Texto do companheiro Airton Goes, jornalista e integrante do Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira, sobre o protesto citado aqui contra as 493 mortes ocorridas em maio de 2006. Absurdos que não mereceram cobertura da grande mídia (a alternativa, como a revista Fórum, foi atrás) nem repúdio das vestais e "cansados" de plantão.
O velório e o trânsito
Airton Goes
Jesus, João, Marcos, Lucas, Mateus... Ao todo, 493 nomes colados em pequenos “caixões” de cartolina preta. Velas acesas e um pequeno grupo de pessoas. Assim poderia ser resumido o velório realizado na última sexta-feira, dia 16, em frente à prefeitura municipal de São Paulo.
O velório foi a forma encontrada pela Comunidade Cidadã, do Grajaú, e por diversas outras entidades da sociedade civil para protestar contra a morte de jovens na periferia e, principalmente, pela falta de políticas públicas por parte da atual administração municipal para esse segmento da população. “Nossa juventude precisa ter alternativas de cultura, educação, lazer... para não se transformar em mão-de-obra barata para o crime organizado”, denunciou Flávio Munhoz, um dos organizadores do evento.
Os 493 “caixões” lembravam as mortes ocorridas nas duas semanas de maio de 2006, quando a cidade foi vítima dos ataques realizados por uma facção criminosa e da vingança indiscriminada, que se seguiu, por parte de maus policiais. Do total de mortos, 475 eram jovens, segundo dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
O início do protesto estava marcado para as 19 horas, mas bastou o ônibus que traria os jovens e os “caixões” sair do Grajaú (distrito da periferia da Zona Sul) um pouco depois do horário previsto, para que a coisa se complicasse. Em função do trânsito caótico, os manifestantes e os materiais necessários ao velório chegaram quase duas horas depois, quando o Centro de São Paulo estava bem menos movimentado.
Em função do atraso, apenas um grupo reduzido de populares, entre os quais alguns familiares de jovens assassinados e desaparecidos naqueles trágicos dias de maio de 2006, acompanhou o II Ato em Defesa da Vida.
Sinal dos tempos e da incompetência do poder público. Há poucos anos, os protestos e as manifestações eram acusados de prejudicar o trânsito na capital paulista. Agora, é o trânsito que atrapalha a realização dos atos públicos.
O velório, além de lembrar as vítimas da violência, também simbolizou a “morte” da atual administração municipal de São Paulo, que se encontra totalmente inerte frente às necessidades e aos reclamos dos jovens da periferia.
Quarta-feira, Maio 21, 2008
O velório e o trânsito
Sexta-feira, Maio 16, 2008
Para não esquecer o extermínio de maio de 2006, com indícios de participação da polícia
Hoje, a partir das 19h, entidades sociais e de direitos humanos, familiares de vítimas da violência e jovens que moram na periferia de São Paulo vão se reunir em frente ao prédio da Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, para lembrar as 493 mortes ocorridas no estado entre os dia 12 e 20 de maio de 2006. Na época, a Comissão Especial do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) analisou que, dos mortos, 109 teriam se envolvido em supostas "resistências seguidas de morte". Outras 87 pessoas teriam sido vítimas de grupos de extermínio, com indícios de participação de policiais. "Pela quantidade de tiros, pela localização, fica evidente que houve execução. Não foi uma reação a uma ameaça, não se caracteriza uma legítima defesa. É tamanho o exagero, que só se pode explicar por execução", comentou, na época, o jurista Dalmo Dallari.
Entre as vítimas, 96% eram do sexo masculino e 45% tinham entre 21 e 31 anos. A grande maioria dos casos jamais foi esclarecida pelas investigações da própria polícia e das corregedorias. Durante o ato em defesa da Vida, ocorrerá um velório público no Viaduto do Chá. Será simulado um cemitério com 493 caixões. O ato é organizado pela entidade "Comunidade Cidadã", com apoio do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Governo do Estado, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, da seção brasileira da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT), do Grupo Tortura Nunca Mais, da Pastoral Carcerária, do Centro Santo Dias, da Justiça Global, do Conectas Direitos Humanos, do Centro de Direitos Humanos do Sapopemba, entre outras entidades.
