e Haroldo Lobo, "Emília" é muito mais subserviente do que Amélia, mas passou ao largo de virar adjetivo no dicionário. Sem poder viver sem a moça que lhe preparava café todo dia e era prendada nos afazeres do lar, escapava a informação de que ela já não estava mais lá, porque a letra diz que sem Emília "já não posso mais".
Mas, ao pedirem, em 1940, a Papai do Céu "uma mulher que saiba lavar e cozinhar, que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar", talvez não imaginassem que ganhariam resposta, bem menos popular e conhecida. "Loucas pela boemia", de Bide e Marçal, do ano seguinte, saiu-se com "Emília diz que não é mais a mesma" e que "Emília enlouqueceu", porque "diz que vai viver sambando" e "saiu gritando: quem não pode mais sou eu".
Mulheres de Atenas
Provavelmente a mais injustamente acusada de machismo é um líbelo feminista. De Chico Buarque, o rei do eu-lírico feminino, e Augusto Boal - criador do Teatro do Oprimido -, Mulheres de Atenas data de 1976, como trilha sonora de peça homônima para o teatro. Consta que o próprio Chico Buarque, em uma entrevista à TV Cultura, teve de explicar a ironia: "Eu disse: mirem-se no exemplo daquelas mulheres que vocês vão ver o que vai dar. A coisa é exatamente ao contrário". (Venhamos e convenhamos que a camisa florida e aberta da gravação de 1976, abaixo, não ajuda a demover a ideia...)
Com açúcar, com afeto
Já que Chico Buarque foi para o alvo, outra acusada com frequência é "Com açúcar, com afeto", composta a pedido de Nara Leão. Segundo o compositor, a intérprete pediu uma "música sobre uma mulher daquelas, daquelas que esperam". Recebeu nos conformes. Uma das cenas descritas até coincide com a canção listada anteriormente. O mau-caráter enrola a esposa dizendo que tem que trabalhar duro, para no bar, canta samba, passa a tarde olhando rabos de saia, fala de futebol e chega em casa naquele estado:
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coraçãoE ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratadoAinda quis me aborrecer? Qual o quê!
Mulher e amor de malandro
Há diferentes composições com esse título. Na de 1932, de Heitor dos Prazeres, a "Mulher de malandro sabe ser carinhosa de verdade", porque "quando mais apanha, a ele tem amizade". É fato, admite a composição, que "ela briga com o malandro" e, "enraivecida, manda ele andar". Mas logo "ela sente saudade e vai procurar", porque "sempre apanhando e se lastimando, perto do malandro, (ela) se sente bem".
Por outro lado, gravado em 1980, a "Mulher de Malandro" de Geraldo Filme, mostra um pedido do trabalhador negro que, sem emprego e temendo o fiscal da prefeitura, desiste; decide ir embora. E pede à parceira que aguente, porque "mulher de malando não chora".
De outro monstro do samba, Ismael Silva, em coautoria com Francisco Alves e Freire Júnior, "Amor Malandro" estampa logo: "Se ele te bate é porque gosta de ti, pois bater em quem não se gosta eu nunca vi".
terça-feira, janeiro 17, 2012
Estupro no BBB: como fica a rede Globo?
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segunda-feira, janeiro 16, 2012
O estupro no BBB
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quarta-feira, setembro 28, 2011
O machismo nosso de cada dia ou Gisele Amélia Bündchen
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Hoje a comunidade virtual brasileira está fervilhando com o debate sobre a legalização do aborto. O assunto começou por conta da Campanha 28 de Setembro pela Despenalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe, que inspirou posts em muitos blogs, feministas ou não.
sexta-feira, junho 03, 2011
Neste sábado tem Marcha das Vagabundas em SP
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Depois do Churrascão de Gente Diferenciada, outra mobilização bem humorada, mas muito séria acontece neste sábado, em São Paulo. Trata-se da “Marcha das Vagabundas”, versão brasileira (ainda que não do Herbert Richers) de uma mobilização originada no Canadá chamada Slut Walk ( a tradução é essa mesmo) que visa denunciar a culpabilização das vítimas de estupro.
A manifestação começou, segundo o site oficial, por conta de uma declaração de um policial numa palestra em uma universidae de Toronto que, numa palestra de prevenção contra abusos sexuais, disse que as mulheres não deveriam se vestir como vagabundas (sluts) para não serem vítimas de estupro. As moças então foram para as ruas com roupas das mais variadas e cartazes com dizeres como “Não me diga oq eu devo vestir, diga aos homens para não estuprarem” – que entra para a série “difícil ou fácil?”.
