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De vez em quando, o São Paulo arranja uma pedra no sapato que não sai de lá em toda a temporada. Em 2002, o Corinthians deitou e rolou nos jogos contra o São Paulo, e não foram poucos. Em 2006, o time não ganhava do Internacional nem por decreto. Nesse ano, esse time parece ser o Fluminense (ou seria o Washington em particular?). Depois de eliminar o rival paulista na Libertadores, o Flu, instalado na zona de rebaixamento do Brasileiro desde a primeira rodada, venceu o São Paulo por 3 a 1 no Maracanã, mesmo com desfalques e e a polêmica em torno do caso Dodô.
Não que dê para comparar o time de 2006 com o atual. O de dois anos atrás era muito melhor, o que dá contornos mais nítidos a essa dificuldade com um só adversário. Nessa temporada, o time tem estado irregular demais para falar que o problema é só o Fluminense. Mas não dá para negar que fica uma marca. No returno, não importa a posição dos clubes na tabela, todo mundo vai lembrar que o Fluminense só se deu bem em cima do São Paulo. Todas as matérias vão falar de revanche, do quanto vai ser importante ganhar.
E o jogo de ontem não começou com essa cara. Os dois times jogavam de igual para igual, mas a partida estava com cara do oxo. Duas chances não muito claras de gol para cada um dos lados e só. Já no segundo tempo o São Paulo voltou com força, criou mais e logo aos 3 minutos abriu o placar, com Hugo. Foi o que precisou para o Fluminense reagir. Washington empatou de pênalti (e deve ter saído pensando "por que diabos não bati assim contra a LDU?"), virou depois de receber a bola sozinho na área e fuzilar Rogério e ainda teve tempo para sacramentar no final, com um gol meio atabalhoado, com zaga, goleiro e atacante juntos quase dentro do gol. De quabra, ainda fica a idéia de que o São Paulo ressucitou o Fluminense. Que tristeza!
Muricy Ramalho saiu irritadíssiomo com o time, com toda a razão. Depois de levar o empate o São Paulo apagou em campo. Ninguém mais corria, o número de passes errados aumentou demais. O Éder Luis, coitado, até tentava, mas além de não ter companhia, não tem bala para resolver sozinho.
Nesse campeonato de irregularidade, não dá para achar que tudo está ruim para o Tricolor. Mesmo com a derrota, o time só sai da zona de classificação para a Libertadores se o Vitória conseguir um ponto contra o Cruzeiro. E mesmo que isso aconteça, a queda vai ser de apenas uma posição (valeu Flamengo!). Mas esse ano, classificar para a Libertadores parece ser o único objetivo realmente plausível.
Para o outro Tricolor também nada está perdido. Mais uma vitória e o Fluminense deve sair da zona do rebaixamento. Se bobear, daqui a pouco o time vai aparecer na parte de cima da tabela.





Tinha tudo preparado para minha estréia neste novo e nobre espaço. Não que eu seja um entusiasta admirador do são-paulino Felipe Massa. Até pelo contrário. Quem leu meu perfil sabe de quem sou fã, mesmo! Mas infelizmente já se vão 17 anos que Nelson Piquet Souto Mayor descalçou as sapatilhas e guardou a balaclava. De qualquer maneira, seria um bom começo no site, com um brasileiro vencendo pela sétima vez no travado e enfadonho circuito de Hungaroring. Até já me preparava para chamá-lo de Brasilring. Mas quando tudo parecia resolvido, eis que os fantasmas da pista magyar resolveram aprontar mais uma. A três voltas do fim, o até então confiável propulsor de Massa foi pelos ares, produzindo fumaça e lágrimas no rosto do piloto que estava prestes a colocar as mãos na liderança do championship (acima). Aliás, sou de um tempo em que piloto não chorava. Nem quando ficava preso entre as frágeis ferragens de outrora. Mas deixemos isso para lá. Em matéria de lágrimas, prefiro as de Jade Barbosa.
Voltando aos virabrequins, não é de hoje que o autódromo húngaro prega peças em pilotos que já se imaginavam ouvindo o hino no pódio. A primeira vítima foi Nigel Mansell. O arrojado e estabanado inglês passeava pelo circuito contando os minutos para mais uma vitória na temporada de 87. Até que, em um trecho intermediário, o Williams 5 começou a sambar feito bêbado em final de desfile de carnaval. No pit-stop, um mecânico descuidado não apertou a porca de uma das rodas do carro do bigodudo como o manual manda. Para desespero do inglês, o rival e desafeto Nelson Piquet (à direita) conquistou a segunda vitória consecutiva no autódromo húngaro, o primeiro de um país da extinta cortina de ferro a receber o milionário e capitalista circo da F-1. Na época, houve quem desconfiasse que Piquet havia dado uns trocados para o mecânico desastrado. Como isso nunca se provou, a história entrou para o folclore da categoria. A vitória na Hungria foi a plataforma do tricampeonato do maior piloto brasileiro de todos os tempos.
Em 2006, outro ilustre competidor passou por mico semelhante ao de Mansell. Então lutando pelo seu segundo título mundial, o marrento espanhol Fernando Alonso viu seu campeonato se complicar após um simples pit-stop. Contrariando a célebre máxima de Karl Marx, dessa vez "a história não se repetiu como farsa". Outro mecânico desatento não apertou como deveria uma das porcas da roda do Renault do asturiano. Com o carro descontrolado, Alonso abraçou a barreira de pneus. A prova, disputada sob chuva e coalhada de acidentes, dessa vez foi vencida por um inglês. Jenson Button (à esquerda) redimiu seus conterrâneos e faturou aquela que é até hoje sua única vitória na F-1. Se isso serve de consolo para o chorão Massa, Hungaroring não conseguiu impedir que Hill, Mansell e Alonso entrassem para o fechado clube dos campeões mundiais de F-1. Massa tem boas chances de conseguir sua carteirinha. Sorte dele que Hungaroring só tem uma vez por ano...
A exceção talvez seja o campeão mundial de 1982, Keke Rosberg (à direita). O ex-piloto da Fittipaldi e da Williams ostentava um belo e hoje fora de moda bigodão. Além da fisionomia, aparência e talento, os finlandeses têm outro gosto comum. Aliás, uma qualidade muito apreciada por este blogue: a manguaça. 
Sou Chico Silva, jornalista, santista, wilderista (alguém que é louco por Billy Wilder) e, acima de tudo e todos, nelson-piquetista. Aliás, devo o interesse no jornalismo ao Piquet (que aparece na foto, de branco, trocando "afagos" com Eliseo Salazar). E é engraçado: escrevi sobre quase tudo nessa vida, menos sobre F-1 - até o Futepoca me pôr na pista. Iniciei minha carreira no Lance!, em 1997. Depois passei pelo IG, um mês, e IstoÉ, sete anos, na qual atuei nas editorias de Brasil e Comportamento. Aí fui ver como era a vida do lado de lá do balcão. E nesse caso não era o do bar, infelizmente. Fiz assessoria para o ministro do Esporte nos Jogos Pan e Parapan-americanos e depois integrei a equipe de jornalistas que produziu o relatório oficial do governo federal sobre o Rio 2007. Ah, ia esquecendo um detalhe relevante: fui jurado da primeira edição do Boteco Bohemia de São Paulo, realizado em 2004. No Futepoca, não poderia omitir tal informação. Abraço a todos e até minha primeira coluna, nesta segunda-feira, com a análise do GP da Hungria!