Quinta-feira, Maio 15, 2008
Embriaguês e desordem
Fotos de arquivos policiais de alguns famosos, na maioria dos casos, detidos por embriaguês, desordem, agressão ou desacato. Vemos aqui o jovem mafioso Frank Sinatra, o beberrão Johnny Cash, o violento Elvis Presley, o porra-louca Jimi Hendrix e o único vivo da lista, Mick Jagger, que tomou todas e embolachou um fotógrafo em 1972. Mas a melhor imagem é a de Jim Morrison, aos 19 anos, em 1963 (dois anos antes de fundar os Doors). De tão bêbado, quase não consegue abrir os olhos.


Frank Sinatra, Johnny Cash e Elvis Presley


Jim Morrison, Jimi Hendrix e Mick Jagger
Quarta-feira, Abril 16, 2008
O "inseticida social" da PM
"A PM é o melhor inseticida contra a dengue. Conhece aquele produto, [inseticida] SBP? Tem o SBPM. Não fica mosquito nenhum em pé. A PM é o melhor inseticida social". Foi com essa declaração, rindo, que o comandante de Policiamento da Capital, coronel Marcus Jardim, definiu o resultado da operação policial que matou nove supostos traficantes durante incursão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro.
De acordo com reprotagem da Folha de S. Paulo, um dos objetivos era destruir barricadas feitas pelo tráfico, que estariam impedindo moradores de levar familiares a hospitais para tratar de doenças como a dengue. Daí veio a infeliz comparação do coronel, que ainda disse ao jornal: "Amanhã [hoje] o pau na vagabundagem continua". E "alertou" na seqüência: "Quem quiser se render - e deve se render - é preso. Aqueles que resistiram de maneira injusta à atuação da PM, aconteceu o que aconteceu [foram mortos]".
Mas se Jardim quer facilitar o acesso dos moradores a hospitais, no mês passado afirmou que iria dificultar que as pessoas chegassem aos bailes funk, que ele define como "reunião de vagabundos". À época, confessou: "não tenho poder para proibir esses bailes, mas posso dificultar sua realização", falando da intenção de promover batidas no entorno dos locais antes do início dos bailes, para abordar e revistar os freqüentadores
O mesmo coronel já havia aparecido na mídia em novembro do ano passado, quando "presenteou" o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extra-Judiciais, Philip Alston, com uma réplica do Caveirão (foto), veículo blindado da PM que faz incursões nas favelas cariocas. A justificativa dada ao Jornal do Brasil, por conta do presente, foi a seguinte: "Ele [Alston] ficou extremamente surpreso com o presente. Tem a questão das tradições culturais de povos, de etnias. Por exemplo, o nascimento de Jesus Cristo quando os reis magos levaram especiarias como incenso."
Na entrevista, Jardim utiliza argumento parecido com o do Capitão Nascimento, personagem do filme Tropa de Elite, de que se vive na cidade um estado de guerra. "O que nós vivemos é uma guerra urbana. O guerreiro tem que se defender. Os que são contra a utilização do blindado, com todo o respeito, dão a conotação de que não estão familiarizados com a situação ou envolvidos com coisas escusas. É inconcebível ver um policial morrer. O blindado permite se chegar ao objetivo. Quem não gosta do Caveirão gosta de maconha. Quem não gosta do Caveirão, gosta de cocaína."
Democracia é isso aí.
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Tropa sem elite
Damião Ferreira da Cruz (foto), baiano de Lauro de Freitas, tem 72 anos e, segundo ele, fugiu de casa aos 13 para escapar da brutalidade dos pais, que batiam nele com "cipó de cabo". Clandestino, viajou num navio em direção ao Rio de Janeiro. Chegando, foi morar na zona de prostituição. Entrou para a Marinha, mas continuou freqüentando bordéis e explorando mulheres como "cafetão". Nessa vida desregrada, desertou de um navio e foi morar com uma prostituta em uma palafita. Refeito do porre, tentou voltar para o quartel, onde foi condenado a um ano de prisão (um mês na solitária). Ali, aprendeu a "tocar" violão e transformou-se em Damião Experiença.