O resumo é esse: as mulheres têm o direito de usar e fazer o que quiserem e não serem estupradas no processo. De novo, difícil ou fácil?
Em matéria da Rede brasil Atual, Solange De-Ré, uma das organizadoras da marcha brasileira, afirma que julgar uma pessoa pela roupa é retrógrado. "Não é a roupa que causa o estupro, por exemplo, é a mente doentia de um homem que sente prazer no medo e humilhação que uma mulher sente nessa hora", diz.
A matéria informa ainda que a Slut Walk já foi realizada em outros países como Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Holanda, Nova Zelândia. Neste sábado haverá novas edições norte-americanas, em Los Angeles e Chicago, além de outra canadense (Edmonton), e também em Estocolmo (Suécia), Amsterdã (Holanda) e Edimburgo (Escócia).
Menção honrosa
Na linha dos manifestos bem humorados, legal esse garoto britânico de 12 anos que decidiu ir à escola usando saia para protestar contra a proibição de uso de bermuda na instituição. O moleque leu o novo regulamento de vestuário da escola e viu que não havia nada proibindo garotos de irem de saia. Juntou uma galera e boralá. Conseguiu que a escola discutisse uma revisão do regulamento, segundo essa matéria do IG. Cheers!
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Lugar de mulher, ao sair do campo de futebol, é a cozinha
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A pérola acima é uma leitura possivel da cobertura da Band do Torneio Internacional Cidade de São Paulo de Futebol Feminino. Ou melhor, do acordo de patrocínio. A melhor em campo leva um Kit de produtos Bombril, a marca da palha de aço com mil e uma utilidades. Quem avisou foi o João Peres.
Na partida contra o Canadá em que houve empate, ninguém menos do que Marta, a melhor jogadora do mundo por três anos consecutivos e favorita para sagrar-se pela quarta vez, ganhou os presentes por ser a Craque da marca. Que prêmio!
A companhia acredita que pode "valorizar a atuação da mulher em diferentes áreas" com a campanha. O problema é que dando um kit de produtos, reforça-se a ideia de que, ao deixar o gramado, espera-se das atletas que cheguem em casa para fazer faxina. Pior do que essa ideia, só a troça de Dudeef, no Twitter, que sugeriu uma vassoura para a pior em campo. Seria bem mais de mau gosto.
Disputado por seleções, com jogos no estádio do Pacaembu e final previsto para este domingo, 19, a competição teve, além dos países citados, Holanda e México.
Falando (mais) sério
Antigamente, quando jogo de futebol era ouvido por aparelhos sonoros movidos a pilha – quiçá transistorizados –, o melhor em campo levava um motorádio pela Rádio Globo. A empresa nem existe mais com esse nome. Já houve ocasião em que jogos de pneus e outros serviços automotivos eram oferecidos. Houve até trena que patrocinava o gol – sem falar em marca de tinta que faz merchã do melhor lance de cada etapa da partida.
O foco, obviamente, era menos incentivar o atleta do que divulgar os produtos para os torcedores. No caso do equipamento de som automotivo, poderia até ser, já que era um tempo em que jogador ganhava menos, mas, assim como hoje, queria status. Mas ninguém esperaria que camisa 10 de time nenhum empunhe rolo de lã e brocha para dar uma demão de tinta em sua casa.
A mesma função tem o patrocínio da Bombril, alcançar a audiência mais do que as atletas. O torneio transmitido pela emissora é apenas o primeiro patrocinado pela marca de produtos para o lar. O Torneio Internacional de Clubes também terá o mesmo apoio, o que é uma notícia boa, considerando um esporte como o futebol feminino que necessita de patrocínio para se desenvolver mais no país. Não se sabe o kit permanecerá.
Mas será que a maior parte da audiência é de mulheres? Se for, que bom. Mas era mesmo necessário associá-las à segunda jornada de trabalho, em casa, cuidando do asseio? Assim como a maior parte dos patrocinadores atuais, era só apoiar o esporte e deixar a parte do brinde – e das piadas subsequentes – pra lá.
