Compartilhe no Facebook
Foi pelo post do Frédi, ontem, que fiquei sabendo da morte do ex-volante Chicão (foto), titular do São Paulo na década de 1970, que assumiu a posição de Roberto Dias, outro que se foi recentemente. Longe de mim contestar sua violência em campo, eternizada pelo lance em que pisa cruelmente sobre a perna quebrada do meia Ângelo, do Atlético-MG, na decisão do Campeonato Brasileiro de 1977. Em divididas com Chicão, como diria o "China" Juarez Soares, "cada enxadada era uma minhoca". E se hoje condenamos a postura do palmeirense Kleber, não podemos aliviar a barra do ex-volante, agora falecido. Mas devemos contextualizar o futebol daquela época, muitas vezes considerado "pra macho". Não que hoje a violência seja menor, claro. Porém, vejamos o brilhante texto de Marcelo Rezende (aquele) e Mílton Costa Carvalho para a revista Placar, em 1980, sobre a decisão do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Atlético-MG. Foi o primeiro relato jornalístico do que que se dizia dentro de campo e, assim, começamos a entender que, se Chicão era "bandido", nenhum outro era "mocinho". Confiram, com grifos meus:
Começa a partida. O Flamengo parte para a primeira falta, prometida por Tita: um pontapé no joelho de Jorge Valença. Éder corre, Nunes também:
– Calma – diz Nunes – que aqui é o Maracanã e te meto porrada.
São três minutos e o Atlético desce para o ataque. Júnior acerta a perna de Chicão, que retruca:
– Não avança não, filho da ..., que vou te pegar.
(...)
Júnior balança a cabeça. Raul incentiva e protesta:
– Aqui não tem homem? Isso não é gol que se tome. Vamos entrar firme, dar porrada. Cadê os homens?
Corre a partida. Chicão manda pôr na roda, Chicão pega Zico, que reage:
– Olha aqui, se me pegar de novo eu te quebro. Vai pra...
Chicão coloca o dedo na cara de Zico:
– Sossega, guri.
(...)
Outro gol de Reinaldo – machucado, capenga, ele empata o jogo. Instala-se uma crise na defesa do Flamengo. Um xinga o outro, Zico grita:
– Agora vamos ganhar. Quero um time de macho. Nesta porra mando eu.
(...)
Reinaldo cai em campo – sente o músculo, faz cera, xinga a mãe do juiz.
José de Assis Aragão revida:
– Quebro a cara desse moleque. Tá expulso!
Do túnel, Reinaldo adverte:
– Cuidado, vai ser gol! Faz a falta em Nunes. Mata ele, Silvestre!
Nunes invade, Silvestre hesita. João Leite grita:
– Quebra ele, pega firme!
Gol de Nunes, o gol do título. Em seguida, Chicão é expulso. Palhinha, também:
– Tá satisfeito, seu juiz de merda? Você queria o Flamengo, não é mesmo?
Nunes ri:
– Calma, garotada, que agora é que a festa vai começar.
Zico emenda: – Vai tomar seu banhinho lá dentro e deixa o campeão dar seu baile.
(A íntegra está aqui)






