Fora da cadeia, a Marinha o aposentou depois que caiu do mastro de um navio e bateu a cabeça. Voltou a trabalhar como "cafetão" e, com o dinheiro, começou a bancar seus próprios discos. O primeiro, em 1974, chamou-se "Planeta Lamma". Ele gravou com um violão de uma corda só, um chocalho de tampinhas de garrafa, gaita e letras no "dialeto" do tal planeta. Mais tarde ainda gravaria outros álbuns, como "Damião Experiença Planeta Roça", "Damião Experiença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma" e "Damião Experiença Cheirando Alho no Planeta Lamma" - muitas vezes usando uma banda de apoio (tudo está disponível no link http://www.damiaoexperienca.net/downloads.htm).
No disco "Comando Planeta Lamma", de 1992, há uma música com o sugestivo nome de "Bar", em que Damião denuncia a violência da polícia: "Os bicho da cara preta/ Querendo me prendê/ Me dando tanta pancada/ E me prendendo/ Quando lá cheguei/ Tive que me defendê/ Mas não adiantô/ Fui mesmo pro xadrez". E prossegue: "Os bicho da cara preta/ Tão pegando e tão matando de escopeta/ Não tem medo de careta/ Eles são os bicho mais feroz do planeta". Usualmente vestido como um mendigo, Damião deve saber, na pele, como é tratado um negro pobre (e meio maluco) pelos policiais do Brasil. E particularmente do Rio de Janeiro, onde vive.
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
Dirceu e o super-vilão da novela
Só nesta quarta-feira, 3, é que li a entrevista de Aguinaldo Silva, autor da novela Duas Caras, à Folha de S.Paulo (só para assinantes) de domingo, 30 de setembro.
O vilão que, aparentemente, dá nome ao folhetim, é inspirado em José Dirceu, um dos chefes da quadrilha segundo a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, parcialmente aceita pelo Supremo Tribunal Federal, em agosto.FOLHA - A história do protagonista de "Duas Caras", que se casa por interesse, foge com o dinheiro da mulher e faz plástica para mudar de vida, é inspirada na de José Dirceu? SILVA - Não posso negar que ele tenha me inspirado, assim como outros, como o ex-chefe de censura militar [Antonio] Romero Lago. [Juan Carlos Ramirez] Abadía [traficante que fez plásticas para fugir da polícia] veio depois, mas tem muito a ver também. E a história do Zé Dirceu sempre digo que é uma lenda urbana, como a dos jacarés que vivem no esgoto, e essa comparação é bem interessante... O fato é que essa história – casamento, vida dupla, abandono da segunda vida para voltar à política – já ouvi centenas de vezes, mas toda vez ela me faz muito mal, porque sinto uma crueldade muito grande. Uma pessoa que faz isso é capaz de qualquer coisa. Tenho medo dele. Confesso que quando ele era chefe da Casa Civil, sempre pensava nisso. Tenho horror.
O blogueiro ex-ministro chefe da Casa Civil, todo mundo conhece, é personagem da vida política brasileira. Abadia, ficou conhecido em 7 de agosto, ao ser preso em um condomínio de luxo na Grande São Paulo.
Antônio Romero Lago é curiosamente chamado pelo entrevistado de "ex-chefe de censura militar", como se esse posto ainda existisse. O dado que o aproxima é descrito pelo jornalista Mauro Malin, em seu blogue no Observatório de Imprensa, a título de desancar Diogo Mainardi, em maio deste ano. Ele conta que Lago foi o nome adotado por Hermelindo Ramirez Godoy, um foragido da Justiça a partir de 1944, quando foi condenado como mandante de assassinato. Na base da falsidade ideológica, o cidadão transformou o carimbo de sua assinatura-fajuta em sinônimo de aprovação pela Divisão de Censura de Diversões Públicas em filmes nacionais durante a ditadura militar, a partir de 1966.