segunda-feira, março 08, 2010
Eu não gostaria de um Dia Internacional do Homem
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Bom, se a maioria pensa o contrário e está muito feliz e satisfeita hoje, com um sorriso nos lábios, como diria o finado Gonzaguinha, também sei que muitas partilham no todo ou em parte com minha visão e que sabem, para além disso, que a valorização da mulher é no dia a dia, e não em um só dia. Que a mudança de atitude é mais importante que meia dúzia de rosas e discursos demagógicos. Por que tantos beijos e parabéns se, no Brasil, as mulheres tem mais escolaridade mas ganham 72,3% a menos que os homens? Se as que tem nível superior ganham ainda menos? Se são excluídas de profissões ditas "masculinas"? Ou bem pior que isso: se no Brasil a violência contra a mulher aumentou quase 50%, entre 2008 e 2009? Tem rosas e parabéns que amenizem essa situação? Sei lá, tudo me parece ainda mais hipócrita e agressivo do que nas datas manjadas (e impostas) do calendário comercial - Dia das Mães, dos Pais, das Bruxas etc. Às mulheres, meu modo pessoal de expressar toda a gratidão e reconhecimento é justamente dizer que vocês são trilhões de vezes maiores e mais importantes do que essa data burocrática e banalizada. Todos os dias são seus. Enquanto, como disse Gilberto Gil, os homens seguem vivendo a ilusão de que ser homem basta e que o mundo masculino tudo lhes dá. Reverências sinceras a todas vocês.
terça-feira, junho 26, 2007
Ana Paula de Oliveira e Simone de Beauvoir
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O título da publicação pode ser estranho, mas estou devendo um post sobre o tema (aliás recorrente) que se segue, aos companheiros e, principalmente, a todas as mulheres do blog, ou seja, Thalita. E, claro, a nossas colaboradoras nos comentários, entre as quais a “eminência parda” Carmem.
Começando pela Ana Paula de Oliveira. Para mim, descontando os dotes físicos admirados por muitos (ou não, dependendo do caso), a moça tem outras qualidades. A discussão sobre se ela pode ou não, deve ou não ser promovida a árbitra é um debate desfocado. Por quê? Porque é lógico que deve e pode. Afinal é, tecnicamente, uma das melhores banderinhas (hoje se diz auxiliares) do estado de SP.
Sendo assim, se ela tem ambição de ser juíza, nada mais justo que seja. Já que falamos do deplorável Heber Roberto Lopes abaixo, por que esse infeliz pode apitar e ela não?
Preparo físico
Quanto ao preparo físico, é ou seria absurdo exigir de uma mulher o mesmo desempenho físico de um homem. Se fosse assim, homens e mulheres poderiam competir na mesma maratona, por exemplo, e não haveria modalidades femininas e masculinas no atletismo ou outros esportes.
O problema da Ana Paula não tem nada a ver com ela ser mulher. É o mesmo problema de Márcio Rezende de Freitas e Carlos Eugênio Simon: árbitros tecnicamente bons, mas cujas intenções me parecem muitas vezes obscuras em jogos-chave. Não precisa lembrar de exemplos de arbitragens desses dois senhores, né.
Gosto da Ana Paula tecnicamente, mas ela protagonizou alguns episódios estranhos. Por exemplo, o gol do Tevez absurdamente anulado em 2006 (Palmeiras x Corinthians, pelo Paulista) e o do Jonas contra o São Paulo na Vila, este ano. A intenção das duas decisões (provavelmente não da Ana Paula, mas de superiores dela) parecia ser evitar, nos dois casos, que o Santos disparasse na liderança (o Palmeiras precisava vencer em 2006 e o São Paulo no mínimo empatar em 2007), pro campeonato continuar emocionante. Ela parece aquele tipo de profissional da arbitragem escolhido a dedo para determinadas situações. Caras de esquema, embora (ou talvez por isso mesmo) reconhecidamente competentes.
Futebol feminino
Com o perdão da prolixidade, falta falar de futebol feminino. O que eu disse em comentários anteriores (e faz tempo queria escrever sobre isso) está a anos-luz de distância de ser contra, ou de ser uma postura machista. Pelo contrário, apóio, acho que deve ter patrocínio, espaço na mídia e ser viabilizado pela CBF, que não está nem aí.
Mas, particularmente, eu não gosto de assistir, e só isso. Assim como não gosto de vôlei masculino, que acho chato (só tem força bruta); como gosto de tênis, seja feminino ou masculino; como não gosto de boxe feminino; como não gosto (a não ser grandes e/ou decisivos jogos) de basquete, tanto masculino como feminino.
“Pão ou pães, é questão de opiniães” (Guimarães Rosa).
Simone de Beauvoir
Se tem uma escritora que eu li muito e adoro (e já escrevi sobre) é Simone de Beauvoir, autora de O segundo sexo, Memórias de uma moça bem comportada, Balanço final, A cerimônia do adeus, A convidada e muitos outros, só para ficar em alguns grandes livros dessa romancista e ensaísta que dispensa comentários e que alguns jornalistas, inclusive franceses, toscamente diziam ser “a mulher de Sartre”.
Por isso tudo é que fiquei bastante contrariado ao ser chamado de machista, semanas atrás.
Pronto, esclareci (espero).