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O programa Grandes Momentos do Esporte, da TV Cultura, recuperou neste domingo um especial de 1996 sobre Enéas Camargo (foto), grande ídolo da Portuguesa de Desportos e com passagem por Bologna e Palmeiras, que morreu em um acidente de carro em 1988, aos 33 anos, quando defendia os últimos trocados pelo Central de Cotia. Em minha infância, era um dos jogadores que mais temia quando o São Paulo tinha de encarar o Palmeiras. Rápido, driblador, goleador. Mas, também, foi precursor desse tipo de atleta que não gosta de treinar, que "dorme" em campo e que adora a noite, a bebida e as mulheres.
Conta Sílvio Moredo, ex-diretor da Lusa, que, durante uma partida contra o Santa Cruz, em Recife, Enéas fez de tudo para ser substituído ainda no primeiro tempo. Cinco minutos após descer para o vestiário, já estava na arquibancada de banho tomado e acompanhado por três garotas. "Ele tinha combinado com elas antes da partida. Dei-lhe um sermão no ônibus", diz Moredo. Badeco, ex-colega na Portuguesa, ressalta que as melhores qualidades de Enéas eram o drible curto e a capacidade de advinhar o principal defeito de seus marcadores quando partia em direção ao gol. Assim, sempre driblava em cima da "perna ruim" do adversário.
"Eu dizia que ele devia explorar mais esse potencial, mas nunca gostou de treinar. Ele respondia: '-Ah, deixa pra lá. Vamo tomar uma cervejinha!'. E ia mesmo", lembra Badeco, rindo. Pois, quando conseguiu ir para a Itália, em 1980, Enéas se viu privado de todas as facilidades e fez as malas em menos de um ano, mesmo com proposta vantajosa da Udinese. Decisão errada: assinou às pressas com o Palmeiras, que passava por um dos piores períodos de vacas magras. Quando saiu do Parque Antarctica, em 1984, perambulou por uma série de times pequenos, numa triste decadência. Mesmo assim, marcou época. E merece a lembrança e a homenagem.