Eis que Dirceu é promovido ao estatuto de super-vilão.
E como fica aquela história de "qualquer semelhança com personagens ou fatos da vida real é mera coincidência"?
Na montagem, José Dirceu, à esquerda, e Abadía, à direita,
com as respectivas fotos no ostracismo
Quinta-feira, Setembro 20, 2007
Cerveja salva vida de dona do bar
Deu no Diário do Grande ABC. A maior chacina do ano no estado de São Paulo, que vitimou oito pessoas em um bar de Ribeirão Pires, só não teve um desfecho ainda mais trágico por conta de uma cerveja. “Eu só sobrevivi porque estava pegando uma cerveja no freezer na hora em que os tiros começaram”, conta R., de 30 anos, dona do estabelecimento. Como o refrigerador fica na parte de trás do bar, a moça não foi vista pelos atiradores.
O bar foi uma herança do marido, morto há cinco meses. Nas redondezas, sua fama não era muito auspiciosa: o local era conhecido como "bar dos nóias". No entanto, R. nega que houvesse tráfico de drogas ali. “Lá não tinha tráfico como foi falado. Algumas pessoas usavam, mas fora do bar.”
O atual namorado de R., Reinaldo Teodoro de Souza, foi apontado como um dos principais alvos dos criminosos, mas a comerciante nega a possibilidade. “Ele não usava drogas. Eu consumia cocaína e ele ficava bravo comigo. No dia da chacina, eu tinha usado escondida dele. Até o cigarro ele queria que eu largasse.”
Para lamento dos manguaças de lá, o bar não abrirá mais.
Fim do momento programa policial.
Terça-feira, Setembro 18, 2007
"Quadrilha" furta camisa do Palmeiras
Quando eu digo que na minha cidade só tem palmeirense, tem que não acredita. Pois vejamos essa nota da Tribuna de Taquaritinga:
Ladrões são filmados furtando camisas de times
O gerente de uma loja de calçados e artigos esportivos registrou o furto de 11 camisetas de clubes de futebol e de passeio, na tarde da última terça-feira (11), na Rua Prudente de Moraes. De acordo com o boletim de ocorrência, dois homens e uma mulher entraram na loja e, enquanto a moça distraía a vendedora, os rapazes furtavam as camisas, dentre elas, uma do Palmeiras. Segundo as informações do gerente, o sistema de segurança flagrou e registrou as imagens através das câmeras no momento do furto. A Polícia Civil de Taquaritinga investiga o caso.
Ps.1: Taquaritinga fica no interior de São Paulo.
Ps.2: E quem disse que a Polícia Civil de Taquaritinga não trabalha, hein?
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
Parada Lésbica pede: "seja lésbica por um dia"

A 3º Parada Lésbica de Brasília, realizada no domingo, 16, reuniu 6 mil pessoas, segundo a Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus, organizadora da manifestação. A partir do lema "seja lésbica por um dia", o objetivo foi combater o preconceito e a discriminação contra homossexuais e bissexuais.
Para a diretora da Coturno de Vênus, Kelly Kotlinski, a receptividade foi positiva por parte da população. Segundo ela, a adoção de uma pauta mais política, desde 2006, contribuiu para ampliar a visibilidade lésbica, objetivo principal da manifestação.
Ela foi entrevistada pela revista Fórum.
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Corinthians é caso de polícia, literalmente
Deu no blog do Juca e na Agência Estado: policiais do Deic, acompanhados de promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), fazem operação de busca e apreensão no Corinthians.
A operação, diz o site do Grupo Estado, “investiga a emissão de cerca de 80 notas frias que teriam lesado as finanças do Corinthians”. E mais: “Alberto Dualib é acusado de liderar quadrilha de estelionatários”.

